Bem vindo ao Via Consciência, um blog dedicado à comunicação conscienciológica, onde o ser humano em evolução é o principal tema de pesquisa.
Todos os textos neste blog são de autoria de Mário Luna Filho, salvo aqueles em que a fonte for mencionada. Críticas e comentários são bem vindos.
"Não acredite em nada que ler ou ouvir neste blog. Reflita. Tenha suas próprias opiniões e experiências."
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
UM MUNDO IMAGINADO (FILOSOFIA)
Imaginar é saudável. Já
imaginaram um mundo onde não houvesse preconceito, repressão, opressão, onde o
amor fosse válido para todos, sem importar o gênero do amante, onde o poder não
precisasse de guerras, nem a ganância impusesse a violência e o roubo, onde os
mais velhos fossem respeitados por representar o que conquistamos, onde as
crianças fossem educadas pluridimensionalmente, onde a vida fosse valorizada e
respeitada de uma forma holística e onde todos vivessem e deixassem viver? O
que nós estamos fazendo para construir esse mundo?
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
LER FAZ BEM À EVOLUÇÃO (EDUCAÇÃO)
É sabido e notório, por experiência própria,
que, se você perguntar a qualquer pessoa (mesmo de nível universitário), se ela
tem o hábito da leitura, não vai haver um que negue. Mas, basta você começar a
conversar sobre cultura geral e assuntos os mais
variados para perceber que a maioria não está dizendo a verdade. Nem mesmo o
vocabulário usado, normalmente, condiz com aquele que de um leitor se espera,
porque a educação pela leitura foi imposta e não incutida no hábito. Mas o
problema é antigo: muitos brasileiros foram do analfabetismo à TV sem passar na
biblioteca. Nas escolas, os livros clássicos se tornaram um terror para muitos
jovens que poderiam ser futuros leitores, caso os livros da grade escolar
tivessem o papel de seduzir pelo prazer da leitura. Mas isso não aconteceu e
nem acontece até hoje. O hábito da leitura falta de uma maneira geral, não apenas
com relação a livros, mas também à leitura de jornais, revistas, sites na
internet e até aqui no Facebook. Ouço, às vezes, as pessoas dizerem sobre um
texto de algumas linhas, "nossa, que texto grande!". Como assim???
Não há uma biografia que se preze com menos de 300 páginas. Como pode achar um
"texto de lingueta" grande??? A falta de leitura também não faz um
escritor. Ao contrário, um escritor surge a partir da leitura. Talvez por isso
tantas pessoas sintam dificuldade para escrever. Uma outra falácia! "Ah,
mas eu não leio literatura". Mas deveria!!! A boa literatura ensina
português, o uso da palavra, enriquece o vocabulário, apresenta técnicas de
abordagem, métodos de argumentação, estruturas de apresentação, o domínio da
colocação etc. Ah... e esse texto está grande de propósito! Mas se ele fizer um
leitor em potencial começar a ler, já vou ficar feliz.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
A MAGIA DO CARNAVAL (SOCIEDADE)
O Rio de Janeiro se prepara para mais quatro
dias de folia. O Carnaval de rua segue crescendo em adeptos a cada ano. Não há
muito tempo as ruas do Rio não pareciam nem de perto as ruas de cidades
nordestinas como Salvador e Recife nos dias da
grande festa nacional. Por aqui, tudo se resumia ao desfile das escolas de
samba e aos bailes famosos dos clubes. Salvo em uma meia dúzia de blocos,
poucos se aventuravam a brincar Carnaval nas avenidas do centro e dos bairros.
Hoje a cidade transpira em blocos a cada esquina, o trânsito trata de se
readequar a fim de atender essa massa de foliões saculejantes, que acompanham
fantasiados ou meio nús as bandinhas animadas tocando marchinhas ou castigando
os tambores. Famílias inteiras são vistas na mesma algazarra carnavalesca,
idosos são levados por parentes destemidos, crianças são atadas aos pais para
bricarem com segurança, jovens se embriagam para exibirem a testosterona diante
de moçoilas em pleno cio de quaresma, casais se formam nas ruas, outros se
desfazem, mas há os que compartilham a mesma alegria, ignoram os perigos e se
lançam de mãos dadas nas ladeiras do morro, nas ruas estreitas dos bairros,
assim como nas grandes avenidas fantasiadas para a ocasião. Nos quatro cantos
da cidade, multidões se formam rapidamente nas ruas, se aglomeram em euforia,
se aglutinam no mesmo sofrimento das procissões mais calorosas e saem assim
mesmo, com os seus foliões espremidos uns aos outros, trocando risos e fluídos
na mesma nuvem vaporosa que brota do asfalto fervendo, trespassa os corpos em
movimento e os fazem suar à exaustão, sufocando-os na mesma quimera, até que
aqui e ali uns desmaiam e são carregados para macas, outros perdem os sentidos,
mas se recuperam rapidamente ao som das zabumbas nos ouvidos, alguns caminham à
deriva no teor do álcool que lhes atormenta os miolos, e assim seguem essas
multidões carnavalescas, em todas as horas dos quatro dias de Carnaval, talvez
por algum tempo mais, ou bem mais cedo do que se pensa, brincando, cantando,
tocando, pulando, dançando, bebendo, comendo, namorando, beijando, se amando,
se entorpecendo, vomitando, morrendo, dormindo desfalecidos de cansaço nas
primeiras horas da manhã, para recuperar o fôlego, porque, mais tarde há muito
mais, não querem parar na euforia suicida de pesadas fantasias vestidas sob um
calor dantesco... mas quem se importa? São apenas quatro dias de faz-de-conta,
de pura ilusão. Essa é a magia do Carnaval.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
ESCREVI SOBRE O INEVITÁVEL: A COPA DO MUNDO NO BRASIL (COMPORTAMENTO)
Gente, essa coisa de fazer uma Copa do Mundo no
Brasil é uma palhaçada... Todo mundo diz que esse país é gigante, mas esse
gigante tá todo cheio de problema por dentro. Ele tem reumatismo social, pressão alta no sistema de saúde, cirrose cultural,
bipolaridade na segurança e ainda tem dupla personalidade política, que nem
terapia Gestalt dá jeito. Tá todo ferrado por dentro... é gigante no tamanho,
mas ninguém vai levar esses jogadores pra jogar no meio da Floresta Amazônica,
nas praias, nas chapadas, nos pampas, nos cafezais, nas matas atlânticas, no
meio dos pés de cana de açúcar... Não vão. Vão todos para esses estádios
milionários no orçamento e acabamento de quinta, porque os politicopatas estão
todos ricos agora, cheios de verbas desviadas. O Pelé falou que esses desvios o
turismo recupera. Ou seja, os gringos recuperam, porque os brasileiros mesmo
não recuperam nada. Eu acho(, gente,) que Copa do Mundo deveria ser feita só em
país que ocupasse, pelo menos, até a 30° posição no ranking de Renda Per Capita
no mundo, de pelo menos USD 30.000. O Brasil ocupa a 54° posição no mundo, com USD
12.789 - é uma pobreza, e ainda com uma diferença social que põe qualquer filme
de terror no chinelo. Sabe o quê? Essa Copa vai ser como o filme Jogos Mortais
I, II e III (só vai até aí, né?). Ainda bem. Mortais porque nos hospitais tem
uma penca de gente morrendo por falta de atendimento, há famílias vivendo
abaixo da linha de pobreza morrendo de fome, gente morrendo tomando bala
perdida ou direta mesmo, gente morrendo dentro dos estádios no meio da
pancadaria, gente morrendo por falta de emprego, gente morrendo no trânsito,
que é uma loucura! Então, como é que pode uma Copa ser sediada num lugar assim?
É a mesma coisa que a gente comprar uma Mercedes pra pagar com o cheque
especial. Não dá.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
ENTRE MORTOS EFERIDOS, ESCAPOU-SE A PRUDÊNCIA (CIDADE)
Acidentes acontecem sob os mais diversos motivos
em qualquer parte do mundo e impressiona quando alguns deles acontecem
superando todas as barreiras da evitação. Parece que a inevitabilidade de uma
catástrofe vai levá-la a cabo não importa o que se faça para conter o arroubo
do destino. Não há negociação com ele. Esse foi o caso deste acidente com a
carreta na Linha Amarela, no Rio de Janeiro, hoje pela manhã. O motorista
dirige por mais de 3km com a caçamba levantada, sem que nenhum motorista do seu
lado o avise do fato (aqui se avisa quando a porta do carro está aberta), nem
qualquer interceptação por parte da LAMSA, administradora da via, ou da Polícia
Militar (PM), freie este "ensandecido" motorista. Imagino que isto
seria possível porque interceptações acontecem, frequentemente, nesta via pela
PM, quando, por exemplo, um carro está com o emplacamento vencido. Não houve
hoje. Tampouco as cameras de vigilância da via parecem ter alguma finalidade
séria - não esqueçamos que o motorista dirigiu por mais de 3km com a caçamba
levantada e foi captado por pelo menos 4 cameras e NADA foi feito. A pergunta
é: há alguém vendo essas cameras 24h por dia, como é de se esperar? Bem, se há,
hoje, essa pessoa devia estar dormindo às 9 da manhã. Se não há, então, a sua
finalidade é servir apenas para filmar acidentes ou justificar o recolhimento
de multas por parte da PM por emplacamentos vencidos. Outra coisa: como sempre,
moradores da vizinhança fazem o papel das equipes de resgates. Hoje, a demora
dessas equipes custou a vida de uma das vítimas. Lamentável para uma
administradora que cobra R$ 5,50 por carro e recolhe milhões de reais por mês
com isso.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
CINCO VIDAS, UM CELULAR E UMA ENORME ONDA DE ATRAÇÃO (COMPORTAMENTO)
Luiz Fernando Costa, motorista da carreta,
confessou hoje à polícia que estava falando ao celular no momento em que a
caçamba se chocou com a passarela na última terça-feira, às 9 da manhã, na Linha Amarela, no Rio de Janeiro, tirando a vida
de 5 pessoas - mais uma vítima morreu esta tarde. Uma distração duramente
explicada. Mas é difícil entender com que força a imprudência de um indivíduo
determina o destino de cinco vidas. Talvez tivéssemos que recorrer à Física
Quântica para buscar uma resposta física em alguma lei de atração e repulsão,
que se move num comprimento de onda de luz (wavelength), antes de um evento colapsar
na nossa realidade. Fico imaginando o evento se formando naquela passarela,
encerrando o espaço numa densa bolha magnética de energia, no momento em que o
motorista pega o celular e começa a falar, e a sua caçamba, por alguma outra
força misteriosa, se auto-ejeta, "por vontade própria", e o caminhão
segue uma trajetória fatal, sem que nada nem ninguém no trajeto possa conter o
ímpeto dessa combustão irremediável do destino. Em meio a esse encarceramento
energético, arremessando partículas de atração na extensão daquela via, cinco
consciências são então fisgadas para o fim, envolvidas nessa massa de energia,
possivelmente conduzidas por suas histórias pessoais e vulnerabilidades
carmáticas, numa conclusão de vida que beira o inacreditável e nos mostra que,
por mais que haja uma razão para a existência de qualquer evento no universo,
nossos sentidos lutam para encontrar (e entender) esta razão inexorável.
Rapidamente lançamos tantas perguntas no papel, sem, na verdade, a intenção de
obter respostas por precaução de que a vida nos enlinhe os miolos.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
VICIADOS EM FILAS (COMPORTAMENTO)
A fila se tornou no Brasil um hábito rotineiro e
muitos encontram prazer nela porque, simplesmente, é o momento em que é
permitido não se fazer nada absolutamente com uma boa justificativa. Ali, o
gânglio basal, órgão responsável pelos nossos atos
repetitivos, reduz em 90% o seu funcionamento. Tudo fica na antesala da inércia
total. Cabe apenas ao gânglio fazer-nos dar alguns passos de vez em quando e
só. Na verdade, adoramos fazer fila, esperar e esperar. Nem os médicos
particulares atendem nos horários marcados e fazem os pacientes esperarem, às
vezes horas! Bem, leia-se "adoramos" na medida em que sou brasileiro,
mas esqueçam me incluir nessa de fileiro; eu odeio filas. Não entro sem uma
necessidade miserável, e só com um jornal ou um livro, porque a vida é curta
para perdê-la cruelmente numa fila. Tempo é valioso. Um amigo me contou que, em
Nova Iorque, ele viu um cara ser catapultado do caixa eletrônico do banco,
porque a criatura decidiu ler o extrato em frente à máquina, quando já tinha
terminado a sua operação. Um fileiro foi lá e deu um safanão nele, porque havia
pessoas esperando para usar o caixa. Hoje, no caixa da padaria, a caixa decidiu
organizar as suas moedas e deixou um fila de clientes em pé, esperando que ela
terminasse de fazer, calmamente, esta operação. Como estava na minha vez,
decidi despertá-la deste torpor matinal domingueiro... não acho que ela tenha
gostado. Queria seguir ali, contando as moedinhas, calmamente, porque ela fazia
aquilo com o gânglio basal.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
AS REDES SOCIAIS (COMPORTAMENTO)
Não tenho esperança de que todos os aceites de
amizade no Facebook venham de pessoas do mesmo grupo intelectual, cultural e
social. A sensação de dissintonia é perene e o
deslocamento inevitável. Porém, saber lidar com as diferenças talvez seja o
grande segredo da convivência evolucionária neste nosso planeta. Os interesses,
em geral, são tão simples que me pergunto como se consegue achar graça na vida
sem usar o pensamento. Na verdade, paradoxalmente, isso se torna uma vantagem
na comunicação, pois é aqui que encontramos chances para educar e fazer
desenvolver. A grande questão não vem das diferenças na convivialidade - isso é
um valor; a grande questão é, onde estão os nossos amigos? Não digo aqueles com
quem trabalhamos, estudamos, compartilhamos momentos, voluntariamos, ensinamos,
brincamos, dividimos quartos, convivemos de alguma maneira. A palavra amigo
aqui vem da paraprocedência, aquele lugar de onde viemos antes mesmo de termos
nascido. Onde estão aqueles com quem nos afinizamos em ideias e interesses,
compartilhamos informações que ambas as partes valorizam e movemos algo adiante
que nos fortalece por dentro e por fora? A prática mostra que eles não estão em
nenhum lugar em particular, não estão ligados a nada específico e nem se guiam
pela lógica; eles brotam de onde menos se espera. Surgem "do nada" para
ser "tudo". Contabilizando o número de pessoas que conhecemos, talvez
nos frustre saber que esse "nosso povo", no sentido intrínseco da
palavra, aparece aos poucos, em minorias, um aqui outro ali, mas, nessa
contabilidade, eles crescem em valor e representam o resultado daquilo que
realmente precisamos e do que, de fato, sentimos falta e buscamos. O verdadeiro
amigo não é aquele que está sempre disponível quando precisamos dele. Mas
aquele cujas ideias não apenas compartilhamos e valorizamos, mas, sobretudo,
nos fazem crescer. Um texto em homenagem aos verdadeiros amigos do Facebook e
de qualquer outro lugar!
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
UMA REFORMA URGENTE (COMPORTAMENTO)
Quando o escritor gaúcho Érico Veríssimo disse
numa entrevista no começo dos anos 60 que a única reforma necessária no Brasil
seria a reforma de caráter ele não só se referia à uma necessidade do povo
brasileiro,como responsável pelos seus governantes,
como também apontava o ponto crítico da própria política brasileira. Sem
dúvida, foi uma frase atemporal, pois até hoje essa reforma ainda não foi
feita. Por outro lado, diferente da formação política brasileira, originada na
derrocada lusitana, ao tentar povoar o país com a escória portuguesa, o que nos
deixou um legado moralmente lamentável, a sociedade se salva na mistura de
raças. Um país povoado essencialmente por índios, e que importou 38% dos
escravos comercializados nas Américas, se torna, ao longo do tempo, uma nação
Iorubá mesclada com o puritanismo indígena, pois, na mesma medida em que o
Brasil adotou a alma africana, absorveu também a natureza tribal, gerando o que
hoje temos como a essência do comportamento do povo brasileiro - pacífico,
alegre, cultural, festivo, ingênuo, familiar, místico e acolhedor. Um povo
espirituoso, que gosta de festa, música, dança, comida, misticismo e da
convivialidade. Esse espírito brasileiro autêntico é ímpar e valioso. Porém, há
grandes questionamentos sobre o quanto o processo civilizatório mudaria esse
comportamento tão original e hospitaleiro do povo brasileiro. O quanto nos
tornar uma nação devidamente educada e politicamente crítica transformaria a
alma brasileira em algo mais triste e frio, como são, em regra geral, as
sociedades do primeiro mundo? Acredito que podemos unir os dois lados da moeda
através da compreensão de cidadania. Uma mudança-chave no processo socialmente
educador.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
O ESPECIALISTA UNIVERSAL
O especialista é aquele que aprendeu muito mais em outras áreas do que na sua área de especialização. Sua mente transcende o assunto que domina e vai além para buscar seu aperfeiçoamento, pois ele sabe que o objetivo de toda e qualquer especialização é produzir para o outro, para a sociedade, para uma gama de pessoas tão diversas entre sí que a sua visão se amplia. Sem essa visão de atingir o maior número de pessoa possíveis, seu trabalho se restringe à um pequeno meio seletivo e se perde na multidão.
Quem estreita o pensamento numa determinada direção e recusa outras formas de interpretação e pontos de vista, consumindo as mesmas ideias e obtendo os mesmos resultados, sua área de conhecimento está seriamente comprometida por uma lavagem cerebral. Nunca aprendemos tanto como quando olhamos para o destino da nossa informação, aquele a quem queremos educar. O caminho para a especialidade vem do universalismo.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
O QUE É O AMOR?
O verdadeiro amor desmente os românticos e os apaixonados, assim como os crentes de que tal sentimento está em toda e qualquer relação duradoura. Como diz o cantor Djavan, "o amor vai além da compreensão e da imaginação". Diante disso, lança-se a pergunta: é possível dizer que amamos sem que este amor tenha passado por uma prova de que ele é incondicional?
É difícil medir a profundidade deste sentimento sem tê-lo feito passar por alguma prova de resistência, sem que ele tenha sobrevivido a alguma grande crise, sem testar seu recurso de superação. Quando normalmente o que se vê é o amor pelo belo, pelo normal, por tudo que não tem problemas, que não enfrenta percalços, diferenças, amar se tornou banal na concepção de muitos, uma palavra sedutora, mas profundamente superficial.
Estaria o amor à prova das diferenças, das desavenças, das disputas, do anormal, da decepção, frustração, entre outros sentimentos desabonadores da conduta humana? Seríamos capaz de amar o nosso inimigo, o filho que se tornou tudo que não queríamos que ele se tornasse, o marido ou a mulher que trai, aqueles que nos agride e tudo que não se afiniza com o nosso entendimento de mundo. Seria ele capaz de sobreviver à discordância, à doença, os momentos difíceis de um casal ou de qualquer relação?
O verdadeiro amor não está no coração dos apaixonados, mas na união suprarrealidade, na atemporalidade, no vínculo cognitivo e nos laços que vão além da vida. Este amor transcende o banal, o comum, o esperado. O verdadeiro amor é um laço ou um vinco extrafísico, capaz de superar distâncias e ausências. Sem a experiência da prova, seguiremos com uma vaga ideia do verdadeiro amor. Este sentimento inexorável, indelével e incondicional existe, mas não está disponível a todos; apenas àqueles que conseguem enxergar além do mundano.
É difícil medir a profundidade deste sentimento sem tê-lo feito passar por alguma prova de resistência, sem que ele tenha sobrevivido a alguma grande crise, sem testar seu recurso de superação. Quando normalmente o que se vê é o amor pelo belo, pelo normal, por tudo que não tem problemas, que não enfrenta percalços, diferenças, amar se tornou banal na concepção de muitos, uma palavra sedutora, mas profundamente superficial.
Estaria o amor à prova das diferenças, das desavenças, das disputas, do anormal, da decepção, frustração, entre outros sentimentos desabonadores da conduta humana? Seríamos capaz de amar o nosso inimigo, o filho que se tornou tudo que não queríamos que ele se tornasse, o marido ou a mulher que trai, aqueles que nos agride e tudo que não se afiniza com o nosso entendimento de mundo. Seria ele capaz de sobreviver à discordância, à doença, os momentos difíceis de um casal ou de qualquer relação?
O verdadeiro amor não está no coração dos apaixonados, mas na união suprarrealidade, na atemporalidade, no vínculo cognitivo e nos laços que vão além da vida. Este amor transcende o banal, o comum, o esperado. O verdadeiro amor é um laço ou um vinco extrafísico, capaz de superar distâncias e ausências. Sem a experiência da prova, seguiremos com uma vaga ideia do verdadeiro amor. Este sentimento inexorável, indelével e incondicional existe, mas não está disponível a todos; apenas àqueles que conseguem enxergar além do mundano.
sábado, 4 de agosto de 2012
AMPARADORES: CONSULTORES EXTRAFÍSICOS
Amparadores extrafísicos são consciências sensatas que habitam outro plano de vida e podem ser tanto mais evoluídos como tão evoluídos quanto você, com a ressalva de que essa diferença evolutiva restringe-se ao campo da emoção, isto é, um amparador atua com o cérebro e não com os nervos.
A comparação com anjos da guarda é inevitável, mas esqueça acender velas ou fazer rezas para amparadores, pois eles não têm religião nem fazem a menor questão de serem santos - já superaram a necessidade dessa guia espiritual para devotos que ainda precisam de um GPS extrafísico para andar nesse planeta, coisa que a religião é especialista em oferecer ao custo de um bom terço ou idas à missa. Esqueça também fazer pedidos para amparadores e muito menos lhes fazer oferendas à beira mar ou em encruzilhadas, pois eles tampouco são caboclos. Atuam basicamente em projetos específicos onde haja, pelo menos, mais de um interessado - além de você, claro. Os amparadores extrafísicos não são personal trainers particulares, a quem recorremos sempre quando não sabemos a nossa próxima série de exercícios e nem orientadores acadêmicos para lhe indicar o assunto da sua tese consciencial e corrigir as vírgulas da sua muitas vezes sofrível redação.
Amparadores são atraídos por atitudes pró-evolutivas, pensamento positivo, intencionalidade hígida e uma meta assistencial comunitária. Enquanto o seu empreendedorismo estiver em andamento e o seu trabalho progredindo nessa direção é possível que você perceba que está um pouco mais inteligente e que as suas ideias lhe chegam sem o terror da página branca, pois não lhe faltarão insights de qualidade. É claro que o ingrediente com o qual trabalham é o seu talento e boa vontade assistencial, além da sua energia, obviamente, pois sem um receptor de qualidade, os amparadores não poderiam se comunicar - aqui estamos falando de frequência energética de qualidade. Ninguém querendo se matar, vitimizado ou deprimido está em patamar compatível com a ligação de amparo, porque a vítima de si mesmo se esconde na tenebra de uma energia inalcansável por alguém tão sutil quanto um amparador. Quem lhe salva? Bem, é possível que um parente psicótico dessomado ou uma conciência intrafísica tenha peso energético suficiente para furar o bloqueio da sua Tsunami kaliuga.
Ok. Tudo bem. Reclamar da falta de amparo quando estamos comendo o osso e o pão que o amparador não amassou, mas nós mesmos, é comum... faço isso às vezes... bem, ninguém é perfeito. Afinal de contas, o raciocínio mais humano vem da religião, "é dando que se recebe" ou mesmo "fazendo o bem, recebemos em dobro". Quem disse isso? De qualquer forma, esqueça isso também, pois os amparadores não negociam assistência. Eles não têm nada a ver com as nossas dívidas pluriexistenciais e multidimensionais, com as reciclagens que deixamos de fazer ou ignoramos ou mesmo com as reconciliações que não estamos prontos para fazer ou até que não queremos fazer. A nossa porção de sofrimento vem do nosso histórico existencial, das ligações extrafísicas patológicas com as quais ainda estamos conectados, das atitudes miméticas que ainda conservamos hoje, depois de milênios de repetição. Esperar que o amparador resolva essas questões é o mesmo que terceirizar nossa evolução. Eu crio o problema e ele resolve. Esqueça! Isso não vai dar certo. Por isso, o retorno pessoal das nossas ações só depende do quanto evoluímos com elas.
Talvez você esteja questionando o termo amparador como fiz há algumas semanas, quando passei a tratá-los como consultores extrafísicos. Achei mais sensato e mais claro para evitar qualquer malentendido religioso, pois o amparador não trabalha para nós nem nos substitui nas tarefas assistenciais: ele trabalha conosco, injetando energia no mentalsoma, desassediando o psicossoma e enviando insights muitas vezes tão brilhantes que o seu amigo pode duvidar da autoria do que você faz e achar que usou frases de algum gênio da filosofia. Essa parceria, é bom frisar, não lhe afeta a autoria das suas realizações, pois, como disse acima, o amparador trabalha com quem pode trabalhar com ele, mas a decisão assistencial e o discernimento final para se chegar ao melhor resultado fica sob sua responsabilidade. Sendo assim, não fuja da raia quando produzir algum trabalho onde claramente teve a participação de amparadores. Diga "esse trabalho foi realizado por mim porque eu pude fazê-lo (em parceria com os amparadores), quer dizer, (com os consultores extrafísicos), portanto o mérito é (também) meu".
A comparação com anjos da guarda é inevitável, mas esqueça acender velas ou fazer rezas para amparadores, pois eles não têm religião nem fazem a menor questão de serem santos - já superaram a necessidade dessa guia espiritual para devotos que ainda precisam de um GPS extrafísico para andar nesse planeta, coisa que a religião é especialista em oferecer ao custo de um bom terço ou idas à missa. Esqueça também fazer pedidos para amparadores e muito menos lhes fazer oferendas à beira mar ou em encruzilhadas, pois eles tampouco são caboclos. Atuam basicamente em projetos específicos onde haja, pelo menos, mais de um interessado - além de você, claro. Os amparadores extrafísicos não são personal trainers particulares, a quem recorremos sempre quando não sabemos a nossa próxima série de exercícios e nem orientadores acadêmicos para lhe indicar o assunto da sua tese consciencial e corrigir as vírgulas da sua muitas vezes sofrível redação.
Amparadores são atraídos por atitudes pró-evolutivas, pensamento positivo, intencionalidade hígida e uma meta assistencial comunitária. Enquanto o seu empreendedorismo estiver em andamento e o seu trabalho progredindo nessa direção é possível que você perceba que está um pouco mais inteligente e que as suas ideias lhe chegam sem o terror da página branca, pois não lhe faltarão insights de qualidade. É claro que o ingrediente com o qual trabalham é o seu talento e boa vontade assistencial, além da sua energia, obviamente, pois sem um receptor de qualidade, os amparadores não poderiam se comunicar - aqui estamos falando de frequência energética de qualidade. Ninguém querendo se matar, vitimizado ou deprimido está em patamar compatível com a ligação de amparo, porque a vítima de si mesmo se esconde na tenebra de uma energia inalcansável por alguém tão sutil quanto um amparador. Quem lhe salva? Bem, é possível que um parente psicótico dessomado ou uma conciência intrafísica tenha peso energético suficiente para furar o bloqueio da sua Tsunami kaliuga.
Ok. Tudo bem. Reclamar da falta de amparo quando estamos comendo o osso e o pão que o amparador não amassou, mas nós mesmos, é comum... faço isso às vezes... bem, ninguém é perfeito. Afinal de contas, o raciocínio mais humano vem da religião, "é dando que se recebe" ou mesmo "fazendo o bem, recebemos em dobro". Quem disse isso? De qualquer forma, esqueça isso também, pois os amparadores não negociam assistência. Eles não têm nada a ver com as nossas dívidas pluriexistenciais e multidimensionais, com as reciclagens que deixamos de fazer ou ignoramos ou mesmo com as reconciliações que não estamos prontos para fazer ou até que não queremos fazer. A nossa porção de sofrimento vem do nosso histórico existencial, das ligações extrafísicas patológicas com as quais ainda estamos conectados, das atitudes miméticas que ainda conservamos hoje, depois de milênios de repetição. Esperar que o amparador resolva essas questões é o mesmo que terceirizar nossa evolução. Eu crio o problema e ele resolve. Esqueça! Isso não vai dar certo. Por isso, o retorno pessoal das nossas ações só depende do quanto evoluímos com elas.
Talvez você esteja questionando o termo amparador como fiz há algumas semanas, quando passei a tratá-los como consultores extrafísicos. Achei mais sensato e mais claro para evitar qualquer malentendido religioso, pois o amparador não trabalha para nós nem nos substitui nas tarefas assistenciais: ele trabalha conosco, injetando energia no mentalsoma, desassediando o psicossoma e enviando insights muitas vezes tão brilhantes que o seu amigo pode duvidar da autoria do que você faz e achar que usou frases de algum gênio da filosofia. Essa parceria, é bom frisar, não lhe afeta a autoria das suas realizações, pois, como disse acima, o amparador trabalha com quem pode trabalhar com ele, mas a decisão assistencial e o discernimento final para se chegar ao melhor resultado fica sob sua responsabilidade. Sendo assim, não fuja da raia quando produzir algum trabalho onde claramente teve a participação de amparadores. Diga "esse trabalho foi realizado por mim porque eu pude fazê-lo (em parceria com os amparadores), quer dizer, (com os consultores extrafísicos), portanto o mérito é (também) meu".
sábado, 21 de abril de 2012
VIACONS FILMES LANÇA FILME PROMO DO CURSO 40 MANOBRAS ENERGÉTICAS
Produzido pela ViaCons Filmes, o vídeo promocional do curso 40 Manobras Energéticas da ASSIPI (Associação Internacional de Parapsiquismo Interassistencial) teve 430 visualizações em apenas 1 semana. Tudo indica que este vídeo esteja caminhando para se tornar viral!
terça-feira, 13 de março de 2012
MUITO PRAZER, MEU NOME É DEUS
A velha discussão sobre a existência ou não de Deus parece não ter fim. Nos últimos anos, livros falando sobre o assunto se multiplicaram nas prateleiras das livrarias e alguns viraram best-sellers, como Deus Não é Grande de Christopher Hitchens, Deus - Um Delírio de Richard Dawkins, O Fim da Fé de Sam Harris e Onde a Religião Termina?, um grande legado das suas experiências como frei do autor Marcelo da Luz.
Religião e ciência nunca estiveram tão frente a frente como nos tempos atuais. Creio que os avanços tecnológicos, onde tudo é possível monitorar, medir, equalizar, esquadrinhar nos dias atuais, tenha imbuído pesquisadores a alçar voos mais altos no âmbito da ciência para explicar a existência de um ser capaz de gerar todo o universo em que vivemos. Se o esforço por uma resposta cientificamente convicente vale a pena cabe aos que acreditam nela avaliar. Mas há algumas implicações nessa pesquisa que não devem passar em branco.
Não poderia afirmar que a ciência esteja engajada em pesquisas para provar a existência de Deus. Mas o contrário: comprovar que ele, de fato, é fruto de uma criação religiosa, pois, enquanto experimental e objetiva, é sensato pensar que os cientistas não esperam ter com o divino nenhuma prosa em algum lugar do universo e trazer lá as evidências definitivas da sua existência. Quebrar esse mito para a humanidade confusa ou colocar caraminholas na cabeça dos crentes, no entanto, me parece uma tarefa cruel, para não dizer um empreendimento arriscado, pois Deus tem sempre sido uma espécie de babysitter evolutiva.
Se todos se libertassem da certeza de que suas vidas estão seguras nas mãos de um criador, quem restaria com semelhante poder para conter os desmandos do instinto humano? A evolução humana retrocederia pelo viés da despacificação e o mundo padeceria da falta de sinais vermelhos. A grande maioria da humanidade precisa ser conduzida no mundo da espiritualidade, não há maturidade espiritual, discernimento suficiente nem tampouco autonomia intraconsciencial para escolhas evolutivas pessoais. A essência da fé é a dependência que ela cria naqueles que acreditam. Por mais incoerente que a fé possa ser, ao representar uma crença sobre algo de que não se tem qualquer vestígio de prova, e se pudesse provar não mais se trataria de crença, ela é necessária na atual conjuntura evolutiva humana.
A espiritualidade não passa pela religião. O homem é inerentemente um ser espiritual. A sua comunicação com o mundo imaterial se dá a todo momento, em todas as horas do dia, com as influências energéticas de consciências afins, sejam elas desse mundo ou do outro. Algumas evidências são claras e básicas se o homem tornar-se um autopesquisador. Fenômenos como a telepatia, pensar o que alguém está pensando, o deja vu, ter a sensação de já estado em um local ou de já ter vivido uma determinada cena, a captação de ideias que sabemos ter surgido "do nada", a intuição, a premonição, prever acontecimentos, e até mesmo a projeção da consciência, experiência única que muitos já viveram durante uma noite de sono ou mesmo durante a luz do dia, são algumas das provas peremptórias que o autopesquisador vivencia sem deixar em si rastro de dúvida.
A religião é de propriedade da Igreja. E todo o esforço da catequese era com o intuito da dominação para se chegar ao poder ao lado da monarquia. Traduzida do hebraico para o grego, depois para o latim e então para inúmeras outras línguas modernas, a Bíblia é um registro de mensagens de telefones sem fio, é o livro que a Igreja quer que você acredite e um tratado de relatos, contos, lendas, fábulas e histórias contadas a seguidores que mais tarde as recontaram à sua maneira e assim repassando cada vez de maneira mais deturpada os acontecimentos da época, de modo que, hoje, quem poderia afirmar a veracidade dos fatos descritos nela? Quem seria insenato a esse ponto? Experimente contar uma história a alguém e pedir que a pessoa passe a mesma história a 10 outras pessoas para ver como a sua história vai chegar na décima pessoa. Multiplique isso por todos que reescreveram a Bíblia ao longo da história e irá ter ideia do que eu quero dizer.
Mas quem, com a mente dominada pelos ensinamentos religiosos, é louco o bastante para não acreditar em Deus? O mínimo movimento de largar a mão do criador é suficiente para ver do outro lado a mão peluda e de unhas afiadas do diabo esperando o seu contato, porque o medo também foi criado com as dicotomias religiosas: céu e inferno, bem e mal, Deus e o diabo, luz e trevas, santos e pecadores etc. É o certo ditado pela Igreja contra o errado ditado pelos hereges, sem meio termo nem senso crítico. O medo é uma poderosa ferramenta de dependência física e espiritual. Desde Jesus Cristo, que monopolizou o acesso ao Pai, até os santos que dominaram os milagres, tudo parece girar em torno de poucos escolhidos que pregam em altares e rezam pela maioria privada de opinião.
Depois da riqueza conquistada com a exploração do ouro e a prata das Américas, a Igreja Católica se atualizou na sua forma de gerar dinheiro e hoje funciona também como empresa. Mas ela não é a única. Os islãs cobram 2,5% da renda do fiel, a Igreja Alfa o salário de um mês, a Universal do Reino de Deus 10%, o famoso dízimo, a Igreja Mórmon também cobra 10% da renda dos seus seguidores e a Cientologia se dá ao luxo de cobrar somas aleatórias. Essa é uma parte importante da isca espiritual e uma verdadeira mina de ouro na era moderna. Templos gigantescos são construídos com esse dinheiro a fim de abarcar mais fiéis, redes de televisão são compradas para a disseminação efetiva dos ensinamentos, com transmissão de cultos e debates entre pastores. E, paradoxalmente, as Igrejas que mais extorquem são as que têm mais fiéis. Quanto mais você paga, mais crente você se torna!
Mas sejamos sensatos: não se pode tirar isso de quem se submete a isso. Quem disse que este planeta não é um planeta-hospital? Antes do deocídio e de vermos a humanidade assumir a sua própria evolução, com base em princípios e valores éticos realmente auto e hetero-assistenciais, já seria um grande avanço para as vidas inteligentes deste planeta-enfermaria a ascenção dos religiosos à categoria de consciências que colocam em prática qualidades como a tolerância, o universalismo, o fraternismo e a convivialidade sadia.
Religião e ciência nunca estiveram tão frente a frente como nos tempos atuais. Creio que os avanços tecnológicos, onde tudo é possível monitorar, medir, equalizar, esquadrinhar nos dias atuais, tenha imbuído pesquisadores a alçar voos mais altos no âmbito da ciência para explicar a existência de um ser capaz de gerar todo o universo em que vivemos. Se o esforço por uma resposta cientificamente convicente vale a pena cabe aos que acreditam nela avaliar. Mas há algumas implicações nessa pesquisa que não devem passar em branco.
Não poderia afirmar que a ciência esteja engajada em pesquisas para provar a existência de Deus. Mas o contrário: comprovar que ele, de fato, é fruto de uma criação religiosa, pois, enquanto experimental e objetiva, é sensato pensar que os cientistas não esperam ter com o divino nenhuma prosa em algum lugar do universo e trazer lá as evidências definitivas da sua existência. Quebrar esse mito para a humanidade confusa ou colocar caraminholas na cabeça dos crentes, no entanto, me parece uma tarefa cruel, para não dizer um empreendimento arriscado, pois Deus tem sempre sido uma espécie de babysitter evolutiva.
Se todos se libertassem da certeza de que suas vidas estão seguras nas mãos de um criador, quem restaria com semelhante poder para conter os desmandos do instinto humano? A evolução humana retrocederia pelo viés da despacificação e o mundo padeceria da falta de sinais vermelhos. A grande maioria da humanidade precisa ser conduzida no mundo da espiritualidade, não há maturidade espiritual, discernimento suficiente nem tampouco autonomia intraconsciencial para escolhas evolutivas pessoais. A essência da fé é a dependência que ela cria naqueles que acreditam. Por mais incoerente que a fé possa ser, ao representar uma crença sobre algo de que não se tem qualquer vestígio de prova, e se pudesse provar não mais se trataria de crença, ela é necessária na atual conjuntura evolutiva humana.
A espiritualidade não passa pela religião. O homem é inerentemente um ser espiritual. A sua comunicação com o mundo imaterial se dá a todo momento, em todas as horas do dia, com as influências energéticas de consciências afins, sejam elas desse mundo ou do outro. Algumas evidências são claras e básicas se o homem tornar-se um autopesquisador. Fenômenos como a telepatia, pensar o que alguém está pensando, o deja vu, ter a sensação de já estado em um local ou de já ter vivido uma determinada cena, a captação de ideias que sabemos ter surgido "do nada", a intuição, a premonição, prever acontecimentos, e até mesmo a projeção da consciência, experiência única que muitos já viveram durante uma noite de sono ou mesmo durante a luz do dia, são algumas das provas peremptórias que o autopesquisador vivencia sem deixar em si rastro de dúvida.
A religião é de propriedade da Igreja. E todo o esforço da catequese era com o intuito da dominação para se chegar ao poder ao lado da monarquia. Traduzida do hebraico para o grego, depois para o latim e então para inúmeras outras línguas modernas, a Bíblia é um registro de mensagens de telefones sem fio, é o livro que a Igreja quer que você acredite e um tratado de relatos, contos, lendas, fábulas e histórias contadas a seguidores que mais tarde as recontaram à sua maneira e assim repassando cada vez de maneira mais deturpada os acontecimentos da época, de modo que, hoje, quem poderia afirmar a veracidade dos fatos descritos nela? Quem seria insenato a esse ponto? Experimente contar uma história a alguém e pedir que a pessoa passe a mesma história a 10 outras pessoas para ver como a sua história vai chegar na décima pessoa. Multiplique isso por todos que reescreveram a Bíblia ao longo da história e irá ter ideia do que eu quero dizer.
Mas quem, com a mente dominada pelos ensinamentos religiosos, é louco o bastante para não acreditar em Deus? O mínimo movimento de largar a mão do criador é suficiente para ver do outro lado a mão peluda e de unhas afiadas do diabo esperando o seu contato, porque o medo também foi criado com as dicotomias religiosas: céu e inferno, bem e mal, Deus e o diabo, luz e trevas, santos e pecadores etc. É o certo ditado pela Igreja contra o errado ditado pelos hereges, sem meio termo nem senso crítico. O medo é uma poderosa ferramenta de dependência física e espiritual. Desde Jesus Cristo, que monopolizou o acesso ao Pai, até os santos que dominaram os milagres, tudo parece girar em torno de poucos escolhidos que pregam em altares e rezam pela maioria privada de opinião.
Depois da riqueza conquistada com a exploração do ouro e a prata das Américas, a Igreja Católica se atualizou na sua forma de gerar dinheiro e hoje funciona também como empresa. Mas ela não é a única. Os islãs cobram 2,5% da renda do fiel, a Igreja Alfa o salário de um mês, a Universal do Reino de Deus 10%, o famoso dízimo, a Igreja Mórmon também cobra 10% da renda dos seus seguidores e a Cientologia se dá ao luxo de cobrar somas aleatórias. Essa é uma parte importante da isca espiritual e uma verdadeira mina de ouro na era moderna. Templos gigantescos são construídos com esse dinheiro a fim de abarcar mais fiéis, redes de televisão são compradas para a disseminação efetiva dos ensinamentos, com transmissão de cultos e debates entre pastores. E, paradoxalmente, as Igrejas que mais extorquem são as que têm mais fiéis. Quanto mais você paga, mais crente você se torna!
Mas sejamos sensatos: não se pode tirar isso de quem se submete a isso. Quem disse que este planeta não é um planeta-hospital? Antes do deocídio e de vermos a humanidade assumir a sua própria evolução, com base em princípios e valores éticos realmente auto e hetero-assistenciais, já seria um grande avanço para as vidas inteligentes deste planeta-enfermaria a ascenção dos religiosos à categoria de consciências que colocam em prática qualidades como a tolerância, o universalismo, o fraternismo e a convivialidade sadia.
sábado, 3 de março de 2012
SAI O PROMO VIDEO DA DINÂMICA INTERASSISTENCIAL DE PARACIRUGIA - A NOVA FASE DAS PESQUISAS CONSCIENCIOLÓGICAS
A Dinâmica Interassistencial de Paracirurgia, conduzida pelo professor
Hernande Leite da OIC (Organização Internacional de Consciencioterapia),
atualmente conduzida semanalmente no Campus da OIC em Foz do Iguaçu,
aponta uma nova fase nas pesquisas de campo da Conscienciologia, com a
monitoria instrumental dos experimentos parapsíquicos vivenciados
durante a dinâmica. Trata-se de uma investigação cientifica de ponta
que, certamente, otimizará os resultados de cursos de campo, como o
ECP2. Soma-se a essa otimização, o início das pesquisas no Laboratório de Ectoplasmia, localizado no CEAEC - Centro de Altos Estudos da Conscienciologia, em Foz do Iguaçu.
Este pocket promo vídeo, com uma entrevista com o professor Hernande Leite, produzido pela ViaCons Filmes, é uma prévia do documentário de curta metragem a ser lançado em breve sobre a dinâmica.
Este pocket promo vídeo, com uma entrevista com o professor Hernande Leite, produzido pela ViaCons Filmes, é uma prévia do documentário de curta metragem a ser lançado em breve sobre a dinâmica.
MAIS UMA VEZ DE VOLTA
Caros amigos, mais uma volta estou de volta. Quando pensava que teria tempo para
retomar as postagens por aqui, eis que me surgem novas oportunidades de
trabalho em vídeo e uma série de entrevistas para fazer para o
documentário Homo Sapiens Parapsychicus, cujas filmagens começaram em
dezembro e seguem de vento em popa. Muito bom. Pois agora podemos
arriscar que o filme fica pronto ainda este ano.
A boa notícia é que o Via Consciência sempre andou sozinho durante todo esse tempo em que seu alimentador esteve afastado. Tanto novos visitantes quanto seus seguidores mantiveram o número de visitas em alta (para os padrões de um blog sobre conscienciologia, claro). Essa é uma evidência de que o blog amadureceu e estabeleceu seu espaço na rede. Novas postagens, entretanto, consolidam a sua existência e motivam a chegada de novos leitores, porque a comunicação da notícia e o fluxo da informação não devem parar nunca.
Muitas produções foram finalizadas durante este período de ausência e aos poucos irei lançar por aqui todas as entrevistras sobre cursos, lançamentos de livro, matérias em geral, que, certamente, cairão no interesse do leitor do Via. O mesmo é válido para o meu outro blog sobre cinema e conscienciologia - o Cinema & Consciência. Este texto está copiado e colado por lá, pois muitos seguidores do C&C não são segudores do Via e a re-apresentação é válida para ambos.
Neste ano de 2012, espero manter o blog atualizado, trazendo novas postagens com matérias interessantes para partilhar com vocês as minhas proezas e mostrar sempre que estamos caminhando em direção a um futuro promissor em termos de pesquisas conscienciológicas, projetos pessoais e planos gerais, sempre mantendo a informação nesse fluxo contínuo. Esta é a proposta dos meus blogs e o meu compromisso multidimensional com a informação e com todos vocês.
A boa notícia é que o Via Consciência sempre andou sozinho durante todo esse tempo em que seu alimentador esteve afastado. Tanto novos visitantes quanto seus seguidores mantiveram o número de visitas em alta (para os padrões de um blog sobre conscienciologia, claro). Essa é uma evidência de que o blog amadureceu e estabeleceu seu espaço na rede. Novas postagens, entretanto, consolidam a sua existência e motivam a chegada de novos leitores, porque a comunicação da notícia e o fluxo da informação não devem parar nunca.
Muitas produções foram finalizadas durante este período de ausência e aos poucos irei lançar por aqui todas as entrevistras sobre cursos, lançamentos de livro, matérias em geral, que, certamente, cairão no interesse do leitor do Via. O mesmo é válido para o meu outro blog sobre cinema e conscienciologia - o Cinema & Consciência. Este texto está copiado e colado por lá, pois muitos seguidores do C&C não são segudores do Via e a re-apresentação é válida para ambos.
Neste ano de 2012, espero manter o blog atualizado, trazendo novas postagens com matérias interessantes para partilhar com vocês as minhas proezas e mostrar sempre que estamos caminhando em direção a um futuro promissor em termos de pesquisas conscienciológicas, projetos pessoais e planos gerais, sempre mantendo a informação nesse fluxo contínuo. Esta é a proposta dos meus blogs e o meu compromisso multidimensional com a informação e com todos vocês.
segunda-feira, 21 de março de 2011
sábado, 19 de março de 2011
Inversão Existencial Via Consciência
Meu nome é Nicolas, tenho 16 anos, sou voluntário da ASSINVÉXIS-RJ, estou no terceiro ano do ensino médio e aplico a técnica da inversão existencial.
O que é a inversão existencial? a inversão existencial é uma técnica que foi desenvolvida e proposta pelo professor Waldo Vieira em 1998. Significa você atingir a sua maturidade consciencial, superando desde a juventude os porões consciênciais, priorizando a sua evolução e a execução da sua proéxis (programação existencial). É claro que uma pessoa que é jovem e aplica a invéxis desde cedo terá muito mais tempo para se dedicar à sua programação existencial do que uma pessoa que já viveu a fase inicial de sua existência, muitas vezes, com egocentrismos, mimetismos destrutivos, envolvida com amizades ociosas que nada acrescentam evolutivamente falando. Essas pessoas com baixa lucidez evolutiva só costumam pensar em crescimento pessoal na fase executiva da programação existencial, isto é, após os 40 anos.
Você quer dizer que uma pessoa que já esteja na fase executiva da proéxis, que seja evolutivamente imatura ou que tenha tido algum tipo de relação com drogas e bebida, entre outros fatores abortadores da proéxis, não podem aplicar a invéxis? Depende. Se a pessoa fez suas reciclagens pessoais antes da fase executiva e está disposta a aplicar a invéxis, ela pode aplicar a técnica, isto é, fazer um maxi-planejamento da sua existência e não perder tempo com os mata-burros, que são atitudes que podem fazer você tropeçar e não avançar na sua trajetória evolutiva de vida, não chegando, assim, ao completismo existencial.
Há outro modo de acelerar a evolução pessoal, além da técnica da inversão exitencial, para alguém na fase executiva da proéxis? Há a recéxis, ou reciclagem consciencial, que é uma técnica na qual a consciência investe seu tempo na auto-pesquisa para ganhar auto- conhecimento, e, dessa forma, superar seus traços fardos, ou pontos fracos.
Qual é a melhor maneira de evoluir, Nicolas? Penso que não existe uma maneira melhor nem pior de evoluir, mas processos mais rápidos e mais lentos, pois o importante é que todos evoluam ao seu tempo. Posso afirmar que o inversor existencial, por ter acessado idéias evolutivas mais cedo, acelera a sua evolução pessoal e, obviamente, ganha mais tempo para desenvolver a sua proéxis do que um reciclante.
Qual é a relação da inversão existencial com as religiões ou os processos místicos? A invéxis é uma técnica sem influências de dogmas ou de qualquer tipo de religião ou seita. O principal foco da técnica está na auto-assistência, ou seja, no crescimento pessoal, e na hetero-assistência, ou assistência ao próximo. Ao aplicar a técnica, é muito importante destacar que você precisa conhecer bem a si próprio, através da autopesquisa e fazendo auto-crítica. E também aceitar heterocriticas como uma forma de auto-pesquisa. É importante perceber o que está havendo de errado com você, com as suas atitudes e saber o que precisa ser mudado. É importante também você reconhecer os seus trafores (traços fortes), e trafares (traços fardos), para que você possa superar esses trafares e utilizar os trafores em favor da sua evolução.
O processo deve ser muito honesto e responsável, não? Claro! Agora, se você tem consciência da multidimensionalidade e da responsabilidade que tem neste planeta, a razão que fez você nascer nele, e, ainda assim, continuar a fazer coisas que prejudicam a sua evolução, a sua vida vira uma auto-corrupção, um auto-engano, o que são grandes mata-burros da invéxis.
Há algum requisito pessoal importante para o inversor existencial na aplicação da técnica? Três características, ou traços-força, são fundamentais na aplicação da técnica e fazem parte do que chamamos de tridotação: inteligência, comunicabilidade e parapsiquismo. Primeiro, precisamos desenvolver a intelectualidade, lendo, estudando, entendendo mais sobre o mundo em que vivemos. Segundo, precisamos desenvolver a comunicabilidade, sendo comunicativo com as pessoas, nos colocando disponíveis para falar, mas também para ouvir os outros, interagindo com pessoas diferentes, sempre com o foco na assistência. E terceiro, precisamos desenvolver o parapsquismo, que é muito importante, porque quanto mais responsabilidade intrafisica a gente tenha, mais responsabilidade extra-fisica a gente também terá. É importante que você esteja preparado para enfrentar as pressões energéticas que chegam com as reciclagens pessoais. Para isso, utilizamos o parapsiquismo, a auto-defesa energética, por exemplo, ao nosso favor, fazendo contato com amparo de função e evitando assediadores e guia-cegos, que podem até ser consciências bem intencionadas em ajudar, mas ainda imaturas demais para discernir o que é bom e ruim, o certo e o errado, evolutivamente falando.
Há alguma sugestão de leitura para aprofundar o estudo da técnica da invexis? Para compreender um pouco melhor a técnica da invéxis é interessante também estudar sobre as neociências projeciologia e conscienciologia (www.iipc.org). Elas estão ligadas diretamente à invexologia, que é o estudo aprofundado sobre a inversão existencial.
Mas é bom lembrar: não acredite em nada, tenha as suas próprias experiências. Não só nós, da ASSINVÉXIS (Associação Internacional de Inversão Existencial), ou os pesquisadores da projeciologia e da conscienciologia como um todo, devemos adotar esse lema, que é o Principio da Descrença. Todos devem experimentar, ter as suas próprias experiências e conclusões. Se você quiser saber um pouco mais sobre o que é a invéxis, pesquise mais seriamente sobre essa técnica. Visite o site da ASSINVEX - www.assinvexis.org e boas reciclagens!
terça-feira, 8 de março de 2011
A Reconstrução de uma Consciência
Por religião entende-se a crença na existência de forças ou entidades sobre-humanas responsáveis pela criação, ordenação e sustentação do universo; forma particular que essa crença assume com base em cada uma das diversas doutrinas formuladas; existência vivida em obediência escrita aos princípios de um sistema religioso; respeito ou reverência às coisas sagradas; vínculo a uma forma de pensamento ou crença que encerra uma concepção filosófica (Dicionário Eletrônico Aulete). Enquanto sacerdote dedicado por vinte anos aos serviços da Igreja Católica Apostólica Romana, o então Frei Marcelo foi um religioso idealista, leal, responsável e dedicado, imbuído na busca de encontrar a vida consagrada e no exercício do pleno sacerdócio.
Na igreja, Frei Marcelo foi um pregador da palavra cristã para milhares de pessoas, pastor comprometido a inúmeros fiéis e catequizador eficaz para muitos jovens dispostos a iniciar os estudos da vida religiosa. Mas a religião, aos poucos, foi deixando sem respostas vários questionamentos de Frei Marcelo na medida em que os seus interesses e dúvidas se avolumavam além dos muros da igreja. A religião esgotava para ele as suas possibilidades evolutivas. Foi então que se viu diante de uma crise de crescimento ao decidir, primeiramente, encarar o auto-confrontamento. Enquanto religioso, Frei Marcelo nunca abandonou a busca da sabedoria por meio de uma verdade lógica. Esse caminho, como era de se esperar, o levou à racionalização da doutrina religiosa e a questionamentos cada vez mais frequentes, fato que, por si só, já demonstra crescimento e que mais tarde o levaria a tomar a decisão do rompimento definitivo com a instituição religiosa.
Essa dissidência, no entanto, não foi apenas de ordem institucional ou idealista. Frei Marcelo não ampliou a maneira que se praticava a religião seguindo filosofias revisadas por ele nem corrigiu leis, ordens e regras. O seu rompimento não ocorreu por meio de um crescimento dentro da religião, mas para além dela. Sendo assim, a sua reciclagem intraconsciencial abandonou os princípios da doutrina cristã a fim de encontrar liberdade de pensamento, uma forma de estudo que o possibilitaria "maior alcance evolutivo das tarefas do esclarecimento (p.24)" , segundo afirma-se no seu livro. Frei Marcelo admitiu, racionalmente, uma mudança de paradigma: encontrou aquele em que a consciência assume as rédeas de sua própria evolução; saiu da epiderme espiritual para ampliar seu universo interior de possibilidades; passou a ter uma "cosmovisão racional proporcionada pelo paradigma consciencial (p.25)."
Marcelo da Luz lança agora Onde a Religião Termina, a obra na qual ele expõe todo o processo de dissidência vivido com a Igreja Católica, "a renúncia pública à crença religiosa ou o abandono da religião (p.19)," e nos brinda com seu notável exemplarismo, numa tomada de decisão fundamentada no auto-enfrentamento, no empenho destemido da reciclagem intraconsciencial e na coragem também para vencer uma auto-mimese religiosa, possivelmente, secular. Todos sabem o quanto é difícil romper com antigos valores e velhos comportamentos. Para termos uma vaga idéia disso basta pensarmos em como é duro nos desfazermos de objetos da casa, hábitos corriqueiros e até mesmo maneiras de pensar. Uma auto-atualização mnemônica, isto é, da memória, aparentemente poderia não nos trazer maiores pesares, caso se resumisse à uma mera mudança de auto-imagem. A nossa memória não guarda apenas nossas formas de agir e pensar, mas, sobretudo, carências, necessidades e, de uma forma geral, uma insondável vulnerabilidade a tudo que é novo. Tomando por base o ser humano comum, tememos o novo em maior ou menor grau, quando este envolve mudança de comportamento e hábitos. "A eliminação de vícios, a superação de ideologias, o abandono de instituições ou de estilos de vida não equivalem a simplesmente mudar de endereço, trocar de roupa ou permutar um carro (p.21)." As mudanças envolvem "um movimento consciencial," para o qual precisamos ter uma convicção inquestionável quanto às nossas novas necessidades e uma vontade inquebrantável para ampliar os horizontes daquilo que alimenta a nossa fome de evolução.
ONDE A RELIGIÃO TERMINA
Marcelo da Luz
Ed. Editares R$ 68,00
Venda Online: http://www.shopcons.com.br/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=295
A entrevista a seguir foi dada por Marcelo da Luz ao Programa Ciência & Consciência, na TV Compléxis, com direção de Ton Martins e apresentação de Amaury Pontieri. Nela, o escritor fala de sua obra e nos revela os bastidores da sua exemplar reciclagem de vida.
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
Na igreja, Frei Marcelo foi um pregador da palavra cristã para milhares de pessoas, pastor comprometido a inúmeros fiéis e catequizador eficaz para muitos jovens dispostos a iniciar os estudos da vida religiosa. Mas a religião, aos poucos, foi deixando sem respostas vários questionamentos de Frei Marcelo na medida em que os seus interesses e dúvidas se avolumavam além dos muros da igreja. A religião esgotava para ele as suas possibilidades evolutivas. Foi então que se viu diante de uma crise de crescimento ao decidir, primeiramente, encarar o auto-confrontamento. Enquanto religioso, Frei Marcelo nunca abandonou a busca da sabedoria por meio de uma verdade lógica. Esse caminho, como era de se esperar, o levou à racionalização da doutrina religiosa e a questionamentos cada vez mais frequentes, fato que, por si só, já demonstra crescimento e que mais tarde o levaria a tomar a decisão do rompimento definitivo com a instituição religiosa.
Essa dissidência, no entanto, não foi apenas de ordem institucional ou idealista. Frei Marcelo não ampliou a maneira que se praticava a religião seguindo filosofias revisadas por ele nem corrigiu leis, ordens e regras. O seu rompimento não ocorreu por meio de um crescimento dentro da religião, mas para além dela. Sendo assim, a sua reciclagem intraconsciencial abandonou os princípios da doutrina cristã a fim de encontrar liberdade de pensamento, uma forma de estudo que o possibilitaria "maior alcance evolutivo das tarefas do esclarecimento (p.24)" , segundo afirma-se no seu livro. Frei Marcelo admitiu, racionalmente, uma mudança de paradigma: encontrou aquele em que a consciência assume as rédeas de sua própria evolução; saiu da epiderme espiritual para ampliar seu universo interior de possibilidades; passou a ter uma "cosmovisão racional proporcionada pelo paradigma consciencial (p.25)."
Marcelo da Luz lança agora Onde a Religião Termina, a obra na qual ele expõe todo o processo de dissidência vivido com a Igreja Católica, "a renúncia pública à crença religiosa ou o abandono da religião (p.19)," e nos brinda com seu notável exemplarismo, numa tomada de decisão fundamentada no auto-enfrentamento, no empenho destemido da reciclagem intraconsciencial e na coragem também para vencer uma auto-mimese religiosa, possivelmente, secular. Todos sabem o quanto é difícil romper com antigos valores e velhos comportamentos. Para termos uma vaga idéia disso basta pensarmos em como é duro nos desfazermos de objetos da casa, hábitos corriqueiros e até mesmo maneiras de pensar. Uma auto-atualização mnemônica, isto é, da memória, aparentemente poderia não nos trazer maiores pesares, caso se resumisse à uma mera mudança de auto-imagem. A nossa memória não guarda apenas nossas formas de agir e pensar, mas, sobretudo, carências, necessidades e, de uma forma geral, uma insondável vulnerabilidade a tudo que é novo. Tomando por base o ser humano comum, tememos o novo em maior ou menor grau, quando este envolve mudança de comportamento e hábitos. "A eliminação de vícios, a superação de ideologias, o abandono de instituições ou de estilos de vida não equivalem a simplesmente mudar de endereço, trocar de roupa ou permutar um carro (p.21)." As mudanças envolvem "um movimento consciencial," para o qual precisamos ter uma convicção inquestionável quanto às nossas novas necessidades e uma vontade inquebrantável para ampliar os horizontes daquilo que alimenta a nossa fome de evolução.
ONDE A RELIGIÃO TERMINA
Marcelo da Luz
Ed. Editares R$ 68,00
Venda Online: http://www.shopcons.com.br/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=295
A entrevista a seguir foi dada por Marcelo da Luz ao Programa Ciência & Consciência, na TV Compléxis, com direção de Ton Martins e apresentação de Amaury Pontieri. Nela, o escritor fala de sua obra e nos revela os bastidores da sua exemplar reciclagem de vida.
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Onde a Religião Começa
A discussão sobre religião e ciência tem inspirado autores os mais diversos, sobretudo, ao longo desta década e algumas publicações merecem destaque, como "O Fim da Fé" de Sam Harris, "Deus Não é Tão Grande" de Christopher Hitchens e "Deus: um Delírio" de Richard Dawkins. Em todas elas há um interesse demasiadamente científico em investigar a existência de Deus, buscando utilizar a razão em novas abordagens aos métodos do pensamento religioso e a lógica na concepção divina.
Essas publicações fazem também um alerta sobre os perigos da manipulação de líderes religiosos em geral, assim como ressaltam a importância do senso crítico. Contudo, mais do que expor a intenção de revisar os valores das religiões, essas obras visam não apenas lembrar o passado violento do poder eclesiástico e contar os seus mortos (leia-se Inquisição e Cruzadas), mas igualmente oferecer modelos não-religiosos (leia-se Ciência) para se chegar à verdade "absoluta," o que parece uma intenção equivocada, pois o universo nos mostra que a verdade nele contida é irremediavelmente renovável.
Um modelo de pensamento baseado em fatos e casuísticas pessoais, na construção de uma verdade relativa de ponta, entretanto, não parece ser de forma alguma do interesse da Igreja e nem do interesse da Ciência. Se a autoridade da Igreja tem sido indiscutível ao longo de dezenas de séculos, primeiro, como parceira da monarquia, e mais tarde, como conselheira de governantes dos mais díspares regimes, a classe científica se mostra cética e inflexível com qualquer forma de teoria baseada unicamente no auto-experimento e não abre mão da observação terceirizada. Em ambas, a liberdade de pensamento tem os seus limites.
Contudo, a validade mesmo questionada da Igreja de hoje mostra que sua postura dogmática e doutrinadora de outrora ainda atende às necessidades espirituais da grande maioria dos seres humanos. O exercício da espiritualidade usado pelas religiões pode ser uma evidência clara do atual momento evolutivo no planeta: utilizando uma forma de pensamento rudimentar (adoração) e primária (crença), o ser humano devoto ainda precisa de um líder religioso para (1) lhe mostrar um caminho salvador, (2) apresentar evidências de um Criador universal, onipotente e onipresente, capaz tanto de iluminar vidas com dádivas como escurecê-las com punições, (3) interpretar os ensinamentos de um salvador santificado, representante do Criador, e (4) usufruir de uma instituição religiosa para que a fé seja posta em prática, com a visualização desse caminho por meio de cultos, sessões, rituais, missas etc., tudo a um preço módico (dízimo), seja em dinheiro ou em dedicação.
É inegável que a religião ainda é válida para a grande maioria das pessoas e sua postura dogmática, dominante e irrefutável segue fundamentada na necessidade de prover beatificação, milagres, crenças e muletas espirituais para aqueles que precisam, atuando num mercado salvacionista o qual, se já não é tão estatisticamente dominante como em séculos pretéritos, ainda segue se beneficiando da lenta marcha evolucionária neste planeta. Embora o exercício de doutrinação usado por muitas religiões ainda seja visto como uma forma de manutenção de poder e interesse no domínio das massas, a questão mais significativa não deve ser colocada na intenção das religiões, mas na condição de vulnerabilidade dos seres humanos espiritualmente ainda dependentes de padres, igrejas e santos.
Tanto o poder material, na cobrança de dízimos às igrejas e o conseqüente enriquecimento de seus proprietários, presidentes etc., tornando igrejas verdadeiras empresas, com taxas de crescimento de fiéis e aumento de patrimônio, quanto o poder político, que já se espalha na mídia e nas eleições de vereadores, deputados, senadores e até presidentes da república.
O uso da fé como forma de enriquecimento material não é uma novidade. Na Idade Média a Igreja Católica vendia indulgências aos seus seguidores, com a promessa de que ela os daria acesso ao paraíso. Hoje o dízimo lhes garante a mesma coisa, quando Jesus voltar para reunir os pagantes e esquecer todo o resto pagão. Para os fiéis, o dízimo é justo e ninguém se recusa a pagar o valor por alguns anos de vida terrena se ele lhes dará em troca uma eternidade no paraíso. Isto é, as compensações de uma vida no Éden são muito mais valiosas do que apenas 10% do valor dos seus salários na Terra.
Além da discussão sobre o poder das igrejas hoje em dia, autores céticos costumam confrontar religião e ciência com a intenção de mostrar que não há razão alguma para se acreditar em Deus nem lógica em ser manipulado por um padre ou pastor. Mas esses escritores desprezam a condição do observado, isto é, a necessidade dos fiéis em ter crenças e alguém que os guie, seja um líder ou um salvador ou ambos, e descartam a realidade de que a média da humanidade ainda está muito aquém de conquistar e utilizar o pensamento científico nas suas convicções.
Tanto a religião quanto à ciência atendem a necessidades diferentes, na medida em que uma quebra paradigmas com o olhar no futuro, a outra tenta manter suas tradições com o olhar no passado. Desde o século XVI, porém, tem sido comum a visão de que a religião e a ciência empregam diferentes métodos para se dirigir a questões diferentes, sendo o método científico uma abordagem objetiva para mensurar, calcular e descrever o universo natural, físico e material e as religiões mais subjetivas, baseando-se nas noções variáveis de autoridade, revelação, intuição, crença no sobrenatural, na experiência individual, ou uma combinação destas para compreender o universo.
Infelizmente, a história da humanidade mostra que houve uso de intolerância, imposição e dogmatismo tanto das religiões quanto da ciência. Exemplos dessas intolerâncias são respectivamente a Inquisição na Idade Média e o método científico. Richard Dawkins, por exemplo, ridiculariza a crença em Deus com argumentos ditos por ele como sendo científicos, porém repletos de visões ditas como verdades absolutas, ignorando o âmbito das hipóteses pessoais através das auto-experimentações: a ciência convencional não coloca o pesquisador no centro da sua pesquisa. O seu olhar é sempre exógeno, no outro, externo à sua realidade intraconsciencial e, portanto, isento de exemplarismo e autovivenciologia.
O discurso sobre o papel das religiões hoje em dia ignora a importância que elas têm para uma grande maioria de consciências ainda imaturas para pensar por si mesmas e ignorantes o suficiente sobre os assuntos do além para distinguir o fato da crença. As religiões não deveriam estar no centro das discussões, e sim a vulnerabilidade do momento evolutivo do ser humano neste planeta.Se deve ser um princípio comum o respeito ao próximo, deve-se também evitar toda postura que deprecie ou desvalorize a concepção da consciência imatura e fira os valores de igualdade entre todos, quer advindos das religiões ou da ciência. Não é com desprezo que iremos entender aqueles que ainda precisam das religiões, nem tampouco caçoando da sua necessidade de busca espiritual que promoveremos alguma mudança.
Um olhar mais racional para o tema nos colocaria mais diretamente no cerne da questão: o momento evolutivo da humanidade. A discussão sobre o que as religiões têm feito e ainda fazem e qual o seu legado não responde a questão sobre a razão pela qual a humanidade ainda precisa de tais métodos religiosos, doutrinas, seitas, simbologias, rituais etc. A análise deve partir da realidade evolutiva do planeta a fim de encontrarmos hipóteses capazes de fazer o ser humano despertar para a sua realidade. Aqui já não vale a direção a ser tomada, isto é, a doutrina, o método etc, mas a condição de necessidade e uma proposta evolucionária capaz de alavancar a evolução humana no planeta. A busca espiritual por meio do outro deve dar lugar, primeiramente, à busca pela maturidade consciencial, quebrando, assim, o ciclo de existências na condição de máquinas controladas à distância.
Essas publicações fazem também um alerta sobre os perigos da manipulação de líderes religiosos em geral, assim como ressaltam a importância do senso crítico. Contudo, mais do que expor a intenção de revisar os valores das religiões, essas obras visam não apenas lembrar o passado violento do poder eclesiástico e contar os seus mortos (leia-se Inquisição e Cruzadas), mas igualmente oferecer modelos não-religiosos (leia-se Ciência) para se chegar à verdade "absoluta," o que parece uma intenção equivocada, pois o universo nos mostra que a verdade nele contida é irremediavelmente renovável.
Um modelo de pensamento baseado em fatos e casuísticas pessoais, na construção de uma verdade relativa de ponta, entretanto, não parece ser de forma alguma do interesse da Igreja e nem do interesse da Ciência. Se a autoridade da Igreja tem sido indiscutível ao longo de dezenas de séculos, primeiro, como parceira da monarquia, e mais tarde, como conselheira de governantes dos mais díspares regimes, a classe científica se mostra cética e inflexível com qualquer forma de teoria baseada unicamente no auto-experimento e não abre mão da observação terceirizada. Em ambas, a liberdade de pensamento tem os seus limites.
Contudo, a validade mesmo questionada da Igreja de hoje mostra que sua postura dogmática e doutrinadora de outrora ainda atende às necessidades espirituais da grande maioria dos seres humanos. O exercício da espiritualidade usado pelas religiões pode ser uma evidência clara do atual momento evolutivo no planeta: utilizando uma forma de pensamento rudimentar (adoração) e primária (crença), o ser humano devoto ainda precisa de um líder religioso para (1) lhe mostrar um caminho salvador, (2) apresentar evidências de um Criador universal, onipotente e onipresente, capaz tanto de iluminar vidas com dádivas como escurecê-las com punições, (3) interpretar os ensinamentos de um salvador santificado, representante do Criador, e (4) usufruir de uma instituição religiosa para que a fé seja posta em prática, com a visualização desse caminho por meio de cultos, sessões, rituais, missas etc., tudo a um preço módico (dízimo), seja em dinheiro ou em dedicação.
É inegável que a religião ainda é válida para a grande maioria das pessoas e sua postura dogmática, dominante e irrefutável segue fundamentada na necessidade de prover beatificação, milagres, crenças e muletas espirituais para aqueles que precisam, atuando num mercado salvacionista o qual, se já não é tão estatisticamente dominante como em séculos pretéritos, ainda segue se beneficiando da lenta marcha evolucionária neste planeta. Embora o exercício de doutrinação usado por muitas religiões ainda seja visto como uma forma de manutenção de poder e interesse no domínio das massas, a questão mais significativa não deve ser colocada na intenção das religiões, mas na condição de vulnerabilidade dos seres humanos espiritualmente ainda dependentes de padres, igrejas e santos.
Tanto o poder material, na cobrança de dízimos às igrejas e o conseqüente enriquecimento de seus proprietários, presidentes etc., tornando igrejas verdadeiras empresas, com taxas de crescimento de fiéis e aumento de patrimônio, quanto o poder político, que já se espalha na mídia e nas eleições de vereadores, deputados, senadores e até presidentes da república.
O uso da fé como forma de enriquecimento material não é uma novidade. Na Idade Média a Igreja Católica vendia indulgências aos seus seguidores, com a promessa de que ela os daria acesso ao paraíso. Hoje o dízimo lhes garante a mesma coisa, quando Jesus voltar para reunir os pagantes e esquecer todo o resto pagão. Para os fiéis, o dízimo é justo e ninguém se recusa a pagar o valor por alguns anos de vida terrena se ele lhes dará em troca uma eternidade no paraíso. Isto é, as compensações de uma vida no Éden são muito mais valiosas do que apenas 10% do valor dos seus salários na Terra.
Além da discussão sobre o poder das igrejas hoje em dia, autores céticos costumam confrontar religião e ciência com a intenção de mostrar que não há razão alguma para se acreditar em Deus nem lógica em ser manipulado por um padre ou pastor. Mas esses escritores desprezam a condição do observado, isto é, a necessidade dos fiéis em ter crenças e alguém que os guie, seja um líder ou um salvador ou ambos, e descartam a realidade de que a média da humanidade ainda está muito aquém de conquistar e utilizar o pensamento científico nas suas convicções.
Tanto a religião quanto à ciência atendem a necessidades diferentes, na medida em que uma quebra paradigmas com o olhar no futuro, a outra tenta manter suas tradições com o olhar no passado. Desde o século XVI, porém, tem sido comum a visão de que a religião e a ciência empregam diferentes métodos para se dirigir a questões diferentes, sendo o método científico uma abordagem objetiva para mensurar, calcular e descrever o universo natural, físico e material e as religiões mais subjetivas, baseando-se nas noções variáveis de autoridade, revelação, intuição, crença no sobrenatural, na experiência individual, ou uma combinação destas para compreender o universo.
Infelizmente, a história da humanidade mostra que houve uso de intolerância, imposição e dogmatismo tanto das religiões quanto da ciência. Exemplos dessas intolerâncias são respectivamente a Inquisição na Idade Média e o método científico. Richard Dawkins, por exemplo, ridiculariza a crença em Deus com argumentos ditos por ele como sendo científicos, porém repletos de visões ditas como verdades absolutas, ignorando o âmbito das hipóteses pessoais através das auto-experimentações: a ciência convencional não coloca o pesquisador no centro da sua pesquisa. O seu olhar é sempre exógeno, no outro, externo à sua realidade intraconsciencial e, portanto, isento de exemplarismo e autovivenciologia.
O discurso sobre o papel das religiões hoje em dia ignora a importância que elas têm para uma grande maioria de consciências ainda imaturas para pensar por si mesmas e ignorantes o suficiente sobre os assuntos do além para distinguir o fato da crença. As religiões não deveriam estar no centro das discussões, e sim a vulnerabilidade do momento evolutivo do ser humano neste planeta.Se deve ser um princípio comum o respeito ao próximo, deve-se também evitar toda postura que deprecie ou desvalorize a concepção da consciência imatura e fira os valores de igualdade entre todos, quer advindos das religiões ou da ciência. Não é com desprezo que iremos entender aqueles que ainda precisam das religiões, nem tampouco caçoando da sua necessidade de busca espiritual que promoveremos alguma mudança.
Um olhar mais racional para o tema nos colocaria mais diretamente no cerne da questão: o momento evolutivo da humanidade. A discussão sobre o que as religiões têm feito e ainda fazem e qual o seu legado não responde a questão sobre a razão pela qual a humanidade ainda precisa de tais métodos religiosos, doutrinas, seitas, simbologias, rituais etc. A análise deve partir da realidade evolutiva do planeta a fim de encontrarmos hipóteses capazes de fazer o ser humano despertar para a sua realidade. Aqui já não vale a direção a ser tomada, isto é, a doutrina, o método etc, mas a condição de necessidade e uma proposta evolucionária capaz de alavancar a evolução humana no planeta. A busca espiritual por meio do outro deve dar lugar, primeiramente, à busca pela maturidade consciencial, quebrando, assim, o ciclo de existências na condição de máquinas controladas à distância.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Consciências Universais: Galileu Galilei (1564 - 1642)
Galileu e sua linha do tempo
1564 - Galileu Galilei nasceu em Pisa.
1581 - Matriculou-se na Escola de Artes da sua cidade, com a finalidade de estudar medicina. Contudo, não terminou o curso e dedicou-se aos estudos da matemática, que eram os seus prediletos, ao lado da observação dos fenômenos físicos.
1589 - Foi nomeado catedrático de matemática na Universidade de Pisa.
1604 - Após longos períodos de experimentação na Torre Inclinada da cidade natal, Galileu formulou a lei da queda livre dos corpos, elemento básico para a mecânica racional.
1610 - Deu início às suas observações astronômicas e passou a trabalhar em Florença, sendo protegido de Cosimo II de Médici. A descoberta, por Galileu, das manchas solares, acarretou para ele a ira dos teólogos, porquanto a hipótese do nosso autor colocava em risco a suposição da harmonia cósmica e da perfeição dos corpos que integravam as camadas superiores do Céu, que deveriam ser constituídos de “matéria pura”, sem manchas. As autoridades vaticanas obrigaram-no a não mais ensinar as teorias de Copérnico, bem como as hipóteses levantadas sobre as manchas solares. Durante algum tempo Galileu ficou calado.
1623 - Após polêmica com um padre jesuíta acerca da natureza dos cometas, Galileu voltou a insistir nas suas observações, criticando acirradamente as observações de Aristóteles acerca do cosmo. Os teólogos romanos voltaram à carga, obrigando Galileu a se apresentar no Tribunal do Santo Ofício.
1633 - Condenado pela Inquisição romana, Galileu foi obrigado a abjurar acerca das suas teorias científicas, a fim de não sofrer a tortura a que tinha sido submetido outro grande cientista e pensador, Giordano Bruno..
1600 - Recolhido à sua casa, o nosso autor dedicou-se, nos últimos anos de vida, a reescrever alguns dos seus livros.
1642 - Galileu faleceu.
Uma vida dedicada aos estudos científicos
Físico , matemático , astrônomo , filósofo , literato italiano demonstrou ser bom estudante desde cedo. Sua família mudou-se para Florença em 1574 e Galileu foi educado pelos monges do mosteiro de Camaldolese, em uma cidade vizinha. Em 1581, com apenas 17 anos de idade, Galileu começou a estudar Medicina na Universidade de Pisa. Seu interesse pela Medicina nunca evoluiu. Porém era grande seu interesse pela Física e matemática. Finalmente, em 1585, Galileu abandonou a Medicina. Foi o criador do método experimental e da dinâmica. Fez estudos muito importantes sobre o movimento dos graves e descobriu a lei do isocronismo do pêndulo. Ensinou matemática em Pisa e em Pádua e frequentou a corte de Cosimo II de Médicis , como "filósofo." Construiu o primeiro óculo e com isso efectuou extraordinárias descobertas de astronomia, entre as quais os satélites de Júpiter, as fases de Venus, os mares da Lua e as manchas do Sol. Defendeu as teorias de Copérnico, fato que incorreu na perseguição do Santo Ofício, defensor do sistema ptolomaico. Galileu teve então um primeiro processo e foi proibido de continuar a defender o sistema copernicano. Mas não obedeceu à Igreja e assim teve um novo processo. Embora muito doente, foi condenado ao cárcere e obrigado a deslocar-se para Roma. A pena foi mais tarde comutada em residência fixa, em Arcetri perto de Florença . Continuou a trabalhar apesar de ter ficado cego, assistido por muitos alunos entre os quais Evangelista Torricelli.
Aspectos fundamentais da contribuição de Galileu
A fundamentação do método. Este teria, no sentir do pensador, quatro passos básicos, que seriam, em primeiro lugar, a observação dos fenômenos, tal como estes são apreendidos pelo observador, afastados os preconceitos extracientíficos; em segundo lugar, a formulação da hipótese, como explicação tentativa que deveria ser confirmada; em terceiro lugar, a experimentação, em virtude da qual toda afirmação sobre fenômenos naturais deveria ser verificada, mediante a produção do fenômeno em determinadas circunstâncias, ou mediante a observação sistemática dos fatos que são objetos da ciência; em quarto lugar, a formulação da lei, que seria possível graças à identificação de regularidades matemáticas na natureza.
A Adoção do ponto de vista cinemático, que antecipava a perspectiva transcendental kantiana, o que tornou Galileu o fundador da física moderna
O ponto de vista cinemático é caracterizado pelo físico e filósofo belga Jean Ladrière em dois pontos: em primeiro lugar, interesse centrado no estudo dos fenômenos observados, mediante o método experimental e a matematização dos dados obtidos; em segundo lugar, abandono definitivo da preocupação em torno às causas dos fenômenos, que remeteria à existência de uma substância oculta sob os mesmos.
Galileu firmou, no terreno das ciências, uma nova maneira de abordar os fenômenos, não como camadas que ocultam a substância, na busca de uma realidade metafísica idealizada, mas como algo que deve ser observado e que constitui o real captado pelos nossos sentidos. A propósito dessa contribuição galileana, escreveu José Américo Motta Peçanha: “Galileu tornou-se o criador da física moderna, quando enunciou as leis fundamentais do movimento; foi também um dos maiores astrônomos de todos os tempos, pelas observações pioneiras que fez com o telescópio. Essas descobertas, contudo, foram resultado de uma nova maneira de abordar os fenômenos da natureza, e nisso reside sua importância dentro da história da filosofia. No campo das idéias filosóficas, Galileu é mais importante pelas contribuições que fez ao método científico, do que propriamente pelas revelações físicas e astronômicas encontradas em suas obras.”
A Valorização das matemáticas como instrumento para o conhecimento científico
Galileu estabeleceu um sentido indissolúvel entre ciência e matematização da natureza. As matemáticas, segundo o pensador, aproximariam a nossa razão do entendimento divino, numa retomada da via mística dos pitagóricos e do neoplatonismo. No entanto, tanto em Galileu como posteriormente em Newton, as matemáticas estavam também inseridas numa exigência epistemológica diferente da cultuada na Antigüidade - vale ressaltar que, embora esse tipo de conhecimento nos aproximasse da Inteligência Divina (um conceito formulado através da crença na época), elas permitiam a tradução exata dos fenômenos naturais apreendidos apenas pela experiência (o que científico).
Em relação a essa valorização do conhecimento matemático, Galileu frisava: “O intelecto humano compreende algumas proposições tão perfeitamente e tem tão absoluta certeza, quanto pode ter a própria natureza; e isso ocorre nas ciências matemáticas puras das que o intelecto divino sabe, não obstante, infinitas proposições a mais, pois as sabe todas; mas das poucas entendidas pelo intelecto humano, creio que o seu conhecimento iguala-se à certeza objetiva divina, porque chega a compreender a necessidade, sobre a qual não parece poder existir segurança maior”
Rodolfo Mondolfo destacou, por sua vez, o caráter de exatidão que as matemáticas possuem segundo Galileu, insistindo em que, nesse aspecto, bem como na possibilidade de todos os homens terem acesso a esse tipo de conhecimento, consiste propriamente a “divindade” postulada. A respeito, afirma Mondolfo: “Ao privilégio atribuído pelos místicos aos poucos eleitos que podem chegar ao arroubo do êxtase, substitui-se (…) uma possibilidade aberta a todos os que submetem a sua mente aos processos e métodos do pensamento científico.”
A Defesa da ética do cientista: buscar diuturnamente a verdade científica e comunicá-la com fidelidade aos seus semelhantes
Esse é o tema que prevalece na obra de Galileu, O Ensaiador. No seguinte trecho dessa obra, o pensador e cientista italiano deixa claro que, para fazer ciência, é necessário se afastar do argumento de autoridade e da busca pura e simples da popularidade, a fim de partir, com coragem, para a exploração da natureza, para interpretar os fenômenos da mesma com a ajuda da matemática. Frisa a respeito Galileu, ao rebater as maquinações de Lotário Sarsi, um dos seus detratores: “Parece-me também perceber em Sarsi sólida crença que, para filosofar, seja necessário apoiar-se nas opiniões de algum célebre autor, de tal forma que o nosso raciocínio, quando não concordasse com as demonstrações de outro, tivesse que permanecer estéril e infecundo. Talvez considere a filosofia como um livro e fantasia de um homem, como a Ilíada e Orlando Furioso, livros em que a coisa menos importante é a verdade daquilo que apresentam escrito. Senhor Sarsi, a coisa não é assim. A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles nós vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto”
Galileu: A Batalha do Céu - Parte 1
Galileu: A Batalha do Céu - Parte2
Galileu: A Batalha do Céu - Parte3
Galileu: A Batalha do Céu - Parte4
Galileu: A Batalha do Céu - Parte5
Galileu: A Batalha do Céu - Parte 6
Galileu: A Batalha do Céu - Parte7
Galileu: A Batalha do Céu - Parte 8
Galileu: A Batalha do Céu - Parte 9
Galileu: A Batalha do Céu - Parte 10
Galileu: A Batalha do Céu - Parte Final
Referências
[José Américo Motta Peçanha, “Galileu, vida e obra”, in: Galileu, O Ensaiador, tradução de Helda Barraco et alii, São Paulo: Nova Cultural, 1987, pg. VIII-IX]; Galileu, citado por Rodolfo Mondolfo, in: Figuras e idéias da filosofia na Renascença, tradução de Lycurgo Gomes da Motta, São Paulo: Mestre Jou, 1967, p. 130]; [Galileu, O Ensaiador, ob. cit., p. 21]; [Motta Peçanha, ob cit., p. IX]; [Mondolfo, ob. cit., p. 130]; video: Nova Online - vídeo baseado no Best Seller de Dava Sobel "A Filha de Galileu."
1564 - Galileu Galilei nasceu em Pisa.
1581 - Matriculou-se na Escola de Artes da sua cidade, com a finalidade de estudar medicina. Contudo, não terminou o curso e dedicou-se aos estudos da matemática, que eram os seus prediletos, ao lado da observação dos fenômenos físicos.
1589 - Foi nomeado catedrático de matemática na Universidade de Pisa.
1604 - Após longos períodos de experimentação na Torre Inclinada da cidade natal, Galileu formulou a lei da queda livre dos corpos, elemento básico para a mecânica racional.
1610 - Deu início às suas observações astronômicas e passou a trabalhar em Florença, sendo protegido de Cosimo II de Médici. A descoberta, por Galileu, das manchas solares, acarretou para ele a ira dos teólogos, porquanto a hipótese do nosso autor colocava em risco a suposição da harmonia cósmica e da perfeição dos corpos que integravam as camadas superiores do Céu, que deveriam ser constituídos de “matéria pura”, sem manchas. As autoridades vaticanas obrigaram-no a não mais ensinar as teorias de Copérnico, bem como as hipóteses levantadas sobre as manchas solares. Durante algum tempo Galileu ficou calado.
1623 - Após polêmica com um padre jesuíta acerca da natureza dos cometas, Galileu voltou a insistir nas suas observações, criticando acirradamente as observações de Aristóteles acerca do cosmo. Os teólogos romanos voltaram à carga, obrigando Galileu a se apresentar no Tribunal do Santo Ofício.
1633 - Condenado pela Inquisição romana, Galileu foi obrigado a abjurar acerca das suas teorias científicas, a fim de não sofrer a tortura a que tinha sido submetido outro grande cientista e pensador, Giordano Bruno..
1600 - Recolhido à sua casa, o nosso autor dedicou-se, nos últimos anos de vida, a reescrever alguns dos seus livros.
1642 - Galileu faleceu.
Maiores obras
Defesa contra as calúnias e imposturas de Baldessar Capra (1607), Mensageiro celeste (1610), Discurso sobre as coisas que estão sobre a água (1612), História e demonstrações sobre as manchas solares (1612), Discurso sobre o fluxo e refluxo do mar (1616), Diálogo sobre os dois maiores sistemas (1623), O Ensaiador (1623), Discurso sobre duas ciências novas (1638).
Defesa contra as calúnias e imposturas de Baldessar Capra (1607), Mensageiro celeste (1610), Discurso sobre as coisas que estão sobre a água (1612), História e demonstrações sobre as manchas solares (1612), Discurso sobre o fluxo e refluxo do mar (1616), Diálogo sobre os dois maiores sistemas (1623), O Ensaiador (1623), Discurso sobre duas ciências novas (1638).
Uma vida dedicada aos estudos científicos
Físico , matemático , astrônomo , filósofo , literato italiano demonstrou ser bom estudante desde cedo. Sua família mudou-se para Florença em 1574 e Galileu foi educado pelos monges do mosteiro de Camaldolese, em uma cidade vizinha. Em 1581, com apenas 17 anos de idade, Galileu começou a estudar Medicina na Universidade de Pisa. Seu interesse pela Medicina nunca evoluiu. Porém era grande seu interesse pela Física e matemática. Finalmente, em 1585, Galileu abandonou a Medicina. Foi o criador do método experimental e da dinâmica. Fez estudos muito importantes sobre o movimento dos graves e descobriu a lei do isocronismo do pêndulo. Ensinou matemática em Pisa e em Pádua e frequentou a corte de Cosimo II de Médicis , como "filósofo." Construiu o primeiro óculo e com isso efectuou extraordinárias descobertas de astronomia, entre as quais os satélites de Júpiter, as fases de Venus, os mares da Lua e as manchas do Sol. Defendeu as teorias de Copérnico, fato que incorreu na perseguição do Santo Ofício, defensor do sistema ptolomaico. Galileu teve então um primeiro processo e foi proibido de continuar a defender o sistema copernicano. Mas não obedeceu à Igreja e assim teve um novo processo. Embora muito doente, foi condenado ao cárcere e obrigado a deslocar-se para Roma. A pena foi mais tarde comutada em residência fixa, em Arcetri perto de Florença . Continuou a trabalhar apesar de ter ficado cego, assistido por muitos alunos entre os quais Evangelista Torricelli.
Aspectos fundamentais da contribuição de Galileu
A fundamentação do método. Este teria, no sentir do pensador, quatro passos básicos, que seriam, em primeiro lugar, a observação dos fenômenos, tal como estes são apreendidos pelo observador, afastados os preconceitos extracientíficos; em segundo lugar, a formulação da hipótese, como explicação tentativa que deveria ser confirmada; em terceiro lugar, a experimentação, em virtude da qual toda afirmação sobre fenômenos naturais deveria ser verificada, mediante a produção do fenômeno em determinadas circunstâncias, ou mediante a observação sistemática dos fatos que são objetos da ciência; em quarto lugar, a formulação da lei, que seria possível graças à identificação de regularidades matemáticas na natureza.
Galileu estruturou todo o conhecimento científico da natureza e abalou os alicerces que fundamentavam a concepção medieval do mundo
O estudioso brasileiro José Américo Motta Peçanha sintetizou, da seguinte forma, o alcance da contribuição galileana, no terreno da ciência e da filosofia: “Formulando esses princípios, Galileu estruturou todo o conhecimento científico da natureza e abalou os alicerces que fundamentavam a concepção medieval do mundo. Destruiu a idéia de que o mundo possui uma estrutura finita, hierarquicamente ordenada, e substituiu-a pela visão de um universo aberto, indefinido e até mesmo infinito. Em lugar de conceber o mundo como dividido em duas partes, uma superior, constituída pelo Céu, e outra inferior, a Terra em que vive o homem, mostrou que todos os objetos físicos devem ser concebidos como sendo da natureza e tratados de modo idêntico, pelo menos por aqueles que desejam conhecer cientificamente o Universo. Pôs de lado o finalismo aristotélico, segundo o qual tudo aquilo que ocorre na natureza ocorre para cumprir desígnios superiores; e mostrou que a natureza é, fundamentalmente, um conjunto de fenômenos mecânicos, tal como afirmara Demócrito na Antigüidade. Demonstrou o engano do espírito puramente lógico e dedutivo da filosofia aristotélico-escolástica, quando aplicado à explicação dos fenômenos físicos. E mostrou, finalmente, que o livro do universo está escrito em caracteres matemáticos e que sem um conhecimento dos mesmos, os homens não poderão compreendê-lo”
A Adoção do ponto de vista cinemático, que antecipava a perspectiva transcendental kantiana, o que tornou Galileu o fundador da física moderna
O ponto de vista cinemático é caracterizado pelo físico e filósofo belga Jean Ladrière em dois pontos: em primeiro lugar, interesse centrado no estudo dos fenômenos observados, mediante o método experimental e a matematização dos dados obtidos; em segundo lugar, abandono definitivo da preocupação em torno às causas dos fenômenos, que remeteria à existência de uma substância oculta sob os mesmos.
Galileu é mais importante pelas contribuições que fez ao método científico, do que propriamente pelas revelações físicas e astronômicas encontradas em suas obras
Galileu firmou, no terreno das ciências, uma nova maneira de abordar os fenômenos, não como camadas que ocultam a substância, na busca de uma realidade metafísica idealizada, mas como algo que deve ser observado e que constitui o real captado pelos nossos sentidos. A propósito dessa contribuição galileana, escreveu José Américo Motta Peçanha: “Galileu tornou-se o criador da física moderna, quando enunciou as leis fundamentais do movimento; foi também um dos maiores astrônomos de todos os tempos, pelas observações pioneiras que fez com o telescópio. Essas descobertas, contudo, foram resultado de uma nova maneira de abordar os fenômenos da natureza, e nisso reside sua importância dentro da história da filosofia. No campo das idéias filosóficas, Galileu é mais importante pelas contribuições que fez ao método científico, do que propriamente pelas revelações físicas e astronômicas encontradas em suas obras.”
A Valorização das matemáticas como instrumento para o conhecimento científico
Galileu estabeleceu um sentido indissolúvel entre ciência e matematização da natureza. As matemáticas, segundo o pensador, aproximariam a nossa razão do entendimento divino, numa retomada da via mística dos pitagóricos e do neoplatonismo. No entanto, tanto em Galileu como posteriormente em Newton, as matemáticas estavam também inseridas numa exigência epistemológica diferente da cultuada na Antigüidade - vale ressaltar que, embora esse tipo de conhecimento nos aproximasse da Inteligência Divina (um conceito formulado através da crença na época), elas permitiam a tradução exata dos fenômenos naturais apreendidos apenas pela experiência (o que científico).
Em relação a essa valorização do conhecimento matemático, Galileu frisava: “O intelecto humano compreende algumas proposições tão perfeitamente e tem tão absoluta certeza, quanto pode ter a própria natureza; e isso ocorre nas ciências matemáticas puras das que o intelecto divino sabe, não obstante, infinitas proposições a mais, pois as sabe todas; mas das poucas entendidas pelo intelecto humano, creio que o seu conhecimento iguala-se à certeza objetiva divina, porque chega a compreender a necessidade, sobre a qual não parece poder existir segurança maior”
Rodolfo Mondolfo destacou, por sua vez, o caráter de exatidão que as matemáticas possuem segundo Galileu, insistindo em que, nesse aspecto, bem como na possibilidade de todos os homens terem acesso a esse tipo de conhecimento, consiste propriamente a “divindade” postulada. A respeito, afirma Mondolfo: “Ao privilégio atribuído pelos místicos aos poucos eleitos que podem chegar ao arroubo do êxtase, substitui-se (…) uma possibilidade aberta a todos os que submetem a sua mente aos processos e métodos do pensamento científico.”
"Na luz da razão, livremente exercida,
reside a sua maior dignidade."
A Exaltação da liberdade de pensamento, como condição necessária para a ciência
Galileu, bem como os demais filósofos remanescentes do período Renascentista, notadamente Giordano Bruno, Leão Hebreu e Leonardo da Vinci, insiste em que, "sem liberdade, perde-se o maior bem que um homem pode ter na face da Terra: o conhecimento das leis da natureza como manifestações da presença divina no Cosmo e o reconhecimento, no próprio homem, de que na luz da razão, livremente exercida, reside a sua maior dignidade."
Galileu, bem como os demais filósofos remanescentes do período Renascentista, notadamente Giordano Bruno, Leão Hebreu e Leonardo da Vinci, insiste em que, "sem liberdade, perde-se o maior bem que um homem pode ter na face da Terra: o conhecimento das leis da natureza como manifestações da presença divina no Cosmo e o reconhecimento, no próprio homem, de que na luz da razão, livremente exercida, reside a sua maior dignidade."
Para fazer ciência, é necessário se afastar do argumento de autoridade e da busca pura e simples da popularidade
A Defesa da ética do cientista: buscar diuturnamente a verdade científica e comunicá-la com fidelidade aos seus semelhantes
Esse é o tema que prevalece na obra de Galileu, O Ensaiador. No seguinte trecho dessa obra, o pensador e cientista italiano deixa claro que, para fazer ciência, é necessário se afastar do argumento de autoridade e da busca pura e simples da popularidade, a fim de partir, com coragem, para a exploração da natureza, para interpretar os fenômenos da mesma com a ajuda da matemática. Frisa a respeito Galileu, ao rebater as maquinações de Lotário Sarsi, um dos seus detratores: “Parece-me também perceber em Sarsi sólida crença que, para filosofar, seja necessário apoiar-se nas opiniões de algum célebre autor, de tal forma que o nosso raciocínio, quando não concordasse com as demonstrações de outro, tivesse que permanecer estéril e infecundo. Talvez considere a filosofia como um livro e fantasia de um homem, como a Ilíada e Orlando Furioso, livros em que a coisa menos importante é a verdade daquilo que apresentam escrito. Senhor Sarsi, a coisa não é assim. A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles nós vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto”
Galileu: A Batalha do Céu - Parte 1
Galileu: A Batalha do Céu - Parte2
Galileu: A Batalha do Céu - Parte3
Galileu: A Batalha do Céu - Parte4
Galileu: A Batalha do Céu - Parte5
Galileu: A Batalha do Céu - Parte 6
Galileu: A Batalha do Céu - Parte7
Galileu: A Batalha do Céu - Parte 8
Galileu: A Batalha do Céu - Parte 9
Galileu: A Batalha do Céu - Parte 10
Galileu: A Batalha do Céu - Parte Final
Referências
[José Américo Motta Peçanha, “Galileu, vida e obra”, in: Galileu, O Ensaiador, tradução de Helda Barraco et alii, São Paulo: Nova Cultural, 1987, pg. VIII-IX]; Galileu, citado por Rodolfo Mondolfo, in: Figuras e idéias da filosofia na Renascença, tradução de Lycurgo Gomes da Motta, São Paulo: Mestre Jou, 1967, p. 130]; [Galileu, O Ensaiador, ob. cit., p. 21]; [Motta Peçanha, ob cit., p. IX]; [Mondolfo, ob. cit., p. 130]; video: Nova Online - vídeo baseado no Best Seller de Dava Sobel "A Filha de Galileu."
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