Sejam elas escolas, universidades ou instituições de pesquisa, as instituições de ensino, em geral, transmitem seu conteúdo com base numa programação estabelecida tanto pelo sistema de ensino padrão, como pelo paradigma com que entendem a realidade. Embora os professores estimulem a pesquisa para a ampliação dos temas e a livre experiência para a comprovação dos fatos, tais programações, invariavelmente, recaem na negligência ao pensamento original valendo-se mais da importância de quem... pensa do que, propriamente, do que é pensado, um engano que gera muitas vezes, subliminarmente, uma espécie de doutrinação ideológica. Tais instituições imbuídas do ofício educador e, supostamente, incentivadoras da experiência pessoal equivocam-se na ação educativa por simplesmente vocalizar verdades históricas ou relativas inibindo a atualização dos fatos por meio de novas ideias e ignorando o pensamento experimental como determinante para as revalidações da verdade aceita, na medida em que desprezam as diferentes visões dos fatos ante a imposição das opiniões estabelecidas que dominam o conteúdo de ensino e que tornam este sistema maniqueísta e ideologicamente autoritário. Há uma espécie de monopólio moral, que é a antítese da construção do pensamento e de ideias, de fato, originais, que não permite o aluno, e nem mesmo o professor-pesquisador, fazer valer a liberdade de expressão para expor a sua visão de mundo. Qualquer crítica ao “politicamente correto” é sujeita a punição e, em alguns casos, ao afastamento do aluno ou professor transgressor. Sendo assim, muitos alunos não defendem absolutamente nada por intimidação ou desinteresse no polêmico, o que é compreensível. Vivemos hoje uma crise de valores generalizada, inseridos num sistema de disputa de poder nas mais variadas instâncias - ou seria uma crise egóica? -, que nas instituições de ensino ocorre por meio do poder do ensino de verdades que não apenas transgridem o próprio significado da palavra, como produz uma geração de mentes lavadas cerebralmente, preparadas para abrir mão da sua individualidade e sempre pensar por meio do coletivo – o chamado pensamento coletivista -, deixando a certeza (ou uma grave intuição) de que toda verdade é relativa desde que ela seja relativa ao que já foi estabelecido como verdade.
Bem vindo ao Via Consciência, um blog dedicado à comunicação conscienciológica, onde o ser humano em evolução é o principal tema de pesquisa.
Todos os textos neste blog são de autoria de Mário Luna Filho, salvo aqueles em que a fonte for mencionada. Críticas e comentários são bem vindos.
"Não acredite em nada que ler ou ouvir neste blog. Reflita. Tenha suas próprias opiniões e experiências."
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sábado, 5 de dezembro de 2015
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
LER FAZ BEM À EVOLUÇÃO (EDUCAÇÃO)
É sabido e notório, por experiência própria,
que, se você perguntar a qualquer pessoa (mesmo de nível universitário), se ela
tem o hábito da leitura, não vai haver um que negue. Mas, basta você começar a
conversar sobre cultura geral e assuntos os mais
variados para perceber que a maioria não está dizendo a verdade. Nem mesmo o
vocabulário usado, normalmente, condiz com aquele que de um leitor se espera,
porque a educação pela leitura foi imposta e não incutida no hábito. Mas o
problema é antigo: muitos brasileiros foram do analfabetismo à TV sem passar na
biblioteca. Nas escolas, os livros clássicos se tornaram um terror para muitos
jovens que poderiam ser futuros leitores, caso os livros da grade escolar
tivessem o papel de seduzir pelo prazer da leitura. Mas isso não aconteceu e
nem acontece até hoje. O hábito da leitura falta de uma maneira geral, não apenas
com relação a livros, mas também à leitura de jornais, revistas, sites na
internet e até aqui no Facebook. Ouço, às vezes, as pessoas dizerem sobre um
texto de algumas linhas, "nossa, que texto grande!". Como assim???
Não há uma biografia que se preze com menos de 300 páginas. Como pode achar um
"texto de lingueta" grande??? A falta de leitura também não faz um
escritor. Ao contrário, um escritor surge a partir da leitura. Talvez por isso
tantas pessoas sintam dificuldade para escrever. Uma outra falácia! "Ah,
mas eu não leio literatura". Mas deveria!!! A boa literatura ensina
português, o uso da palavra, enriquece o vocabulário, apresenta técnicas de
abordagem, métodos de argumentação, estruturas de apresentação, o domínio da
colocação etc. Ah... e esse texto está grande de propósito! Mas se ele fizer um
leitor em potencial começar a ler, já vou ficar feliz.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Montaigne e a Sabedoria
Conhecimento e sabedoria são duas coisas distintas. Nem sempre aquele que tem o conhecimento é sábio, assim como nem sempre aquele que tem sabedoria possui também o conhecimento formal. O modelo de avaliação do conhecimento hoje revela mais uma busca pela informação do que pela sabedoria.Para se obter aprovação em qualquer prova, teste ou avaliação formal hoje em dia não precisamos muitas vezes sequer estudar para isso, nem tampouco compreender a matéria. Com uma lógica razoável, compilamos informações para maquiar resultados e então obtermos os louros. Quantos no ensino formal se sentem seguros no que aprendeu e sabem profundamente a matéria ? E o pior, quantos utilizam o aprendizado na vida diária ? Em praticamente quase todos os modelos de ensino de hoje a informação chega engessada ao receptor, pronta para ser ingerida e armazenada sem muitas reflexões. Trocamos idéias como quem troca figurinhas, apenas focados na imagem do saber, mas sem muitas razões práticas. Estou longe de desprezar o ensino formal, posto que ele oferece o embasamento técnico do assunto, o mais atual numa determinada área. Mas estou longe de entender porque a formação humana está tão fortemente baseada apenas nesta forma de avaliação, incapacitada de revelar a natureza do ser humano por detrás do aprendizado. Saber o que é uma xícara é mais importante do que saber como usá-la.
O pensador, escritor e ensaísta francês, Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592) dizia que o camponês era mais sábio do que o aluno da universidade, pois ele tinha um conhecimento prático da vida muito mais valioso do que o conhecimento formal dos bancos da universidade. Em termos práticos, sim, Montaigne tinha razão, porque um conhecimento sem a função prática é como uma simples figurinha num álbum. Todos vão ver que temos a imagem, mas não fazemos maiores uso daquele objeto. É aqui que a diferença entre conhecimento e sabedoria se mostra deveras interessante, posto que são campos completamente distintos.
Sem desmerecer o conhecimento formal, a sabedoria pela experiência é uma poderosa ferramenta de auto-expressão consciencial. Nos revelamos na prática enquanto na teoria podemos maquiar, ou mesmo manipular os resultados. Saber o que é uma xícara é bem mais fácil do que explicar de que maneira podemos usá-la. Enquanto por um lado utilizo minha intelegência informacional, baseada em conceitos decorados, por outro vou revelar quem sou ao descorrer sobre as diversas possibilidades de explorar um objeto. Os mais lógicos e concretos não dirão muito mais sobre as formas de utilização de um objeto além das possibilidades habituais. Já os mais criativos darão aulas de funcionalidade. Um simples exercício das possibilidades de uso de uma xícara pode revelar informações valiosas sobre a natureza interior, o nível evolutivo, a paraprocedência, o grupocarma e a identidade da consciência, indivíduo, descortinando seu universo multidimensional e a maneira como ele se relaciona com o universo à sua volta. Perguntas como, "o que você acha de viver 50 anos com uma mesma pessoa ?" pode mostrar muito mais de um indivíduo do que simplesmente saber se ele sabe o que é uma relação matrimonial.
Portanto, o maior teste de conhecimento é aquele que pode avaliar o nível de sabedoria prática do indivíduo. Não apenas aquele que informa o seu nível de tecnicidade. A funcionalidade do nosso conhecimento contém tudo que aprendemos até aqui e resulta em sabedoria. Assim valorizaremos quem de fato importa: o ser humano.
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