Bem vindo ao Via Consciência, um blog dedicado à comunicação conscienciológica, onde o ser humano em evolução é o principal tema de pesquisa.

Todos os textos neste blog são de autoria de Mário Luna Filho, salvo aqueles em que a fonte for mencionada. Críticas e comentários são bem vindos.

"Não acredite em nada que ler ou ouvir neste blog. Reflita. Tenha suas próprias opiniões e experiências."

sexta-feira, 28 de março de 2014

COMO SER INTELECTUAL E INCOMPREENSÍVEL (HUMOR)

A intelectualidade abre portas na vida profissional, mas normalmente costuma fechá-las na vida prática. Por mais que as pessoas em geral não aguentem a companhia de um intelectual por mais de cinco minutos, quem, ao olhar-se no espelho, sinceramente, não gostaria de ser um, ou está mentindo ou deve ser um fã incondicional da série BBB. A preocupação de um intelectual deve ser, primeiramente, a de escrever coisas que muito poucos entendem, como esse texto do ornitólogo Jean Paul Gambolddy, "hermeticamente a natureza cerrou os childos no imo do balcedo" ou, numa roda de conversa entre amigos, dizer frases como "paradoxalmente os acepipes foram aduzidos numa fausta salva rotunda que banzou os comensais" ao contar como foi o almoço de domingo na casa da tia Eulália. Para ser um intelectual é preciso, essencialmente, possuir algumas características particulares, como gostar de vestir preto, andar com livros embaixo do braço, usar óculos sem precisar (bem, no meu caso, é por eu ter sido um grande fã do Flávio Cavalcanti), evitar conversas longas com pessoas comuns, não fazer questão de ter amigos, desprezar tudo que é popular e dizer-se existencialista mesmo quando se é médium atuante e conhece a vida após a morte por meio da projeção astral. Mas, para ser um intelectual, de fato, é preciso, realmente, ser incompreensível, ou seja, usar próclise e mesóclise na linguagem coloquial, metáforas para contar segredos, analogias para dar exemplos, parábolas para narrar acontecimentos, dicotomias para diferenciar qualquer coisa, silogismos para justificar opiniões, a hermenêutica para analisar o mundo, a genealogia para falar da própria família, assim como possuir um tique nervoso que todos o considerem intrigante. E por fim, o intelectual também é aquele sem papas na língua, que adora causar polêmicas, estimular controvérsias, perturbar do nada ambientes com comportamentos inesperados, como falar de Darwin imitando chimpanzés ou declamar poesias longas demais em chás de bêbês. Uma classe interessante. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

COMO INTERPRETAR TEXTOS DIFÍCEIS (HUMOR)

Primeiramente, para interpretar textos difíceis é preciso ter um bom vocabulário, o hábito assíduo da leitura, uma biblioteca caseira com pelo menos 10.000 volumes de livros difíceis, viver praticamente todo o tempo dentro de uma biblioteca pública ou sebos, nascer numa família que sabe interpretar textos difíceis e, finalmente, conhecer sensatamente filosofia, antropologia, sociologia, biologia, epistemologia, psicologia, pedagogia, arquivologia e Friedrich Wilhelm Nietzsche. A capacidade para interpretar textos difíceis, entretanto, não se conquista da noite para o dia. São anos, talvez, décadas, ou quem sabe, milênios de vidas ininterruptas ligadas à prática da leitura de textos difíceis, passando por todas elas debruçado a livros que ninguém jamais conseguiu interpretar, mas que sempre vale a pena tentar. Para começar tal prática sugiro Ulysses de James Joyce. Se conseguir uma interpretação exata do que havia na mente de Joyce em apenas uma vida, avise aos intelectuais acadêmicos pós-graduados de Cambridge, Oxford, Harvard, Yale, Stanley, Sorbonne, Daigaku, ao Trinity College e ao Antônio Houaiss por vias espirituais. Não se sinta frustrado se não conseguir interpretar textos difíceis numa só vida. Já passamos por muitas desde que o povo das Pléiades chegaram à Terra e 99.9999% dos seres humanos ainda não sabem. Um texto difícil é facilmente reconhecido pelo título, ao contrário de um texto fácil ou normal. Por exemplo, a frase "o ser humano gosta de beber cerveja" num livro de texto difícil estaria "o sujeito incutido na noção endógena de personagem social argumenta de forma irremediavelmente favorável a que se sorva a cerva enquanto canjibrina". Um texto difícil é propositalmente difícil, tendo o escritor passado anos se esmerando amiúde em deixá-lo hermético o bastante para que você não consiga lê-lo e entendê-lo e, portanto, não pense que conseguirá interpretá-lo facilmente em uma vida só. Seja como for, esta é a minha sugestão para se interpretar textos difíceis. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

A MORTE É A ÚNICA FALTA DE ESCOLHA (FILOSOFIA)

Pensamos que a vida perde o sentido na ausência do amor, na falta do dinheiro, de perspectivas, na realidade de uma fracasso, na perda de direção, na carência da visão, na deseducação espiritual, no materialismo, no engano do alívio, no arroubo do desespero, na loucura e na insanidade, mas vemos famosos, ricos, milionários, celebridades bem sucedidas, artistas talentosos, com carreiras promissoras, mestres e intelectuais, uma chusma de gente inteligente, líderes e que fazem a diferença tirando a própria vida minados por vícios, desilusões, cegueiras, desconhecimentos, doenças, e então pensamos: o que faz a morte uma escolha? E o que nos mantém vivos? O estímulo e o prazer? A realização e o reconhecimento? A satisfação sobre o que se faz? A demência e a resignação? O comodismo? O medo do desconhecido? A espiritualidade? A noção transcendental? o conhecimento da continuidade da vida? A ciência do sofrimento? Por que a vida às vezes parece assustadora e a morte sedutora? O que move essa decisão intrinsecamente? Se a morte é inevitável porque abreviá-la às vezes tão cedo? A escolha da morte ainda é um mistério da mente humana, um desejo insondável, a única falta de escolha. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

NÃO SABEMOS O QUE CONHECEMOS (CIÊNCIA)

O que nós sabemos que conhecemos? O que nós sabemos que não conhecemos? E o que nós não sabemos que não conhecemos? Isto é, o que podemos falar com propriedade? O que não podemos falar com propriedade? E o que pensamos que podemos falar com propriedade?Considerando que a mente humana absorve apenas 2 mil bits de informação em 400 bilhões de bits que recebemos da vida por segundo, sabemos bem mais do que suponhamos. Tudo é absorvido pela mente. Quando lucidamente rejeitamos novos conhecimentos, a nossa mente desacelera, porque não há recurso neuronial capaz de reconhecer todas as coisas absorvidas na realidade. Como podemos saber tudo sobre todas as coisas que vivenciamos? Como expandir a nossa capacidade de observar e entender o mundo à nossa volta? Não sendo possível, o que não está ao nosso alcance? Entender as múltiplas dimensões da vida é descobrir infinitas possibilidades de alterar a realidade humana. Ignorar esta capacidade é subestimar os atributos do cérebro e viver à margem da verdadeira realidade. O mundo evolui a cada milésimo de segundo, nossas necessidades também, mas o restringimento físico é o algoz da real sabedoria. Apesar de tudo, seguimos nos contentando com o tangível, o visível, o palpável, o material, o que representa uma ínfina parte de tudo que compõe a vida. Isso nos leva a conclusão de que o ser humano se habituou a se encher de perguntas ao invés de descobrir respostas. Quais são as minhas verdadeiras possibilidades? Talvez uma resposta clara tornasse o mundo mais claro, mais humano, mais terrestre e mais pacífico. (Texto baseado no livro "Quem Somos Nós", ED. Prestígio, 2007). 

terça-feira, 11 de março de 2014

AINDA SOMOS HOMENS DAS CAVERNAS (EVOLUÇÃO)

Desde os tempos em que se assava mamutes e tigres de sabre nas refeições e se vivia em cavernas, o ser humano neste planeta não foi criado para conviver em outra dimensão além da física. O mundo ainda se descortinava com suas novidades e abria lentamente o seu leque de possibilidades de existências. Aos poucos, a mente humana foi absorvendo o conteúdo da vida diária, aprendendo com ela e conquistou habilidades para lidar com a sobrevivência. A mente se moldou ao que ela podia enxergar, criou necessidades e gerou com isso eras de descobrimento. Os seres humanos então habituaram-se tão ferozmente à essa vida prática, que as propriedades transcendentais do cérebro caíram em desuso e se deixaram vencer pelo enfado anímico. Novas gerações surgiram nos séculos seguintes e o restringimento físico se consolidou de vez. Alguns historiadores garantem que o caçador primitivo, entre outras motivações, desenhava a presa na parede da caverna antevendo o sucesso da caça (intuição). Posteriormente, adquiriu o ritual de enterrar os mortos e nomeou as forças da natureza que desconhecia, dando origem à primeira tentativa de compreensão da realidade, o que chamamos de mito. Então surgiu o transcendental, o místico. Porém, possivelmente, ele já surgiu como algo assombroso e polêmico, pois fora com tais características que ele percorreu milênios até os dias de hoje como alvo de intenso massacre. O que aparentava atender a um processo evolutivo natural, a magia foi condenada, punida, massacrada e execrada da face da Terra como uma prática herege, quando as religiões passaram a comandar o planeta. Paradoxalmente, o homem amadurecia o espírito, mas desprezava os atributos desta mesma entidade e bania o que estabelecia a sua conexão multidimensional. Nos dias de hoje o parapsiquismo é uma habilidade amedrontada, negada, escondida, evitada ao ponto de, obrigatoriamente, ser reconquistada, quiçás, recriada no universo consciencial. E então, aqueles que recuperaram o privilégio de quebrar as barreiras das multiplas dimensões não evitam, infelizmente, considerar o quanto o ser humano mantém o seu lado cavernoso intacto, aquele mesmo que adorava os bisões rupestres e criava deuses para os proteger. Lá nas cavernas, milênios atrás, deixando nos dias de hoje a seguinte conclusão: ignorar a vida além da matéria e adorar deuses são necessidades primitivas. 

segunda-feira, 3 de março de 2014

BRASIL ENTRA NA ERA NEOLÍTICA (POLÍTICA)

O gigante foi acordado com uma pedrada na cabeça e, ao levantar-ser, deu início à uma nova era para o país: o Período Neolítico. Desde que deixamos o Período Militar Obrigatório e entramos na Era da Pseudodemocracia Capitalista, nunca vimos uma época de tantas novidades. Veio a virada econômica do Fernando Henrique e a fase da Pedra Lascada do Lula e sua corte de pandilheiros, carregando dinheiro onde podiam, até em cuecas, mas colocando sabe-se lá como o gigante nos melhores drafts econômicos mundiais. Hoje, ser a sexta economia do mundo não nos diz nada absolutamente, nem dá ao povo benefício algum que evite protesto, porque entre as dez mais, não há um país sequer com uma gigantesca diferença social como a nossa, ainda dirigido por um regime plutocrata bisonho - salvo na África, onde ele é bem comum. A sociedade também se contorce com as mudanças. Hoje Igrejas se tornaram empresas com relatórios de lucros e prejuízos e marketing share, produzindo riquezas astronômicas, mas continuam ditando os mesmos comportamentos da Era A.C. A onda conservadora que embota a nossa sociedade, retroalimentada por esse desmando religioso, já não provoca tsunamis como antes, mas mantém o povo em marés rasas. O que se aprende não se aplica, porque a vida moderna mudou de maneira rápida demais e as novas formas de ver e entender a vida ainda não foram assimiladas. Por conta desta visão rupestre generalizada, ainda se cria celeumas sobre beijos homossexuais, por exemplo. Navegar na internet hoje é ler sobre esse beijo da novela em todas as redes de notícias. O assunto ganhou contornos acadêmicos dramáticos, com análises antropológicas as mais diversificadas e discussões filosóficas sobre o amor dignas da Escola de Frankfurt e dos compêndios Jungianos/Freudianos. Bem, a pedrada foi certeira. Agora só nos resta torcer para que essa pedra não nos tranforme em Sísifos. Afinal de contas, estamos entrando na Era da Pedra Nova! 

sábado, 1 de março de 2014

A VIDA NÃO É UMA FESTA (CONSCIENCIOLOGIA)

A vida não é uma festa; é um local de trabalho. Tampouco ela pode servir como uma idílica ilustração da realidade nas propagandas de margarina ou nas imaculadas paisagens dos comerciais de sabão em pó. A vida começa ao fim do recesso intermissivo, momento em que nos reprogramamos para mais uma pesada carga horária intrafísica, ao lado de chefes rigorosos que cruzam portais para nos cobrar as promessas que esquecemos, quando pensamos que a vida é uma pândega de comensais, muito embora ela mereça ser celebrada. Em qual outro lugar poderiam os nossos defeitos ser tão aparentes? Em que outra paragem cósmica estaríamos frente a frente com os nossos dissabores? Em qual outra circunstância veríamos nossos pesadelos vencer os sonhos na urgência do despertar da consciência? A vida ensina que o que precisamos é mais importante do que aquilo que queremos, porque essa regra deve ter sido criada por algum mestre astuto e experiente com consciências arrebatadas pelo hedonismo. Quando nos entregam o cartão de ponto, pensamos se tratar de um crachá com passe livre na área VIP. Muitos se descabelam ao ver que tem nas mãos uma vassoura e não uma garrafa de champagne. A faxina é grande, e a cada dia levamos essas vassouradas na medida em que percebemos o quanto temos que limpar, esfregar, assear, varrer e lavar o nosso espaço, desembaraçar nós seculares, lustrar nossas qualidades, tirar ferrugem, lodo e mofo do pensamento, remover crostas de gorduras envelhecidas de comportamentos, restos de comida fossilizada, que ficaram dos banquetes de outrora, manchas de sangue milenares, que ficaram encardidas na falta de reconciliação, nódoas perpetuadas no esquecimento de quem largamos no meio do caminho, e toda uma sorte de poeiras que ficaram suspensas no tempo, ofuscando a visão de uma verdadeira casta de renegados que ignoramos regastar. Não, a vida não é uma festa; é uma fábrica onde trabalhamos muito duramente como mini-peças de uma enorme engrenagem. A vida também não é um destino de férias e não vivemos em plena alta estação. Aqui as promoções só acontecem no inverno, quando é hora de largar o serviço e voltar para casa.