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Todos os textos neste blog são de autoria de Mário Luna Filho, salvo aqueles em que a fonte for mencionada. Críticas e comentários são bem vindos.

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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Consciências Universais: Galileu Galilei (1564 - 1642)

Galileu e sua linha do tempo
1564 - Galileu Galilei nasceu em Pisa.
1581 - Matriculou-se na Escola de Artes da sua cidade, com a finalidade de estudar medicina. Contudo, não terminou o curso e dedicou-se aos estudos da matemática, que eram os seus prediletos, ao lado da observação dos fenômenos físicos.
1589  - Foi nomeado catedrático de matemática na Universidade de Pisa.
1604 - Após longos períodos de experimentação na Torre Inclinada da cidade natal, Galileu formulou a lei da queda livre dos corpos, elemento básico para a mecânica racional.
1610 - Deu início às suas observações astronômicas e passou a trabalhar em Florença, sendo protegido de Cosimo II de Médici. A descoberta, por Galileu, das manchas solares, acarretou para ele a ira dos teólogos, porquanto a hipótese do nosso autor colocava em risco a suposição da harmonia cósmica e da perfeição dos corpos que integravam as camadas superiores do Céu, que deveriam ser constituídos de “matéria pura”, sem manchas. As autoridades vaticanas obrigaram-no a não mais ensinar as teorias de Copérnico, bem como as hipóteses levantadas sobre as manchas solares. Durante algum tempo Galileu ficou calado.
1623 - Após polêmica com um padre jesuíta acerca da natureza dos cometas, Galileu voltou a insistir nas suas observações, criticando acirradamente as observações de Aristóteles acerca do cosmo. Os teólogos romanos voltaram à carga, obrigando Galileu a se apresentar no Tribunal do Santo Ofício.
1633 - Condenado pela Inquisição romana, Galileu foi obrigado a abjurar acerca das suas teorias científicas, a fim de não sofrer a tortura a que tinha sido submetido outro grande cientista e pensador, Giordano Bruno..
1600 -  Recolhido à sua casa, o nosso autor dedicou-se, nos últimos anos de vida, a reescrever alguns dos seus livros.
1642 - Galileu faleceu.

Maiores obras

Defesa contra as calúnias e imposturas de Baldessar Capra (1607), Mensageiro celeste (1610), Discurso sobre as coisas que estão sobre a água (1612), História e demonstrações sobre as manchas solares (1612), Discurso sobre o fluxo e refluxo do mar (1616), Diálogo sobre os dois maiores sistemas (1623), O Ensaiador (1623), Discurso sobre duas ciências novas (1638).

Uma vida dedicada aos estudos científicos
Físico , matemático , astrônomo , filósofo , literato italiano  demonstrou ser bom estudante desde cedo. Sua família mudou-se para Florença em 1574 e Galileu foi educado pelos monges do mosteiro de Camaldolese, em uma cidade vizinha. Em 1581, com apenas 17 anos de idade, Galileu começou a estudar Medicina na Universidade de Pisa. Seu interesse pela Medicina nunca evoluiu. Porém era grande seu interesse pela Física e matemática. Finalmente, em 1585, Galileu abandonou a Medicina. Foi o criador do método experimental e da dinâmica. Fez estudos muito importantes sobre o movimento dos graves e descobriu a lei do isocronismo do pêndulo. Ensinou matemática em Pisa e em Pádua e frequentou a corte de Cosimo II de Médicis , como "filósofo." Construiu o primeiro óculo e com isso efectuou extraordinárias descobertas de astronomia, entre as quais os satélites de Júpiter, as fases de Venus, os mares da Lua e as manchas do Sol. Defendeu as teorias de Copérnico, fato que incorreu na perseguição do Santo Ofício, defensor do sistema ptolomaico. Galileu teve então um primeiro processo e foi proibido de continuar a defender o sistema copernicano. Mas não obedeceu à Igreja e assim teve um novo processo. Embora muito doente, foi condenado ao cárcere e obrigado a deslocar-se para Roma. A pena foi mais tarde comutada em residência fixa, em Arcetri perto de Florença . Continuou a trabalhar apesar de ter ficado cego, assistido por muitos alunos entre os quais Evangelista Torricelli.


Aspectos fundamentais da contribuição de Galileu
A fundamentação do método. Este teria, no sentir do pensador, quatro passos básicos, que seriam, em primeiro lugar, a observação dos fenômenos, tal como estes são apreendidos pelo observador, afastados os preconceitos extracientíficos; em segundo lugar, a formulação da hipótese, como explicação tentativa que deveria ser confirmada; em terceiro lugar, a experimentação, em virtude da qual toda afirmação sobre fenômenos naturais deveria ser verificada, mediante a produção do fenômeno em determinadas circunstâncias, ou mediante a observação sistemática dos fatos que são objetos da ciência; em quarto lugar, a formulação da lei, que seria possível graças à identificação de regularidades matemáticas na natureza.

Galileu estruturou todo o conhecimento científico da natureza e abalou os alicerces que fundamentavam a concepção medieval do mundo

O estudioso brasileiro José Américo Motta Peçanha sintetizou, da seguinte forma, o alcance da contribuição galileana, no terreno da ciência e da filosofia: “Formulando esses princípios, Galileu estruturou todo o conhecimento científico da natureza e abalou os alicerces que fundamentavam a concepção medieval do mundo. Destruiu a idéia de que o mundo possui uma estrutura finita, hierarquicamente ordenada, e substituiu-a pela visão de um universo aberto, indefinido e até mesmo infinito. Em lugar de conceber o mundo como dividido em duas partes, uma superior, constituída pelo Céu, e outra inferior, a Terra em que vive o homem, mostrou que todos os objetos físicos devem ser concebidos como sendo da natureza e tratados de modo idêntico, pelo menos por aqueles que desejam conhecer cientificamente o Universo. Pôs de lado o finalismo aristotélico, segundo o qual tudo aquilo que ocorre na natureza ocorre para cumprir desígnios superiores; e mostrou que a natureza é, fundamentalmente, um conjunto de fenômenos mecânicos, tal como afirmara Demócrito na Antigüidade. Demonstrou o engano do espírito puramente lógico e dedutivo da filosofia aristotélico-escolástica, quando aplicado à explicação dos fenômenos físicos. E mostrou, finalmente, que o livro do universo está escrito em caracteres matemáticos e que sem um conhecimento dos mesmos, os homens não poderão compreendê-lo”

A Adoção do ponto de vista cinemático, que antecipava a perspectiva transcendental kantiana, o que tornou Galileu o fundador da física moderna
O ponto de vista cinemático é caracterizado pelo físico e filósofo belga Jean Ladrière em dois pontos: em primeiro lugar, interesse centrado no estudo dos fenômenos observados, mediante o método experimental e a matematização dos dados obtidos; em segundo lugar, abandono definitivo da preocupação em torno às causas dos fenômenos, que remeteria à existência de uma substância oculta sob os mesmos.

Galileu é mais importante pelas contribuições que fez ao método científico, do que propriamente pelas revelações físicas e astronômicas encontradas em suas obras

Galileu firmou, no terreno das ciências, uma nova maneira de abordar os fenômenos, não como camadas que ocultam a substância, na busca de uma realidade metafísica idealizada, mas como algo que deve ser observado e que constitui o real captado pelos nossos sentidos. A propósito dessa contribuição galileana, escreveu José Américo Motta Peçanha: “Galileu tornou-se o criador da física moderna, quando enunciou as leis fundamentais do movimento; foi também um dos maiores astrônomos de todos os tempos, pelas observações pioneiras que fez com o telescópio. Essas descobertas, contudo, foram resultado de uma nova maneira de abordar os fenômenos da natureza, e nisso reside sua importância dentro da história da filosofia. No campo das idéias filosóficas, Galileu é mais importante pelas contribuições que fez ao método científico, do que propriamente pelas revelações físicas e astronômicas encontradas em suas obras.” 

A Valorização das matemáticas como instrumento para o conhecimento científico
Galileu estabeleceu um sentido indissolúvel entre ciência e matematização da natureza. As matemáticas, segundo o pensador, aproximariam a nossa razão do entendimento divino, numa retomada da via mística dos pitagóricos e do neoplatonismo. No entanto, tanto em Galileu como posteriormente em Newton, as matemáticas estavam também inseridas numa exigência epistemológica diferente da cultuada na Antigüidade - vale ressaltar que, embora esse tipo de conhecimento nos aproximasse da Inteligência Divina (um conceito formulado através da crença na época), elas permitiam a tradução exata dos fenômenos naturais apreendidos apenas pela experiência (o que científico).

Em relação a essa valorização do conhecimento matemático, Galileu frisava: “O intelecto humano compreende algumas proposições tão perfeitamente e tem tão absoluta certeza, quanto pode ter a própria natureza; e isso ocorre nas ciências matemáticas puras das que o intelecto divino sabe, não obstante, infinitas proposições a mais, pois as sabe todas; mas das poucas entendidas pelo intelecto humano, creio que o seu conhecimento iguala-se à certeza objetiva divina, porque chega a compreender a necessidade, sobre a qual não parece poder existir segurança maior”

Rodolfo Mondolfo destacou, por sua vez, o caráter de exatidão que as matemáticas possuem segundo Galileu, insistindo em que, nesse aspecto, bem como na possibilidade de todos os homens terem acesso a esse tipo de conhecimento, consiste propriamente a “divindade” postulada. A respeito, afirma Mondolfo: “Ao privilégio atribuído pelos místicos aos poucos eleitos que podem chegar ao arroubo do êxtase, substitui-se (…) uma possibilidade aberta a todos os que submetem a sua mente aos processos e métodos do pensamento científico.”

"Na luz da razão, livremente exercida, 
reside a sua maior dignidade."
 
A Exaltação da liberdade de pensamento, como condição necessária para a ciência
Galileu, bem como os demais filósofos remanescentes do período Renascentista, notadamente Giordano Bruno, Leão Hebreu e Leonardo da Vinci, insiste em que, "sem liberdade, perde-se o maior bem que um homem pode ter na face da Terra: o conhecimento das leis da natureza como manifestações da presença divina no Cosmo e o reconhecimento, no próprio homem, de que na luz da razão, livremente exercida, reside a sua maior dignidade."

Para fazer ciência, é necessário se afastar do argumento de autoridade e da busca pura e simples da popularidade

A Defesa da ética do cientista: buscar diuturnamente a verdade científica e comunicá-la com fidelidade aos seus semelhantes
Esse é o tema que prevalece na obra de Galileu, O Ensaiador. No seguinte trecho dessa obra, o pensador e cientista italiano deixa claro que, para fazer ciência, é necessário se afastar do argumento de autoridade e da busca pura e simples da popularidade, a fim de partir, com coragem, para a exploração da natureza, para interpretar os fenômenos da mesma com a ajuda da matemática. Frisa a respeito Galileu, ao rebater as maquinações de Lotário Sarsi, um dos seus detratores: “Parece-me também perceber em Sarsi sólida crença que, para filosofar, seja necessário apoiar-se nas opiniões de algum célebre autor, de tal forma que o nosso raciocínio, quando não concordasse com as demonstrações de outro, tivesse que permanecer estéril e infecundo. Talvez considere a filosofia como um livro e fantasia de um homem, como a Ilíada e Orlando Furioso, livros em que a coisa menos importante é a verdade daquilo que apresentam escrito. Senhor Sarsi, a coisa não é assim. A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles nós vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto”

Galileu: A Batalha do Céu - Parte 1



Galileu: A Batalha do Céu - Parte2



Galileu: A Batalha do Céu - Parte3



Galileu: A Batalha do Céu - Parte4



Galileu: A Batalha do Céu - Parte5



Galileu: A Batalha do Céu - Parte 6



Galileu: A Batalha do Céu - Parte7



Galileu: A Batalha do Céu - Parte 8



Galileu: A Batalha do Céu - Parte 9



Galileu: A Batalha do Céu - Parte 10



Galileu: A Batalha do Céu - Parte Final





Referências
[José Américo Motta Peçanha, “Galileu, vida e obra”, in: Galileu, O Ensaiador, tradução de Helda Barraco et alii, São Paulo: Nova Cultural, 1987, pg. VIII-IX]; Galileu, citado por Rodolfo Mondolfo, in: Figuras e idéias da filosofia na Renascença, tradução de Lycurgo Gomes da Motta, São Paulo: Mestre Jou, 1967, p. 130]; [Galileu, O Ensaiador, ob. cit., p. 21]; [Motta Peçanha, ob cit., p. IX]; [Mondolfo, ob. cit., p. 130]; video: Nova Online - vídeo baseado no Best Seller de Dava Sobel "A Filha de Galileu."

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Consciências Universais: Confúcio (c. 555-479 a.C.)

Compilar listas de personalidades da história, que mudaram o mundo, invariavelmente, gera polêmicas no julgamento de quem merece ser lembrado. A disputa de argumentos costuma ser acirrada por conta da maneira como qualificamos as realizações dessas personalidades e classificamos a importância do legado. Na relação compilada para esta série não foi diferente. Após muitos embates de julgamento comigo mesmo, selecionei 50 personalidades. O critério utilizado para a seleção, contudo, se baseou unicamente na validade do seu legado nos dias de hoje e nas realizações que, de forma universalista, estão no âmbito da policarmalidade. A apresentação das Consciências Universais, do número 1 ao 50, não obedece, entretanto, a nenhuma ordem por importância.Todos os selecionados se destacam aqui como assistentes universalistas.


CONFÚCIO (c. 555-479 a.C.)

A evolução da sociedade chinesa foi há milênios fundamentada sob quatro preceitos básicos: respeito ao próximo, moderação nos julgamentos, amor pelo trabalho bem feito e sujeição aos interesses do grupo. O confucionismo é um tipo de filosofia que incorpora adequadamente tais preceitos. Mas pouco se conhece sobre a vida e a personalidade do precursor desta doutrina. Confúcio nasceu Kongzi e viveu na época dos Reinos Combatentes, um período difícil da história chinesa, iniciado com o fim da dinastia Zhou, no século VI a.C. A versão latina do seu nome no ocidente foi criada por padres jesuítas que chegaram ao Oriente no século XVII.

Confúcio assumiu o ideal aristocrático do homem honesto, guardião das tradições e movido pelo desejo de fazer o bem a seus semelhantes, muito por força não apenas das antigas tradições Zhou, como por pertencer à uma classe de letrados, conhecida na China por rujia. Em consequência disso, encarnou o ideal aristocrático do homem honesto, atento às tradições e imbuído do desejo de fazer o bem não importando a quem. A base da assistência praticada na sua época ainda é válida nos dias atuais: tenha uma atenção benevolente para com os outros, respeite as regras da vida em sociedade e interiorize o senso de responsabilidade na evolução do próximo. A virtude surge então como um esforço pessoal e contínuo, e não como uma qualidade inata e respaldada na origem social. Por mais de dois mil anos, a filosofia de Confúcio permeou a vida e a cultura chinesas, com grande influência sobre grande parte da população mundial.

Embora tenha pertencido à classe dos letrados e assumido o ideal aristocrático, Confúcio nasceu na província de Shantung, no nordeste da China, numa família pobre. Seu pai faleceu quando ele era ainda muito jovem. Viveu com a mãe uma época de penúria. Começou uma vida profissional como funcionário público de nível inferior e atuou como tal por vários anos, até pedir demissão e começar, então, a lecionar  a sua filosofia. Na fase adulta, exerceu uma função de alta posição no governo de Lu, mas uma horde de oposição à corte conseguiu destituí-lo do cargo e fazê-lo exilar-se longe da terra natal. Iniciou assim uma carreira de professor intinerante e só voltou à China nos seus últimos cinco anos de vida. Mas o conhecimento que se tem de que sua filosifia se tornou uma religião não parece corroborar com a história. Confúcio não baseava suas idéias em qualquer tipo de deificação, não falava em vida após a morte e era contrário à qualquer forma de especulação metafísica. Seu interesse estava unicamente centrado na moralidade e num modelo de conduta, tanto pessoal quanto política.

Entre as ideias centrais de sua filosofia estavam o preceito de que respeito e obediência eram devidos aos superiores e  governantes. Contudo, acreditava que o Estado existia para benefício do povo e não o contrário. Defendia que os governos deviam ser regidos pela moral e não pelo uso da força. A máxima "não faça aos outros o que não quer que os outros façam com você" era usada nos ensinamentos confucionistas. Inovador e reformador, era contrário ao modelo governista da época por não julgá-lo um exemplo moral. Mas, apesar de sua oposição às ideias do governo, após a sua morte, suas ideias se espalharam amplamente pelo país.

Confúcio viveu durante a dinastia Chou, num período de grande ebulição intelectual na China. Mas foi com o advento da dinastia Ch'in, entretanto, que o confucionismo esperimentou seu período de oposições. O imperador Shih Huang Ti estava determinado a erradicar a influência de Confúcio e ignorar o passado. Mas, antes de tomarmos partido neste episódio contrário à filosofia de Confúcio, liderado por Shih Huang Ti, convém lembrar que o imperador chinês está entre as 50 mais ilustres consciências da história mundial por promover a união da China e instituir uma série de reformas radicais, que se constituíram num importante fator de unidade cultural, o qual se mantém vivo e válido desde então.

O confucionismo resistiu e sobreviveu à tentativa de erradicação de sua filosofia, com o apoio dos sábios confucionistas, quando a dinastia Ch'in se extinguiu. Na dinastia seguinte, com o imperador Han, o confucionismo foi adotado como filosfia oficial do governo chinês.  E não ficou apenas nesse status. Consequentemente, os ideais de Confúcio foram aceitos pela maioria dos chineses, influenciando de forma definitiva a vida na China e o modo de pensar do seu povo. A forma usada por Confúcio para passar seus ensinamentos a seus alunos tinha na sua integridade e sinceridade a base sólida para credenciar suas ideias. Além disso, Confúcio era um homem moderado e prático e não exigia de ninguém aquilo que ele não pudesse dar. O respeito ao momento evolutivo do próximo e aos limtes de cada um foi talvez a chave para o imenso sucesso dos seus ensinamentos. Ele não anunciava-se como salvador e nem pretendia mudar a crença do povo. Não pedia mudanças de paradigmas nem que abandonassem seus cultos. Confúcio apenas ofereceu uma forma de reorganizar tais ideias de uma maneira clara e admirável, fortalecendo as tradições e criando uma sintonia com os pontos de vista fundamentais da época.

A formação da consciência para Confúcio estava fundamentada mais no exercício das obrigações e menos na defesa dos direitos. Tais ideiais se mostraram fortemente arraigados à cultura chinesa. Como filosofia, provou ser de grande eficiência e, com base na capacidade de manter a paz e a prosperidade, podemos dizer que a China foi, de uma maneira geral, a região mais bem governada do mundo por mais de dois mil anos.