Bem vindo ao Via Consciência, um blog dedicado à comunicação conscienciológica, onde o ser humano em evolução é o principal tema de pesquisa.

Todos os textos neste blog são de autoria de Mário Luna Filho, salvo aqueles em que a fonte for mencionada. Críticas e comentários são bem vindos.

"Não acredite em nada que ler ou ouvir neste blog. Reflita. Tenha suas próprias opiniões e experiências."

sábado, 28 de novembro de 2009

Documentário de Peter Cohen Revela o Horror da Manipulação Genética

Segundo o dicionário Aurélio, por Eugenia entende-se a ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento da raça humana. Embora o termo possa implicar o uso da manipulação genética em tempos de clonagem, o diretor sueco Peter Cohen enfoca aqui um problema muito maior: a eugenia negativa para fins de limpeza racial, ocorrida no começo do Século XX, na Europa e nos Estados Unidos. A Eugenia pode também ser definida como uma direção manipulável da evolução humana, largamente usada por nazistas, fascistas e stanlinistas, antes e durante a Segunda Grande Guerra.

Com um texto muito bem escrito, e muitas vezes assustador, o diretor varre os anos em que a Eugenia se tornou, digamos assim, moda, época em que, na Europa e nos Estados Unidos, cientistas racistas levaram a sério a idéia de uma limpeza racial e colocaram em prática esta ferramenta de manipulação da gênese humana. Mas a origem dessa ciência elitista data muito antes dela cair nas mãos de nazistas e fascistas. Começando no século 19, a Eugenia surgiu como uma filosofia social, baseada em métodos pseudo-científicos, a qual tentava aperfeiçoar a qualidade da hereditariedade humana de maneira que a produção de uma raça superior humana pudesser ser controlada. Estava, portanto, lançada a febre da boa procriação.

O aperfeiçoamento da raça humana pode ser considerado um dos ícones da visão Utópica desde tempos helênicos. A seleção (nada natural) de genes e controle (manipulativo) da produção humana é um ideal que nos chega oriundo dos tempos de Platão, que acreditava que a reprodução humana deveria ser controlada pelas autoridades. Ele mesmo propôs que tal seleção deveria funcionar como uma espécie de "falsa loteria, manipulada pelo governo," de maneira que os sentimentos das pessoas não fosse atingido com a consciência dos princípios da prática seletiva. Outro sinal da Eugenia em tempos mais remotos é a prática mitológica de Esparta, que consistia em largar os bêbês de saúde fraca fora dos limites da cidade para que morressem no abandono.

Mas foi o trabalho de Francis Galton, nas décadas de 1860 e 1870, que sistematizou a idéia e a prática da Eugenia em tempos mais atuais, através do seu "novo conhecimento a respeito da evolução do homem e dos animais," baseada na teoria de seu primo famoso, Charles Darwin. O conceito de seleção natural de Darwin encantou Galton e o cientista interpretou a idéia como um método potencialmente realizável de melhoria da raça humana, o que corroborava com a prática atemporal das sociedades de privilegiar os dotados de inteligência e desprezar as classes intelectualmente prejudicadas. Ela tinha intrinsecamente o caráter de extinguir aqueles intelectualmente (e fisicamente) fracos. Não demorou para que Galton tivesse a adesão de outros darwinistas, que logo começaram a trabalhar a idéia de que os fortes não deveriam ajudar os fracos. Eles não só acreditavam na evitação passiva da assistência, como na tomada de medidas ativas que defendessem a seleção natural por meio da hereditariedade intelectual - eles acreditavam que inteligência se herdava. Assim, segundo ele, "as sociedades ficariam livres da mediocridade."

Na prática, a Eugenia ganhou apoio político e social e duas (ou três) classes operacionais: a primeira, considerada positiva, selecionava aqueles humanos "adequados" para se reproduzirem com mais frequência; a segunda, considerada negativa, proíbia aqueles humanos "desadequados" de se reproduzirem por meio da esterilização. A terceira classe, a qual também incluo aqui, é a da engenharia genética, que surgiria mais tarde. Em 1900, o movimento eugênico teve uma recepção calorosa nos Estados Unidos. Na década de 30, a maioria dos estados americanos adotaram a política eugênica de esterilização de sua população considerada geneticamente fraca (os defeituosos, como eram chamados), apoiados pela decisão infame da Suprema Corte americana de tornar tal política constitucional.

A Eugenia não apenas defendia a procriação apenas dos nativos "adequados," como criou um movimento anti-imigração nos anos 1910 e 1920, a fim de evitar a miscigenação da raça, com o argumento de que negros e imigrantes eram inferiores aos nativos brancos em inteligência e condição física e moral. Em 1924, a lei de Restrição a Imigrantes foi aprovada, com os eugenistas ganhando papel central no debate congressista, como os especialistas no estudo de indivíduos indevidos na sociedade americana. A tal lei reforçou a proibição da miscigenação entre nativos brancos com imigrantes e negros e defendeu a todo custo a manutenção da seleção genética humana. Nessa época, a Eugenia era vista como o grande método científico e progressista da aplicação natural do conhecimento em favor da criação e controle da evolução humana. Antropólogos como Franz Boas e H. S. Jennings, que defendiam a pluricultura e a unificação das raças, com o argumento de que todas elas tinham o seu devido valor e importância, tentaram mostrar, por meio de estudos meticulosos, que os métodos eugênicos eram falhos e representavam uma farsa em suas pretensões. Mesmo assim, a moda pegou e parecia cada vez mais fortalecida.

É claro que a Eugenia não poderia deixar de ser um dos pratos principais do banquete nazista. Com a idéia da purificação da raça ariana, a corrente capitaneada por Adolf Hitler se tornou famosa por seus inimagináveis programas eugênicos, antes e durante a Segunda Grande Guerra. Talvez aqui, a Eugenia tenha ganho seu ápice de surrealidade. Com a bandeira da "higiene racial," os nazistas desenvolveram uma ampla sorte de experimentos com a vida humana, desde testes genéticos os mais variados até à medição de características físicas ideais, como os impiedosos e terríveis experimentos com gêmeos, liderados por Joseph Mengele nos campos de concentração. Em 1933, a Alemanha esterilizou todos os seus judeus e crianças alemãs miscigenadas. Nos anos 1930 e 1940, os nazistas extenderam a esterilização a todos os alemãs considerados mental e fisicamente "defeituosos," além de literalmente matarem centenas de doentes descapacitados por meio de um institucionalizado programa de eutanásia. O novo regime hitlerista implementou uma série de políticas eugênicas para promover a raça ariana pura, uma delas exigia que mulheres consideradas aptas a pertencerem a tal raça ariana, fossem emprenhadas por oficiais da SS. O mesmo regime selecionou, segregou e sistematicamente assassinou milhares de indivíduos que não atendiam às novas exigências raciais do país. O resultado final do programa alemão de Eugenia levou ao Holocausto, com um total de seis milhões de mortes.

O ponto de reflexão nisso tudo - para que esse texto não fique apenas numa base teórica - é identificarmos a herança do método eugênico que ainda nos afeta nos dias de hoje. Não apenas cientificamente, com a possibilidade da clonagem humana, ou socialmente, através da exclusão social, promovida por muitos governos, mas, sobretudo, individualmente, com o preconceito racial. A idéia da aceitação de uma raça "condizente" com a nossa e uma "tolerância" sublimiar à pluricultura norteiam de alguma forma as relações em sociedade.

No documentário, Cohen garimpa preciosos documentos de época que servem aos seus propósitos. Uma dessas cenas, feita por um cinegrafista anônimo, registra a feira de Paris, nos anos 30. Em outra aparece os pavilhões da Alemanha nazista e da União Soviética stalinista, um de frente para o outro. A bandeira com a suástica tremulava em frente das estátuas do homem e da mulher que elevavam bem alto os símbolos da higienização racial. O nazismo e o stalinismo são os principais alvos da crítica de Cohen, pelo uso negativo que fizeram da Eugenia. A obra do sueco Peter Cohen é fundamental para entendermos muitos dos nossos atuais pecadilhos sociais, históricos, raciais e políticos, a presunção humana, a origem do preconceito, entre outras muitas distorções no entendimento da evolução humana.

sábado, 7 de novembro de 2009

Sonho e Projeção

Uma dúvida muito frequente dos alunos de Projeciologia é saber a diferença entre sonho e projeção da consciência. Embora esses estados alterados de consciência não tragam em si elementos de diferenciação muito complexos, a dúvida persiste curso a curso. Há pelo menos, segundo o livro Projeciologia, de autoria do precusor da ciência, Waldo Vieira, 33 confrontos didáticos entre o sonho natural e a projeção consciencial lúcida (ou semi-lúcida).

No sonho, o indivíduo não começa a sonhar a partir do estado de vigília física. Na projeção, vivemos uma autoconsciência contínua, desde o estado de vigília física ordinária, isto é, experimentamos a projeção antes, durante e depois da experiência projetiva. No sonho, não passamos pelo estado vibracional das bioenergias, em que sentimos o corpo vibrar como se estivesse em contato com eletricidade. Nesse estado é comum também o aparecimento de sons de descarga energética intracranianas. No sonho, não temos a lucidez para perceber a saída do corpo físico, a visualização do ambiente intrafísico enquanto projetado. No sonho, as imagens tendem a formar amálgamas de fatos desconexos, destituídos de uma lógica orgânica - com começo, meio e fim - e a consciência atua como uma espectadora dessas imagens. Na projeção, encontramos lógica no que vivemos e sentimos, mantendo a capacidade decisória no ambiente em que nos encontramos. Isso também ocorre com relação ao controle de nossas ações, pensamentos e sentimentos - com maior ou menor lucidez. Na projeção, a atividade mental transcende a que normalmente temos no estado de vigília física, não raramente com maior clareza dos fatos e, inclusive, sobre quem somos - nossa procedência, realidade multidimensional e também destino (programação existencial). No sonho, o juízo crítico fica ausente e normalmente aceitamos as situações mais absurdas como naturais (como falar com animais, encontrar toilets em desertos, subir escadas que não terminam nunca etc.), pois a mente humana não está alerta para despertar seu sentido de atenção. No sonho, não mantemos a lucidez sobre quem somos no estado de vigília física ordinária. Na projeção, mantemos maior lucidez para saber quem somos e o que estamos fazendo naquele ambiente extrafísico. Na projeção, também experimentamos senações de prazer, liberdade, bem-estar que não temos no sonho comum, onde, ao contrário, imergimos em realidades completamente diferentes daquelas em que vivemos no estado de vigília física. No sonho, as imagens são irreais, fantasiadas, quiméricas, idealizadas pelo subconsciente, derivações da realidade da consciência intrafísica e, não raramente, estados de loucura e alucinação.
O nível de intensidade dessas imagens também diferem exponencialmente. No sonho, não percebemos a intensidade real das imagens, fato que não ocorre na projeção, quando percebemos, claramente, intensidade em tudo que vivemos no plano extrafísico. No sonho, não fazemos o que queremos, apenas o que somos levados a fazer dentro de uma circunstância passiva. Na projeção, mantemos o domínio da vontade. No sonho, não reconhecemos os lugares em que estamos nem as pessoas com as quais nos relacionamos. Na projeção, há reconhecimento de lugares e consciências intra e extrafísicas, assim como o entendimento do contexto em que estamos inseridos.

Muitas outras diferenciações podem ser analisadas aqui, como reflexos, estado do corpo humano, sistemas de interiorizações, duração do experimento, frequência, padrões de energia, processos laboratoriais e de autoconhecimento etc., a lista é um pouco longa, mas a melhor análise será sempre aquela que nós mesmos experimentamos quando vivemos uma projeção da consciência. Aquele que vivencia uma projeção da consciência sabe muito bem diferenciá-la de um sonho comum. Uma ressalva, no entanto, vale a pena mencionar aqui. De acordo com minha própria vivência, em algumas projeções da consciência, houve ocorrência (muitas vezes) de certas transfigurações utilizadas pela mente as quais podem suscitar um estado onírico, mas que não são na verdade, como, por exemplo, aparecer voando com asas. Esse recurso é próprio da consciência intrafísica em estado projetivo semi-lúcido, que imagina que ela só pode voar se tiver asas. Essa muleta tende a desaparecer na medida em que o nível de lucidez durante a projeção melhora. Muitas outras muletas podem surgir no experimento da projeção da consciência. Mas, em todas elas, percebemos que estamos projetados, pois, apesar de qualquer muleta, mantemos o controle da vontade, a percepção dos sentimentos, o comando decisório e capacidade de entender as situações com razão e lógica.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Quarta Morte

Chorar a morte de entes queridos faz com que eles não morram de fato. O apego físico, no entanto, é uma carência difícil de se lidar, quando estamos incapacitados de enxergar a vida de maneira multidimensional. A morte, ainda cercada de misticismos, crenças e mistérios, permanece como um dos tabús mais resistentes do ser humano.

A partir do paradigma consciencial, utilizado pela Conscienciologia, a consciência intrafísica (o ser humano) possui vários corpos vitais: o corpo físico (soma), o corpo energético (energossoma), o psicossoma (corpo das emoções) e o mentalsoma (corpo mental). Tomando por base a evolução humana, a maneira com que lidamos com as nossas emoções determina o grau de maturidade com que não apenas compreendemos o plano astral (espiritual), mas transitamos entre este e o plano terrestre (material), através do uso do parapsiquismo - condição-base para a vivência dos fenômenos paranormais. Quanto mais evoluídos, melhor será o nosso autocontrole emocional, mais ampla será a nossa visão multidimensional, mais claramente nos comunicaremos entre planos, entendendo que somos consciências pluriexistenciais, com vínculos transitórios. Entretanto, o conhecimento espiritual que podemos alcançar hoje não é o bastante para vencer a série de existências pretéritas em que não o possuíamos. O restringimento físico é avassalador para aqueles que ainda estão enfrentando os desafios do autoconhecimento - a dolorosa fase em que descobrimos as verdades relativas de ponta da nossa própria evolução, momento em que tiramos uma polaroid da nossa condição consciencial.

Entre todas as técnicas e ferramentas que possam ser aplicadas, a fim de superar a carência inerente à imaturidade consciencial, o parapsiquismo é notoriamente a mais eficiente e eficaz para a comunicação interdimensional e um dos pilares da tridotação (os demais são a comunicabilidade e a intelectualidade). A vivência da imortalidade mostra sem sombras de dúvida que a vida segue em planos distintos e os vínculos não morrem jamais. Até mesmo as carências podem ser saciadas por seus interlocutores, não restando qualquer crença que possa invalidar tal experiência - contra fatos não há argumentos. A projeção lúcida da consciência constitui a mais avançada habilidade de que podemos fazer uso para nossa evolução.

A consciência intrafísica passa por várias mortes, cada uma delas associada à sua condição evolutiva. A primeira morte ocorre quando há o descarte do corpo físico. Os mais apegados à condição terrestre, permanecem ainda com os corpos energético e emocional após a morte física, comum aos mortos por acidentes fatais bruscos e aos irresignados à perda da matéria. Em tal condição, a consciência repugna a aceitação de que não possui mais um corpo físico, permanecendo com os mesmos apegos, retroalimentados pelas carências que possuía na vida intrafísica. A segunda morte acontece quando há o descarte do energossoma, um estágio mais avançado do nível evolutivo, mais ainda vulnerável às emoções intrafísicas. Contudo, o nível de autoconhecimento, o uso do parapsiquismo e a lucidez multidimensional adquirida na sua última vida intrafísica serão essenciais para o entendimento da sua dessoma (descarte do soma, corpo físico). A terceira morte, e a mais evoluída, acontece quando a consciência já não necessita mais do seu corpo emocional e o descarta, passando a existir apenas com o seu mentalsoma (corpo mental). O corpo das idéias, da razão e da lógica, e dos sentimentos equilibrados, constitui o mais avançado veículo de manifestação da consciência. A terceira morte ocorre apenas quando a vida intrafísica não é mais necessária, quando todos os carmas (egocarma, grupocarma e policarma) estão já superados e a evolução humana atinge seu ponto máximo.

Porém, num estágio evolutivo mais comum a todos, quando ainda fazemos uso do psicossoma, as emoções norteiam todos os condicionamentos existenciais, criam dependências, vínculos e paravínculos, permeiam as vivências intra e extrafísicas e se tornam os obstáculos principais para as superações evolutivas, no cumprimento das programações existenciais. Sob tal condição, os elos materiais se fortalecem e a comunicação interdimensional padece no restringimento físico. Não é fácil vencer as barreiras evolutivas na falta do auto e heteroconhecimento. Quando um ente querido falece, o nosso corpo físico adoece, debilitado pela carência energética na falta daquele que partiu, sente saudade, experimenta a incompreensão e a desaceitação da morte é um fato inegável. Não é tampouco fácil morrer quando há tantos que choram a nossa falta e reclamam nossa presença no mundo intrafísico. É o mesmo que sairmos para o supermercado por algumas horas, sabendo que todos em casa ficaram chorando depois que partimos. Ninguém, com um mínimo de atenção ao outro, pode viver bem nessas condições.

A quarta morte (hipotética, claro) representa justamente o descarte da imagem do dessomado junto aos seus familiares na intrafisicalidade, a qual ocorre a paritir do desvínculo afetivo, emocional, da carência e do vampirismo energético que ocorre invariavelmente nas situações de perda. Na quarta morte, libertamos a consciência, agora extrafísica, para que ela possa seguir seu caminho evolutivo no plano espiritual da melhor maneira possível, sem remorsos, tristezas, sentimentos de culpa ou perda. A morte da imagem do dessomado, promovida com a aceitação do melhor para todos, é um passo importante e fundamental para a superação das emoções em estado patológico, interprisões e psicotismos os mais variados, além de um avanço evolutivo significativo para a condição hígida de sempre pensarmos multidimensionalmente.

domingo, 1 de novembro de 2009

Entrevista com a Escritora Jackeline Bittencourt

Na última Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, visitei o stand da Hama Editora no lançamento do livro Maternidade e Antimaterinidade Lúcida - A Escolha é Sua, da escritora carioca, Jackeline Bittencourt. Na ocasião, fiz uma entrevista com a autora, gravada rudemente na minha camera digital, mas o resultado vale como registro do evento.


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