Bem vindo ao Via Consciência, um blog dedicado à comunicação conscienciológica, onde o ser humano em evolução é o principal tema de pesquisa.

Todos os textos neste blog são de autoria de Mário Luna Filho, salvo aqueles em que a fonte for mencionada. Críticas e comentários são bem vindos.

"Não acredite em nada que ler ou ouvir neste blog. Reflita. Tenha suas próprias opiniões e experiências."

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

DOCUMENTÁRIO HOMO SAPIENS PARAPSYCHICUS SAI PRIMEIRO EM TRAILER

Estou de volta após alguns meses de recesso, dedicados à produção e edição de vídeos, entre outros projetos de voluntariado, que não me deram tempo nem escolha para pensar em outra coisa. Ufa! Aos seguidores que ficaram esse tempo sem postagens e notícias, mas pacientes, retorno com trailer promocional não-oficial do meu futuro documentário Homo Sapiens Parapsychicus, um projeto de estréia, que aborda a paranormalidade como uma faculdade parapsíquica inerente ao ser humano, da qual ele faz uso com maior ou menor grau de lucidez e controle - "o ser humano é, em sua essência, um ser parapsíquico e pluriexistencial, isto é, com, sucessivas experiências reencarnatórias (ressomáticas) as quais determinam hoje o seu nível evolutivo.

A razão do trailer sair primeiro do que documentário ocorre pelo fato de tê-lo preparado para participar do The One Minute Festival na categoria trailer. Mas isso ficou para uma poutra ocasião. Trabalho pronto, mas não final, apresento este até-aqui a vocês.

Música: trecho de "Through the Portal" by Jamin Winans - Licença de uso por Double Edge Films
Direção e imagens: Mário Luna

sábado, 19 de março de 2011

Inversão Existencial Via Consciência

Meu nome é Nicolas, tenho 16 anos, sou voluntário da ASSINVÉXIS-RJ, estou no terceiro ano do ensino médio e aplico a técnica da inversão existencial.

O que é a inversão existencial?  a inversão existencial é uma técnica que foi desenvolvida e proposta pelo professor Waldo Vieira em 1998. Significa você atingir a sua maturidade consciencial, superando desde a juventude os porões consciênciais, priorizando a sua evolução e a execução da sua proéxis (programação existencial). É claro que uma pessoa que é jovem e aplica a invéxis desde cedo terá muito mais tempo para se dedicar à sua programação existencial do que uma pessoa que já viveu a fase inicial de sua existência, muitas vezes, com egocentrismos, mimetismos destrutivos, envolvida com amizades ociosas que nada acrescentam evolutivamente falando. Essas pessoas com baixa lucidez evolutiva só costumam pensar em crescimento pessoal na fase executiva da programação existencial, isto é, após os 40 anos.

Você quer dizer que uma pessoa que já esteja na fase executiva da proéxis, que seja evolutivamente imatura ou que tenha tido algum tipo de relação com drogas e bebida, entre outros fatores abortadores da proéxis, não podem aplicar a invéxis? Depende. Se a pessoa fez suas reciclagens pessoais antes da fase executiva e está disposta a aplicar a invéxis, ela pode aplicar a técnica, isto é, fazer um maxi-planejamento da sua existência e não perder tempo com os mata-burros, que são atitudes que podem fazer você tropeçar e não avançar na sua trajetória evolutiva de vida, não chegando, assim, ao completismo existencial. 

Há outro modo de acelerar a evolução pessoal, além da técnica da inversão exitencial, para alguém na fase executiva da proéxis? Há a recéxis, ou reciclagem consciencial, que é uma técnica na qual a consciência investe seu tempo na auto-pesquisa para ganhar auto- conhecimento, e, dessa forma, superar seus traços fardos, ou pontos fracos.

Qual é a melhor maneira de evoluir, Nicolas?  Penso que não existe uma maneira melhor nem pior de evoluir, mas processos mais rápidos e mais lentos, pois o importante é que todos evoluam ao seu tempo. Posso afirmar que o inversor existencial, por ter acessado idéias evolutivas mais cedo, acelera a sua evolução pessoal e, obviamente, ganha mais tempo para desenvolver a sua proéxis do que um reciclante.

Qual é a relação da inversão existencial com as religiões ou os processos místicos? A invéxis é uma técnica sem influências de dogmas ou de qualquer tipo de religião ou seita. O principal foco da técnica está na auto-assistência, ou seja, no crescimento pessoal, e na hetero-assistência, ou assistência ao próximo. Ao aplicar a técnica, é muito importante destacar que você precisa conhecer bem a si próprio, através da autopesquisa e fazendo auto-crítica. E também aceitar heterocriticas como uma forma de auto-pesquisa. É importante perceber o que está havendo de errado com você, com as suas atitudes e saber o que precisa ser mudado. É importante também você reconhecer os seus trafores (traços fortes), e trafares (traços fardos), para que você possa superar esses trafares e utilizar os trafores em favor da sua evolução. 

O processo deve ser muito honesto e responsável, não? Claro! Agora, se você tem consciência da multidimensionalidade e da responsabilidade que tem neste planeta, a razão que fez você nascer nele, e, ainda assim, continuar a fazer coisas que prejudicam a sua evolução, a sua vida vira uma auto-corrupção, um auto-engano, o que são grandes mata-burros da invéxis.

Há algum requisito pessoal importante para o inversor existencial na aplicação da técnica? Três características, ou traços-força, são fundamentais na aplicação da técnica e fazem parte do que chamamos de tridotação: inteligência, comunicabilidade e parapsiquismo. Primeiro, precisamos desenvolver a intelectualidade, lendo, estudando, entendendo mais sobre o mundo em que vivemos. Segundo, precisamos desenvolver a comunicabilidade, sendo comunicativo com as pessoas, nos colocando disponíveis para falar, mas também para ouvir os outros, interagindo com pessoas diferentes, sempre com o foco na assistência. E terceiro, precisamos desenvolver o parapsquismo, que é muito importante, porque quanto mais responsabilidade intrafisica a gente tenha, mais responsabilidade extra-fisica a gente também terá. É importante que você esteja preparado para enfrentar as pressões energéticas que chegam com as reciclagens pessoais. Para isso, utilizamos o parapsiquismo, a auto-defesa energética, por exemplo, ao nosso favor, fazendo contato com amparo de função e evitando assediadores e guia-cegos, que podem até ser consciências bem intencionadas em ajudar, mas ainda imaturas demais para discernir o que é bom e ruim, o certo e o errado, evolutivamente falando.

Há alguma sugestão de leitura para aprofundar o estudo da técnica da invexis? Para compreender um pouco melhor a técnica da invéxis é interessante também estudar sobre as neociências projeciologia e conscienciologia (www.iipc.org). Elas estão ligadas diretamente à invexologia, que é o estudo aprofundado sobre a inversão existencial.

Mas é bom lembrar: não acredite em nada, tenha as suas próprias experiências. Não só nós, da ASSINVÉXIS (Associação Internacional de Inversão Existencial), ou os pesquisadores da projeciologia e da conscienciologia como um todo, devemos adotar esse lema, que é o Principio da Descrença. Todos devem experimentar, ter as suas próprias experiências e conclusões. Se você quiser saber um pouco mais sobre o que é a invéxis, pesquise mais seriamente sobre essa técnica. Visite o site da ASSINVEX - www.assinvexis.org e boas reciclagens!

terça-feira, 8 de março de 2011

A Reconstrução de uma Consciência

Por religião entende-se a crença na existência de forças ou entidades sobre-humanas responsáveis pela criação, ordenação e sustentação do universo; forma particular que essa crença assume com base em cada uma das diversas doutrinas formuladas; existência vivida em obediência escrita aos princípios de um sistema religioso; respeito ou reverência às coisas sagradas; vínculo a uma forma de pensamento ou crença que encerra uma concepção filosófica (Dicionário Eletrônico Aulete). Enquanto sacerdote dedicado por vinte anos aos serviços da Igreja Católica Apostólica Romana, o então Frei Marcelo foi um religioso idealista, leal, responsável e dedicado, imbuído na busca de encontrar a vida consagrada e no exercício do pleno sacerdócio.

Na igreja, Frei Marcelo foi um pregador da palavra cristã para milhares de pessoas, pastor comprometido a inúmeros  fiéis e catequizador eficaz para muitos jovens dispostos a iniciar os estudos da vida religiosa. Mas a religião, aos poucos, foi deixando sem respostas vários questionamentos de Frei Marcelo na medida em que os seus interesses e dúvidas se avolumavam além dos muros da igreja. A religião esgotava para ele as suas possibilidades evolutivas. Foi então que se viu diante de uma crise de crescimento ao decidir, primeiramente, encarar o auto-confrontamento. Enquanto religioso, Frei Marcelo nunca abandonou a busca da sabedoria por meio de uma verdade lógica. Esse caminho, como era de se esperar, o levou à racionalização da doutrina religiosa e a questionamentos cada vez mais frequentes, fato que, por si só, já demonstra crescimento e que mais tarde o levaria a tomar a decisão do rompimento definitivo com a instituição religiosa.

Essa dissidência, no entanto, não foi apenas de ordem institucional ou idealista. Frei Marcelo não ampliou a maneira que se praticava a religião seguindo filosofias revisadas por ele nem corrigiu leis, ordens e regras. O seu rompimento não ocorreu por meio de um crescimento dentro da religião, mas para além dela. Sendo assim, a sua reciclagem intraconsciencial abandonou os princípios da doutrina cristã a fim de encontrar liberdade de pensamento, uma forma de estudo que o possibilitaria "maior alcance evolutivo das tarefas do esclarecimento (p.24)" , segundo afirma-se no seu livro. Frei Marcelo admitiu, racionalmente, uma mudança de paradigma: encontrou aquele em que a consciência assume as rédeas de sua própria evolução; saiu da epiderme espiritual para ampliar seu universo interior de possibilidades; passou a ter uma "cosmovisão racional proporcionada pelo paradigma consciencial (p.25)."

Marcelo da Luz lança agora Onde a Religião Termina, a obra na qual ele expõe todo o processo de dissidência vivido com a Igreja Católica, "a renúncia pública à crença religiosa ou o abandono da religião (p.19)," e nos brinda com seu notável exemplarismo, numa tomada de decisão fundamentada no auto-enfrentamento, no empenho destemido da reciclagem intraconsciencial e na coragem também para vencer uma auto-mimese religiosa, possivelmente, secular. Todos sabem o quanto é difícil romper com antigos valores e velhos comportamentos. Para termos uma vaga idéia disso basta pensarmos em como é duro nos desfazermos de objetos da casa, hábitos corriqueiros e até mesmo maneiras de pensar. Uma auto-atualização mnemônica, isto é, da memória, aparentemente poderia não nos trazer maiores pesares, caso se resumisse à uma mera mudança de auto-imagem. A nossa memória não guarda apenas nossas formas de agir e pensar, mas, sobretudo, carências, necessidades e, de uma forma geral, uma insondável vulnerabilidade a tudo que é novo. Tomando por base o ser humano comum, tememos o novo em maior ou menor grau, quando este envolve mudança de comportamento e hábitos. "A eliminação de vícios, a superação de ideologias, o abandono de instituições ou de estilos de vida não equivalem a simplesmente mudar de endereço, trocar de roupa ou permutar um carro (p.21)."  As mudanças envolvem "um movimento consciencial," para o qual precisamos ter uma convicção inquestionável quanto às nossas novas necessidades e uma vontade inquebrantável para ampliar os horizontes daquilo que alimenta a nossa fome de evolução.

ONDE A RELIGIÃO TERMINA
Marcelo da Luz
Ed. Editares R$ 68,00
Venda Online: http://www.shopcons.com.br/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=295

A entrevista a seguir foi dada por Marcelo da Luz ao Programa Ciência & Consciência, na TV Compléxis, com direção de Ton Martins e apresentação de Amaury Pontieri. Nela, o escritor fala de sua obra e nos revela os bastidores da sua exemplar reciclagem de vida.

PARTE 1



PARTE 2



PARTE 3



PARTE 4





sábado, 5 de fevereiro de 2011

Onde a Religião Começa

A discussão sobre religião e ciência tem inspirado autores os mais diversos, sobretudo, ao longo desta década e algumas publicações merecem destaque, como "O Fim da Fé" de Sam Harris, "Deus Não é Tão Grande" de Christopher Hitchens e "Deus: um Delírio" de Richard Dawkins. Em todas elas há um interesse demasiadamente científico em investigar a existência de Deus, buscando utilizar a razão em novas abordagens aos métodos do pensamento religioso e a lógica na concepção divina.

Essas publicações fazem também um alerta sobre os perigos da manipulação de líderes religiosos em geral, assim como ressaltam a importância do senso crítico. Contudo, mais do que expor a intenção de revisar os valores das religiões, essas obras visam não apenas lembrar o passado violento do poder eclesiástico e contar os seus mortos (leia-se Inquisição e Cruzadas), mas igualmente oferecer modelos não-religiosos (leia-se Ciência) para se chegar à verdade "absoluta," o que parece uma intenção equivocada, pois o universo nos mostra que a verdade nele contida é irremediavelmente renovável.

Um modelo de pensamento baseado em fatos e casuísticas pessoais, na construção de uma verdade relativa de ponta, entretanto, não parece ser de forma alguma do interesse da Igreja e nem do interesse da Ciência. Se a autoridade da Igreja tem sido indiscutível ao longo de dezenas de séculos, primeiro, como parceira da monarquia, e mais tarde, como conselheira de governantes dos mais díspares regimes, a classe científica se mostra cética e inflexível com qualquer forma de teoria baseada unicamente no auto-experimento e não abre mão da observação terceirizada. Em ambas, a liberdade de pensamento tem os seus limites.

Contudo, a validade mesmo questionada da Igreja de hoje mostra que sua postura dogmática e doutrinadora de outrora ainda atende às necessidades espirituais da grande maioria dos seres humanos. O exercício da espiritualidade usado pelas religiões pode ser uma evidência clara do atual momento evolutivo no planeta: utilizando uma forma de pensamento rudimentar (adoração) e primária (crença), o ser humano devoto ainda precisa de um líder religioso para (1) lhe mostrar um caminho salvador, (2) apresentar evidências de um Criador universal, onipotente e onipresente, capaz tanto de iluminar vidas com dádivas como escurecê-las com punições, (3) interpretar os ensinamentos de um salvador santificado, representante do Criador, e (4) usufruir de uma instituição religiosa para que a fé seja posta em prática, com a visualização desse caminho por meio de cultos, sessões, rituais, missas etc., tudo a um preço módico (dízimo), seja em dinheiro ou em dedicação.

É inegável que a religião ainda é válida para a grande maioria das pessoas e sua postura dogmática, dominante e irrefutável segue fundamentada na necessidade de prover beatificação, milagres, crenças e muletas espirituais para aqueles que precisam, atuando num mercado salvacionista o qual, se já não é tão estatisticamente dominante como em séculos pretéritos, ainda segue se beneficiando da lenta marcha evolucionária neste planeta. Embora o exercício de doutrinação usado por muitas religiões ainda seja visto como uma forma de manutenção de poder e interesse no domínio das massas, a questão mais significativa não deve ser colocada na intenção das religiões, mas na condição de vulnerabilidade dos seres humanos espiritualmente ainda dependentes de padres, igrejas e santos.

Tanto o poder material, na cobrança de dízimos às igrejas e o conseqüente enriquecimento de seus proprietários, presidentes etc., tornando igrejas verdadeiras empresas, com taxas de crescimento de fiéis e aumento de patrimônio, quanto o poder político, que já se espalha na mídia e nas eleições de vereadores, deputados, senadores e até presidentes da república.

O uso da fé como forma de enriquecimento material não é uma novidade. Na Idade Média a Igreja Católica vendia indulgências aos seus seguidores, com a promessa de que ela os daria acesso ao paraíso. Hoje o dízimo lhes garante a mesma coisa, quando Jesus voltar para reunir os pagantes e esquecer todo o resto pagão. Para os fiéis, o dízimo é justo e ninguém se recusa a pagar o valor por alguns anos de vida terrena se ele lhes dará em troca uma eternidade no paraíso. Isto é, as compensações de uma vida no Éden são muito mais valiosas do que apenas 10% do valor dos seus salários na Terra.

Além da discussão sobre o poder das igrejas hoje em dia, autores céticos costumam confrontar religião e ciência com a intenção de mostrar que não há razão alguma para se acreditar em Deus nem lógica em ser manipulado por um padre ou pastor. Mas esses escritores desprezam a condição do observado, isto é, a necessidade dos fiéis em ter crenças e alguém que os guie, seja um líder ou um salvador ou ambos, e descartam a realidade de que a média da humanidade ainda está muito aquém de conquistar e utilizar o pensamento científico nas suas convicções.

Tanto a religião quanto à ciência atendem a necessidades diferentes, na medida em que uma quebra paradigmas com o olhar no futuro, a outra tenta manter suas tradições com o olhar no passado. Desde o século XVI, porém, tem sido comum a visão de que a religião e a ciência empregam diferentes métodos para se dirigir a questões diferentes, sendo o método científico uma abordagem objetiva para mensurar, calcular e descrever o universo natural, físico e material e as religiões mais subjetivas, baseando-se nas noções variáveis de autoridade, revelação, intuição, crença no sobrenatural, na experiência individual, ou uma combinação destas para compreender o universo.

Infelizmente, a história da humanidade mostra que houve uso de intolerância, imposição e dogmatismo tanto das religiões quanto da ciência. Exemplos dessas intolerâncias são respectivamente a Inquisição na Idade Média e o método científico. Richard Dawkins, por exemplo, ridiculariza a crença em Deus com argumentos ditos por ele como sendo científicos, porém repletos de visões ditas como verdades absolutas, ignorando o âmbito das hipóteses pessoais através das auto-experimentações: a ciência convencional não coloca o pesquisador no centro da sua pesquisa. O seu olhar é sempre exógeno, no outro, externo à sua realidade intraconsciencial e, portanto, isento de exemplarismo e autovivenciologia.

O discurso sobre o papel das religiões hoje em dia ignora a importância que elas têm para uma grande maioria de consciências ainda imaturas para pensar por si mesmas e ignorantes o suficiente sobre os assuntos do além para distinguir o fato da crença. As religiões não deveriam estar no centro das discussões, e sim a vulnerabilidade do momento evolutivo do ser humano neste planeta.Se deve ser um princípio comum o respeito ao próximo, deve-se também evitar toda postura que deprecie ou desvalorize a concepção da consciência imatura e fira os valores de igualdade entre todos, quer advindos das religiões ou da ciência. Não é com desprezo que iremos entender aqueles que ainda precisam das religiões, nem tampouco caçoando da sua necessidade de busca espiritual que promoveremos alguma mudança.

Um olhar mais racional para o tema nos colocaria mais diretamente no cerne da questão: o momento evolutivo da humanidade. A discussão sobre o que as religiões têm feito e ainda fazem e qual o seu legado não responde a questão sobre a razão pela qual a humanidade ainda precisa de tais métodos religiosos, doutrinas, seitas, simbologias, rituais etc. A análise deve partir da realidade evolutiva do planeta a fim de encontrarmos hipóteses capazes de fazer o ser humano despertar para a sua realidade. Aqui já não vale a direção a ser tomada, isto é, a doutrina, o método etc, mas a condição de necessidade e uma proposta evolucionária capaz de alavancar a evolução humana no planeta. A busca espiritual por meio do outro deve dar lugar, primeiramente, à busca pela maturidade consciencial, quebrando, assim, o ciclo de existências na condição de máquinas controladas à distância.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Consciências Universais: Galileu Galilei (1564 - 1642)

Galileu e sua linha do tempo
1564 - Galileu Galilei nasceu em Pisa.
1581 - Matriculou-se na Escola de Artes da sua cidade, com a finalidade de estudar medicina. Contudo, não terminou o curso e dedicou-se aos estudos da matemática, que eram os seus prediletos, ao lado da observação dos fenômenos físicos.
1589  - Foi nomeado catedrático de matemática na Universidade de Pisa.
1604 - Após longos períodos de experimentação na Torre Inclinada da cidade natal, Galileu formulou a lei da queda livre dos corpos, elemento básico para a mecânica racional.
1610 - Deu início às suas observações astronômicas e passou a trabalhar em Florença, sendo protegido de Cosimo II de Médici. A descoberta, por Galileu, das manchas solares, acarretou para ele a ira dos teólogos, porquanto a hipótese do nosso autor colocava em risco a suposição da harmonia cósmica e da perfeição dos corpos que integravam as camadas superiores do Céu, que deveriam ser constituídos de “matéria pura”, sem manchas. As autoridades vaticanas obrigaram-no a não mais ensinar as teorias de Copérnico, bem como as hipóteses levantadas sobre as manchas solares. Durante algum tempo Galileu ficou calado.
1623 - Após polêmica com um padre jesuíta acerca da natureza dos cometas, Galileu voltou a insistir nas suas observações, criticando acirradamente as observações de Aristóteles acerca do cosmo. Os teólogos romanos voltaram à carga, obrigando Galileu a se apresentar no Tribunal do Santo Ofício.
1633 - Condenado pela Inquisição romana, Galileu foi obrigado a abjurar acerca das suas teorias científicas, a fim de não sofrer a tortura a que tinha sido submetido outro grande cientista e pensador, Giordano Bruno..
1600 -  Recolhido à sua casa, o nosso autor dedicou-se, nos últimos anos de vida, a reescrever alguns dos seus livros.
1642 - Galileu faleceu.

Maiores obras

Defesa contra as calúnias e imposturas de Baldessar Capra (1607), Mensageiro celeste (1610), Discurso sobre as coisas que estão sobre a água (1612), História e demonstrações sobre as manchas solares (1612), Discurso sobre o fluxo e refluxo do mar (1616), Diálogo sobre os dois maiores sistemas (1623), O Ensaiador (1623), Discurso sobre duas ciências novas (1638).

Uma vida dedicada aos estudos científicos
Físico , matemático , astrônomo , filósofo , literato italiano  demonstrou ser bom estudante desde cedo. Sua família mudou-se para Florença em 1574 e Galileu foi educado pelos monges do mosteiro de Camaldolese, em uma cidade vizinha. Em 1581, com apenas 17 anos de idade, Galileu começou a estudar Medicina na Universidade de Pisa. Seu interesse pela Medicina nunca evoluiu. Porém era grande seu interesse pela Física e matemática. Finalmente, em 1585, Galileu abandonou a Medicina. Foi o criador do método experimental e da dinâmica. Fez estudos muito importantes sobre o movimento dos graves e descobriu a lei do isocronismo do pêndulo. Ensinou matemática em Pisa e em Pádua e frequentou a corte de Cosimo II de Médicis , como "filósofo." Construiu o primeiro óculo e com isso efectuou extraordinárias descobertas de astronomia, entre as quais os satélites de Júpiter, as fases de Venus, os mares da Lua e as manchas do Sol. Defendeu as teorias de Copérnico, fato que incorreu na perseguição do Santo Ofício, defensor do sistema ptolomaico. Galileu teve então um primeiro processo e foi proibido de continuar a defender o sistema copernicano. Mas não obedeceu à Igreja e assim teve um novo processo. Embora muito doente, foi condenado ao cárcere e obrigado a deslocar-se para Roma. A pena foi mais tarde comutada em residência fixa, em Arcetri perto de Florença . Continuou a trabalhar apesar de ter ficado cego, assistido por muitos alunos entre os quais Evangelista Torricelli.


Aspectos fundamentais da contribuição de Galileu
A fundamentação do método. Este teria, no sentir do pensador, quatro passos básicos, que seriam, em primeiro lugar, a observação dos fenômenos, tal como estes são apreendidos pelo observador, afastados os preconceitos extracientíficos; em segundo lugar, a formulação da hipótese, como explicação tentativa que deveria ser confirmada; em terceiro lugar, a experimentação, em virtude da qual toda afirmação sobre fenômenos naturais deveria ser verificada, mediante a produção do fenômeno em determinadas circunstâncias, ou mediante a observação sistemática dos fatos que são objetos da ciência; em quarto lugar, a formulação da lei, que seria possível graças à identificação de regularidades matemáticas na natureza.

Galileu estruturou todo o conhecimento científico da natureza e abalou os alicerces que fundamentavam a concepção medieval do mundo

O estudioso brasileiro José Américo Motta Peçanha sintetizou, da seguinte forma, o alcance da contribuição galileana, no terreno da ciência e da filosofia: “Formulando esses princípios, Galileu estruturou todo o conhecimento científico da natureza e abalou os alicerces que fundamentavam a concepção medieval do mundo. Destruiu a idéia de que o mundo possui uma estrutura finita, hierarquicamente ordenada, e substituiu-a pela visão de um universo aberto, indefinido e até mesmo infinito. Em lugar de conceber o mundo como dividido em duas partes, uma superior, constituída pelo Céu, e outra inferior, a Terra em que vive o homem, mostrou que todos os objetos físicos devem ser concebidos como sendo da natureza e tratados de modo idêntico, pelo menos por aqueles que desejam conhecer cientificamente o Universo. Pôs de lado o finalismo aristotélico, segundo o qual tudo aquilo que ocorre na natureza ocorre para cumprir desígnios superiores; e mostrou que a natureza é, fundamentalmente, um conjunto de fenômenos mecânicos, tal como afirmara Demócrito na Antigüidade. Demonstrou o engano do espírito puramente lógico e dedutivo da filosofia aristotélico-escolástica, quando aplicado à explicação dos fenômenos físicos. E mostrou, finalmente, que o livro do universo está escrito em caracteres matemáticos e que sem um conhecimento dos mesmos, os homens não poderão compreendê-lo”

A Adoção do ponto de vista cinemático, que antecipava a perspectiva transcendental kantiana, o que tornou Galileu o fundador da física moderna
O ponto de vista cinemático é caracterizado pelo físico e filósofo belga Jean Ladrière em dois pontos: em primeiro lugar, interesse centrado no estudo dos fenômenos observados, mediante o método experimental e a matematização dos dados obtidos; em segundo lugar, abandono definitivo da preocupação em torno às causas dos fenômenos, que remeteria à existência de uma substância oculta sob os mesmos.

Galileu é mais importante pelas contribuições que fez ao método científico, do que propriamente pelas revelações físicas e astronômicas encontradas em suas obras

Galileu firmou, no terreno das ciências, uma nova maneira de abordar os fenômenos, não como camadas que ocultam a substância, na busca de uma realidade metafísica idealizada, mas como algo que deve ser observado e que constitui o real captado pelos nossos sentidos. A propósito dessa contribuição galileana, escreveu José Américo Motta Peçanha: “Galileu tornou-se o criador da física moderna, quando enunciou as leis fundamentais do movimento; foi também um dos maiores astrônomos de todos os tempos, pelas observações pioneiras que fez com o telescópio. Essas descobertas, contudo, foram resultado de uma nova maneira de abordar os fenômenos da natureza, e nisso reside sua importância dentro da história da filosofia. No campo das idéias filosóficas, Galileu é mais importante pelas contribuições que fez ao método científico, do que propriamente pelas revelações físicas e astronômicas encontradas em suas obras.” 

A Valorização das matemáticas como instrumento para o conhecimento científico
Galileu estabeleceu um sentido indissolúvel entre ciência e matematização da natureza. As matemáticas, segundo o pensador, aproximariam a nossa razão do entendimento divino, numa retomada da via mística dos pitagóricos e do neoplatonismo. No entanto, tanto em Galileu como posteriormente em Newton, as matemáticas estavam também inseridas numa exigência epistemológica diferente da cultuada na Antigüidade - vale ressaltar que, embora esse tipo de conhecimento nos aproximasse da Inteligência Divina (um conceito formulado através da crença na época), elas permitiam a tradução exata dos fenômenos naturais apreendidos apenas pela experiência (o que científico).

Em relação a essa valorização do conhecimento matemático, Galileu frisava: “O intelecto humano compreende algumas proposições tão perfeitamente e tem tão absoluta certeza, quanto pode ter a própria natureza; e isso ocorre nas ciências matemáticas puras das que o intelecto divino sabe, não obstante, infinitas proposições a mais, pois as sabe todas; mas das poucas entendidas pelo intelecto humano, creio que o seu conhecimento iguala-se à certeza objetiva divina, porque chega a compreender a necessidade, sobre a qual não parece poder existir segurança maior”

Rodolfo Mondolfo destacou, por sua vez, o caráter de exatidão que as matemáticas possuem segundo Galileu, insistindo em que, nesse aspecto, bem como na possibilidade de todos os homens terem acesso a esse tipo de conhecimento, consiste propriamente a “divindade” postulada. A respeito, afirma Mondolfo: “Ao privilégio atribuído pelos místicos aos poucos eleitos que podem chegar ao arroubo do êxtase, substitui-se (…) uma possibilidade aberta a todos os que submetem a sua mente aos processos e métodos do pensamento científico.”

"Na luz da razão, livremente exercida, 
reside a sua maior dignidade."
 
A Exaltação da liberdade de pensamento, como condição necessária para a ciência
Galileu, bem como os demais filósofos remanescentes do período Renascentista, notadamente Giordano Bruno, Leão Hebreu e Leonardo da Vinci, insiste em que, "sem liberdade, perde-se o maior bem que um homem pode ter na face da Terra: o conhecimento das leis da natureza como manifestações da presença divina no Cosmo e o reconhecimento, no próprio homem, de que na luz da razão, livremente exercida, reside a sua maior dignidade."

Para fazer ciência, é necessário se afastar do argumento de autoridade e da busca pura e simples da popularidade

A Defesa da ética do cientista: buscar diuturnamente a verdade científica e comunicá-la com fidelidade aos seus semelhantes
Esse é o tema que prevalece na obra de Galileu, O Ensaiador. No seguinte trecho dessa obra, o pensador e cientista italiano deixa claro que, para fazer ciência, é necessário se afastar do argumento de autoridade e da busca pura e simples da popularidade, a fim de partir, com coragem, para a exploração da natureza, para interpretar os fenômenos da mesma com a ajuda da matemática. Frisa a respeito Galileu, ao rebater as maquinações de Lotário Sarsi, um dos seus detratores: “Parece-me também perceber em Sarsi sólida crença que, para filosofar, seja necessário apoiar-se nas opiniões de algum célebre autor, de tal forma que o nosso raciocínio, quando não concordasse com as demonstrações de outro, tivesse que permanecer estéril e infecundo. Talvez considere a filosofia como um livro e fantasia de um homem, como a Ilíada e Orlando Furioso, livros em que a coisa menos importante é a verdade daquilo que apresentam escrito. Senhor Sarsi, a coisa não é assim. A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles nós vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto”

Galileu: A Batalha do Céu - Parte 1



Galileu: A Batalha do Céu - Parte2



Galileu: A Batalha do Céu - Parte3



Galileu: A Batalha do Céu - Parte4



Galileu: A Batalha do Céu - Parte5



Galileu: A Batalha do Céu - Parte 6



Galileu: A Batalha do Céu - Parte7



Galileu: A Batalha do Céu - Parte 8



Galileu: A Batalha do Céu - Parte 9



Galileu: A Batalha do Céu - Parte 10



Galileu: A Batalha do Céu - Parte Final





Referências
[José Américo Motta Peçanha, “Galileu, vida e obra”, in: Galileu, O Ensaiador, tradução de Helda Barraco et alii, São Paulo: Nova Cultural, 1987, pg. VIII-IX]; Galileu, citado por Rodolfo Mondolfo, in: Figuras e idéias da filosofia na Renascença, tradução de Lycurgo Gomes da Motta, São Paulo: Mestre Jou, 1967, p. 130]; [Galileu, O Ensaiador, ob. cit., p. 21]; [Motta Peçanha, ob cit., p. IX]; [Mondolfo, ob. cit., p. 130]; video: Nova Online - vídeo baseado no Best Seller de Dava Sobel "A Filha de Galileu."