Bem vindo ao Via Consciência, um blog dedicado à comunicação conscienciológica, onde o ser humano em evolução é o principal tema de pesquisa.

Todos os textos neste blog são de autoria de Mário Luna Filho, salvo aqueles em que a fonte for mencionada. Críticas e comentários são bem vindos.

"Não acredite em nada que ler ou ouvir neste blog. Reflita. Tenha suas próprias opiniões e experiências."
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O FENÔMENO PAPA FRANCISCO (RELIGIÃO)

Não costumo entrar nos méritos religiosos, mas é curioso o que está havendo com o "fenômeno Papa Francisco" na Europa e nos EUA - talvez até aqui mesmo no Brasil. Há uma avalanche de críticas a ele e à sua maneira pouco ortodoxa de gerir a Igreja Católica. Dizem os conservadores que "ele está criando uma marca pessoal em cima do cristianismo social", e, obviamente, recl...amam de "marketing pessoal", além, claro, das suas tiradas imprevisíveis em cada grande encontro ou evento. Ora, como leio sobre (quase) tudo que concerne aos pilares da evolução humana, não costumo cair em alhos por bugalhos. O que o Papa Francisco faz nada mais é do que cobrar na prática o que padres, bispos, sacerdotes, arcebispos e afins, incluindo os fiéis, apregoam na teoria: olhai os pobres, compartilhai com os pobres, dai aos pobres, enfim, ele cobra uma melhor repartição de bens e riquezas no mundo, levando a cabo aquilo que os seguidores da ordem religiosa aprendem como sendo, justamente, as palavras de Cristo. Ou seja, o recado é - nas entrelinhas: acabem com a autocorrupção no cristianismo. Esse é o cerne da questão. O que ele está fazendo é, na verdade, atualizar o paradigma cristão-católico-religioso - mas isso deve dooeerr !!! Coerência neles, Papa Francisco!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A VELHA E CONTROVERTIDA QUESTÃO DA PENA DE MORTE (COMPORTAMENTO)

    Acabei de ler um texto muito interessante da Beatriz Lobato, que ilustra a incoerência humana como uma marca da involução do comportamento e da estagnação de princípios e valores, arraigados desde muito antes da época em que por aqui passou o filósofo Jesus Cristo. E é sobre ele que ela disserta: "Jesus passou a vida arrumando treta por questões sociais. Defendeu assassino, ladrão, puta, pobre e leproso. Juntou uma galera pra... defender a causa. Começou a fazer barulho. Conquistou o desafeto da classe média e da elite. Considerado subversivo, foi preso pelo Império. A classe média pedia pena de morte, mas o crime não a justificava. Pôncio Pilatos jogou o b.o. pra Herodes. Herodes se ligou na mesma coisa e devolveu o b.o.. Pilatos então deixou pra galera decidir. Bem pensado, porque desde aquele tempo, o povo já tava cheio de dateninha linchador. O cara foi executado ouvindo piadinha de justiceiro. E não foi morto "entre" bandidos. Foi executado pelo Estado COMO bandido - subversivo, o que de fato era. Enfim, o messias cristão foi um sujeito engajado em questões sociais, executado como bandido pelo Estado sob os aplausos dos justiceiros. Então, Jesus, se você estiver lendo isso e pensando em voltar, fica esperto. Essa "gente de bem" de hoje em dia vai te matar de novo enquanto come bacalhau e ovo de Páscoa." É... nada mudou por aqui.

terça-feira, 13 de março de 2012

MUITO PRAZER, MEU NOME É DEUS

A velha discussão sobre a existência ou não de Deus parece não ter fim. Nos últimos anos, livros falando sobre o assunto se multiplicaram nas prateleiras das livrarias e alguns viraram best-sellers, como Deus Não é Grande de Christopher Hitchens, Deus - Um Delírio de Richard Dawkins, O Fim da Fé de Sam Harris e Onde a Religião Termina?, um grande legado das suas experiências como frei do autor Marcelo da Luz.

Religião e ciência nunca estiveram tão frente a frente como nos tempos atuais. Creio que os avanços tecnológicos, onde tudo é possível monitorar, medir, equalizar, esquadrinhar nos dias atuais, tenha imbuído pesquisadores a alçar voos mais altos no âmbito da ciência para explicar a existência de um ser capaz de gerar todo o universo em que vivemos. Se o esforço por uma resposta cientificamente convicente vale a pena cabe aos que acreditam nela avaliar. Mas há algumas implicações nessa pesquisa que não devem passar em branco.

Não poderia afirmar que a ciência esteja engajada em pesquisas para provar a existência de Deus. Mas o contrário: comprovar que ele, de fato, é fruto de uma criação religiosa, pois, enquanto experimental e objetiva, é sensato pensar que os cientistas não esperam ter com o divino nenhuma prosa em algum lugar do universo e trazer lá as evidências definitivas da sua existência. Quebrar esse mito para a humanidade confusa ou colocar caraminholas na cabeça dos crentes, no entanto, me parece uma tarefa cruel, para não dizer um empreendimento arriscado, pois Deus tem sempre sido uma espécie de babysitter evolutiva.

Se todos se libertassem da certeza de que suas vidas estão seguras nas mãos de um criador, quem restaria com semelhante poder para conter os desmandos do instinto humano? A evolução humana retrocederia pelo viés da despacificação e o mundo padeceria da falta de sinais vermelhos. A grande maioria da humanidade precisa ser conduzida no mundo da espiritualidade, não há maturidade espiritual, discernimento suficiente nem tampouco autonomia intraconsciencial para escolhas evolutivas pessoais. A essência da fé é a dependência que ela cria naqueles que acreditam. Por mais incoerente que a fé possa ser, ao representar uma crença sobre algo de que não se tem qualquer vestígio de prova, e se pudesse provar não mais se trataria de crença, ela é necessária na atual conjuntura evolutiva humana.

A espiritualidade não passa pela religião. O homem é inerentemente um ser espiritual. A sua comunicação com o mundo imaterial se dá a todo momento, em todas as horas do dia, com as influências energéticas de consciências afins, sejam elas desse mundo ou do outro. Algumas evidências são claras e básicas se o homem tornar-se um autopesquisador. Fenômenos como a telepatia, pensar o que alguém está pensando, o deja vu, ter a sensação de já estado em um local ou de já ter vivido uma determinada cena, a captação de ideias que sabemos ter surgido "do nada", a intuição, a premonição, prever acontecimentos, e até mesmo a projeção da consciência, experiência única que muitos já viveram durante uma noite de sono ou mesmo durante a luz do dia, são algumas das provas peremptórias que o autopesquisador vivencia sem deixar em si rastro de dúvida.

A religião é de propriedade da Igreja. E todo o esforço da catequese era com o intuito da dominação para se chegar ao poder ao lado da monarquia. Traduzida do hebraico para o grego, depois para o latim e então para inúmeras outras línguas modernas, a Bíblia é um registro de mensagens de telefones sem fio, é o livro que a Igreja quer que você acredite e um tratado de relatos, contos, lendas, fábulas e histórias contadas a seguidores que mais tarde as recontaram à sua maneira e assim repassando cada vez de maneira mais deturpada os acontecimentos da época, de modo que, hoje, quem poderia afirmar a veracidade dos fatos descritos nela? Quem seria insenato a esse ponto? Experimente contar uma história a alguém e pedir que a pessoa passe a mesma história a 10 outras pessoas para ver como a sua história vai chegar na décima pessoa. Multiplique isso por todos que reescreveram a Bíblia ao longo da história e irá ter ideia do que eu quero dizer.

Mas quem, com a mente dominada pelos ensinamentos religiosos, é louco o bastante para não acreditar em Deus? O mínimo movimento de largar a mão do criador é suficiente para ver do outro lado a mão peluda e de unhas afiadas do diabo esperando o seu contato, porque o medo também foi criado com as dicotomias religiosas: céu e inferno, bem e mal, Deus e o diabo, luz e trevas, santos e pecadores etc. É o certo ditado pela Igreja contra o errado ditado pelos hereges, sem meio termo nem senso crítico. O medo é uma poderosa ferramenta de dependência física e espiritual. Desde Jesus Cristo, que monopolizou o acesso ao Pai, até os santos que dominaram os milagres, tudo parece girar em torno de poucos escolhidos que pregam em altares e rezam pela maioria privada de opinião.

Depois da riqueza conquistada com a exploração do ouro e a prata das Américas, a Igreja Católica se atualizou na sua forma de gerar dinheiro e hoje funciona também como empresa. Mas ela não é a única. Os islãs cobram 2,5% da renda do fiel,  a Igreja Alfa o salário de um mês, a Universal do Reino de Deus 10%, o famoso dízimo, a Igreja Mórmon também cobra 10% da renda dos seus seguidores e a Cientologia se dá ao luxo de cobrar somas aleatórias. Essa é uma parte importante da isca espiritual e uma verdadeira mina de ouro na era moderna. Templos gigantescos são construídos com esse dinheiro a fim de abarcar mais fiéis, redes de televisão são compradas para a disseminação efetiva dos ensinamentos, com transmissão de cultos e debates entre pastores. E, paradoxalmente, as Igrejas que mais extorquem são as que têm mais fiéis. Quanto mais você paga, mais crente você se torna!

Mas sejamos sensatos: não se pode tirar isso de quem se submete a isso. Quem disse que este planeta não é um planeta-hospital? Antes do deocídio e de vermos a humanidade assumir a sua própria evolução, com base em princípios e valores éticos realmente auto e hetero-assistenciais, já seria um grande avanço para as vidas inteligentes deste planeta-enfermaria a ascenção dos religiosos à categoria de consciências que colocam em prática qualidades como a tolerância, o universalismo, o fraternismo e a convivialidade sadia. 

terça-feira, 8 de março de 2011

A Reconstrução de uma Consciência

Por religião entende-se a crença na existência de forças ou entidades sobre-humanas responsáveis pela criação, ordenação e sustentação do universo; forma particular que essa crença assume com base em cada uma das diversas doutrinas formuladas; existência vivida em obediência escrita aos princípios de um sistema religioso; respeito ou reverência às coisas sagradas; vínculo a uma forma de pensamento ou crença que encerra uma concepção filosófica (Dicionário Eletrônico Aulete). Enquanto sacerdote dedicado por vinte anos aos serviços da Igreja Católica Apostólica Romana, o então Frei Marcelo foi um religioso idealista, leal, responsável e dedicado, imbuído na busca de encontrar a vida consagrada e no exercício do pleno sacerdócio.

Na igreja, Frei Marcelo foi um pregador da palavra cristã para milhares de pessoas, pastor comprometido a inúmeros  fiéis e catequizador eficaz para muitos jovens dispostos a iniciar os estudos da vida religiosa. Mas a religião, aos poucos, foi deixando sem respostas vários questionamentos de Frei Marcelo na medida em que os seus interesses e dúvidas se avolumavam além dos muros da igreja. A religião esgotava para ele as suas possibilidades evolutivas. Foi então que se viu diante de uma crise de crescimento ao decidir, primeiramente, encarar o auto-confrontamento. Enquanto religioso, Frei Marcelo nunca abandonou a busca da sabedoria por meio de uma verdade lógica. Esse caminho, como era de se esperar, o levou à racionalização da doutrina religiosa e a questionamentos cada vez mais frequentes, fato que, por si só, já demonstra crescimento e que mais tarde o levaria a tomar a decisão do rompimento definitivo com a instituição religiosa.

Essa dissidência, no entanto, não foi apenas de ordem institucional ou idealista. Frei Marcelo não ampliou a maneira que se praticava a religião seguindo filosofias revisadas por ele nem corrigiu leis, ordens e regras. O seu rompimento não ocorreu por meio de um crescimento dentro da religião, mas para além dela. Sendo assim, a sua reciclagem intraconsciencial abandonou os princípios da doutrina cristã a fim de encontrar liberdade de pensamento, uma forma de estudo que o possibilitaria "maior alcance evolutivo das tarefas do esclarecimento (p.24)" , segundo afirma-se no seu livro. Frei Marcelo admitiu, racionalmente, uma mudança de paradigma: encontrou aquele em que a consciência assume as rédeas de sua própria evolução; saiu da epiderme espiritual para ampliar seu universo interior de possibilidades; passou a ter uma "cosmovisão racional proporcionada pelo paradigma consciencial (p.25)."

Marcelo da Luz lança agora Onde a Religião Termina, a obra na qual ele expõe todo o processo de dissidência vivido com a Igreja Católica, "a renúncia pública à crença religiosa ou o abandono da religião (p.19)," e nos brinda com seu notável exemplarismo, numa tomada de decisão fundamentada no auto-enfrentamento, no empenho destemido da reciclagem intraconsciencial e na coragem também para vencer uma auto-mimese religiosa, possivelmente, secular. Todos sabem o quanto é difícil romper com antigos valores e velhos comportamentos. Para termos uma vaga idéia disso basta pensarmos em como é duro nos desfazermos de objetos da casa, hábitos corriqueiros e até mesmo maneiras de pensar. Uma auto-atualização mnemônica, isto é, da memória, aparentemente poderia não nos trazer maiores pesares, caso se resumisse à uma mera mudança de auto-imagem. A nossa memória não guarda apenas nossas formas de agir e pensar, mas, sobretudo, carências, necessidades e, de uma forma geral, uma insondável vulnerabilidade a tudo que é novo. Tomando por base o ser humano comum, tememos o novo em maior ou menor grau, quando este envolve mudança de comportamento e hábitos. "A eliminação de vícios, a superação de ideologias, o abandono de instituições ou de estilos de vida não equivalem a simplesmente mudar de endereço, trocar de roupa ou permutar um carro (p.21)."  As mudanças envolvem "um movimento consciencial," para o qual precisamos ter uma convicção inquestionável quanto às nossas novas necessidades e uma vontade inquebrantável para ampliar os horizontes daquilo que alimenta a nossa fome de evolução.

ONDE A RELIGIÃO TERMINA
Marcelo da Luz
Ed. Editares R$ 68,00
Venda Online: http://www.shopcons.com.br/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=295

A entrevista a seguir foi dada por Marcelo da Luz ao Programa Ciência & Consciência, na TV Compléxis, com direção de Ton Martins e apresentação de Amaury Pontieri. Nela, o escritor fala de sua obra e nos revela os bastidores da sua exemplar reciclagem de vida.

PARTE 1



PARTE 2



PARTE 3



PARTE 4





sábado, 5 de fevereiro de 2011

Onde a Religião Começa

A discussão sobre religião e ciência tem inspirado autores os mais diversos, sobretudo, ao longo desta década e algumas publicações merecem destaque, como "O Fim da Fé" de Sam Harris, "Deus Não é Tão Grande" de Christopher Hitchens e "Deus: um Delírio" de Richard Dawkins. Em todas elas há um interesse demasiadamente científico em investigar a existência de Deus, buscando utilizar a razão em novas abordagens aos métodos do pensamento religioso e a lógica na concepção divina.

Essas publicações fazem também um alerta sobre os perigos da manipulação de líderes religiosos em geral, assim como ressaltam a importância do senso crítico. Contudo, mais do que expor a intenção de revisar os valores das religiões, essas obras visam não apenas lembrar o passado violento do poder eclesiástico e contar os seus mortos (leia-se Inquisição e Cruzadas), mas igualmente oferecer modelos não-religiosos (leia-se Ciência) para se chegar à verdade "absoluta," o que parece uma intenção equivocada, pois o universo nos mostra que a verdade nele contida é irremediavelmente renovável.

Um modelo de pensamento baseado em fatos e casuísticas pessoais, na construção de uma verdade relativa de ponta, entretanto, não parece ser de forma alguma do interesse da Igreja e nem do interesse da Ciência. Se a autoridade da Igreja tem sido indiscutível ao longo de dezenas de séculos, primeiro, como parceira da monarquia, e mais tarde, como conselheira de governantes dos mais díspares regimes, a classe científica se mostra cética e inflexível com qualquer forma de teoria baseada unicamente no auto-experimento e não abre mão da observação terceirizada. Em ambas, a liberdade de pensamento tem os seus limites.

Contudo, a validade mesmo questionada da Igreja de hoje mostra que sua postura dogmática e doutrinadora de outrora ainda atende às necessidades espirituais da grande maioria dos seres humanos. O exercício da espiritualidade usado pelas religiões pode ser uma evidência clara do atual momento evolutivo no planeta: utilizando uma forma de pensamento rudimentar (adoração) e primária (crença), o ser humano devoto ainda precisa de um líder religioso para (1) lhe mostrar um caminho salvador, (2) apresentar evidências de um Criador universal, onipotente e onipresente, capaz tanto de iluminar vidas com dádivas como escurecê-las com punições, (3) interpretar os ensinamentos de um salvador santificado, representante do Criador, e (4) usufruir de uma instituição religiosa para que a fé seja posta em prática, com a visualização desse caminho por meio de cultos, sessões, rituais, missas etc., tudo a um preço módico (dízimo), seja em dinheiro ou em dedicação.

É inegável que a religião ainda é válida para a grande maioria das pessoas e sua postura dogmática, dominante e irrefutável segue fundamentada na necessidade de prover beatificação, milagres, crenças e muletas espirituais para aqueles que precisam, atuando num mercado salvacionista o qual, se já não é tão estatisticamente dominante como em séculos pretéritos, ainda segue se beneficiando da lenta marcha evolucionária neste planeta. Embora o exercício de doutrinação usado por muitas religiões ainda seja visto como uma forma de manutenção de poder e interesse no domínio das massas, a questão mais significativa não deve ser colocada na intenção das religiões, mas na condição de vulnerabilidade dos seres humanos espiritualmente ainda dependentes de padres, igrejas e santos.

Tanto o poder material, na cobrança de dízimos às igrejas e o conseqüente enriquecimento de seus proprietários, presidentes etc., tornando igrejas verdadeiras empresas, com taxas de crescimento de fiéis e aumento de patrimônio, quanto o poder político, que já se espalha na mídia e nas eleições de vereadores, deputados, senadores e até presidentes da república.

O uso da fé como forma de enriquecimento material não é uma novidade. Na Idade Média a Igreja Católica vendia indulgências aos seus seguidores, com a promessa de que ela os daria acesso ao paraíso. Hoje o dízimo lhes garante a mesma coisa, quando Jesus voltar para reunir os pagantes e esquecer todo o resto pagão. Para os fiéis, o dízimo é justo e ninguém se recusa a pagar o valor por alguns anos de vida terrena se ele lhes dará em troca uma eternidade no paraíso. Isto é, as compensações de uma vida no Éden são muito mais valiosas do que apenas 10% do valor dos seus salários na Terra.

Além da discussão sobre o poder das igrejas hoje em dia, autores céticos costumam confrontar religião e ciência com a intenção de mostrar que não há razão alguma para se acreditar em Deus nem lógica em ser manipulado por um padre ou pastor. Mas esses escritores desprezam a condição do observado, isto é, a necessidade dos fiéis em ter crenças e alguém que os guie, seja um líder ou um salvador ou ambos, e descartam a realidade de que a média da humanidade ainda está muito aquém de conquistar e utilizar o pensamento científico nas suas convicções.

Tanto a religião quanto à ciência atendem a necessidades diferentes, na medida em que uma quebra paradigmas com o olhar no futuro, a outra tenta manter suas tradições com o olhar no passado. Desde o século XVI, porém, tem sido comum a visão de que a religião e a ciência empregam diferentes métodos para se dirigir a questões diferentes, sendo o método científico uma abordagem objetiva para mensurar, calcular e descrever o universo natural, físico e material e as religiões mais subjetivas, baseando-se nas noções variáveis de autoridade, revelação, intuição, crença no sobrenatural, na experiência individual, ou uma combinação destas para compreender o universo.

Infelizmente, a história da humanidade mostra que houve uso de intolerância, imposição e dogmatismo tanto das religiões quanto da ciência. Exemplos dessas intolerâncias são respectivamente a Inquisição na Idade Média e o método científico. Richard Dawkins, por exemplo, ridiculariza a crença em Deus com argumentos ditos por ele como sendo científicos, porém repletos de visões ditas como verdades absolutas, ignorando o âmbito das hipóteses pessoais através das auto-experimentações: a ciência convencional não coloca o pesquisador no centro da sua pesquisa. O seu olhar é sempre exógeno, no outro, externo à sua realidade intraconsciencial e, portanto, isento de exemplarismo e autovivenciologia.

O discurso sobre o papel das religiões hoje em dia ignora a importância que elas têm para uma grande maioria de consciências ainda imaturas para pensar por si mesmas e ignorantes o suficiente sobre os assuntos do além para distinguir o fato da crença. As religiões não deveriam estar no centro das discussões, e sim a vulnerabilidade do momento evolutivo do ser humano neste planeta.Se deve ser um princípio comum o respeito ao próximo, deve-se também evitar toda postura que deprecie ou desvalorize a concepção da consciência imatura e fira os valores de igualdade entre todos, quer advindos das religiões ou da ciência. Não é com desprezo que iremos entender aqueles que ainda precisam das religiões, nem tampouco caçoando da sua necessidade de busca espiritual que promoveremos alguma mudança.

Um olhar mais racional para o tema nos colocaria mais diretamente no cerne da questão: o momento evolutivo da humanidade. A discussão sobre o que as religiões têm feito e ainda fazem e qual o seu legado não responde a questão sobre a razão pela qual a humanidade ainda precisa de tais métodos religiosos, doutrinas, seitas, simbologias, rituais etc. A análise deve partir da realidade evolutiva do planeta a fim de encontrarmos hipóteses capazes de fazer o ser humano despertar para a sua realidade. Aqui já não vale a direção a ser tomada, isto é, a doutrina, o método etc, mas a condição de necessidade e uma proposta evolucionária capaz de alavancar a evolução humana no planeta. A busca espiritual por meio do outro deve dar lugar, primeiramente, à busca pela maturidade consciencial, quebrando, assim, o ciclo de existências na condição de máquinas controladas à distância.