Bem vindo ao Via Consciência, um blog dedicado à comunicação conscienciológica, onde o ser humano em evolução é o principal tema de pesquisa.

Todos os textos neste blog são de autoria de Mário Luna Filho, salvo aqueles em que a fonte for mencionada. Críticas e comentários são bem vindos.

"Não acredite em nada que ler ou ouvir neste blog. Reflita. Tenha suas próprias opiniões e experiências."
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O ENGANO DA ZONA DE CONFORTO (COMPORTAMENTO)

    Às vezes, nos ver livres do que não presta ou nos afastarmos de uma pessoa por ela ser tóxica é uma forma de limpar um possível ladrão de energia. Porém, o que devemos usar nesse caso é o velho e bom discernimento, uma vez que viver o que não presta ou conhecer alguém tóxico pode implicar num tipo de aprendizado o qual temos que enfrentar, seja para reciclar ações e pessoas ou nos modificarmos a melhor diante delas. A nossa experiência sempre nos interessa. A evitação pode indicar omissão diante de algo que devemos fazer. Se você tem o hábito de afastar todos os problemas (situações e pessoas) sem resolvê-los, desconfie: você pode estar estagnado numa boa zona de conforto e adiando resoluções importantes. O nosso objetivo aqui deve ser deixar para trás o menor número possível de obras inacabadas.

domingo, 6 de dezembro de 2015

A RAIZ DA INTOLERÂNCIA COM O OCIDENTE (SOCIEDADE)

A civilização do planeta começa em três lugares, a Mesopotâmia é um deles; o Egito é um outro. Ambos encerram numa região limitada no oriente médio as principais religiões monoteístas. O islã foi a terceira grande religião, depois do judaísmo e o cristianismo. A fusão entre o cristianismo e o islamismo ocorre mais tarde de tal maneira que Adão, Moisés, Noé e Jesus Cristo foram inicialmente profetas islâmicos. A guerra de forças começa e aí surge o poderoso Império Persa, entram os gregos na disputa e o igualmente poderoso Império Romano, que acaba se partindo em dois, com o lado mais próximo do oriente médio resistindo bravamente. Mas, então, surge o Império Otomano, na Turquia, mas não com os turcos, e sim com os povos do norte asiático, liderados por Genghis Khan. O Império Otomano resiste na região por 600 anos, até a Primeira Guerra Mundial. Com o fim deste império, a Síria aparece no mapa pela primeira vez, assim como a Jordânia e o Iraque. Mas de onde saíram esses países? Em 1916, ocorre o Acordo de Sykes-Picot (por esse você não esperava!). Tal acordo tinha a palavra da Inglaterra e da França de que não invadiriam a região do Império Otomano, sem o apoio da população que vivia na região do império, na sua maioria árabes. Mas como a Inglaterra e a França conseguiram invadir sem o apoio da população? Fato é que ambos prometeram criar a Grande Arábia, um país exclusivo para os árabes. O problema foi que tal promessa era uma fraude. Uma vez na região, a Inglaterra criou o que hoje conhecemos por Palestina, Iraque e Jordânia, enquanto a França criou a Síria. Não eram países, na verdade, mas regiões demarcadas e comandadas pelas potências europeias. O interesse era o petróleo, o que passou a ser explorado à exaustão, com a chegada de empresas estrangeiras na região. Na Síria, os franceses expulsaram os sírios a patadas. Após a Segunda Guerra, os europeus deixam a região e os sírios exilados criam o Estado de Israel, que não foi reconhecido pelos seus vizinhos. Com a saída dos britânicos da região, esses estados vizinhos começam a atacar o Estado de Israel e a região vira um caos de intolerância. Com a saída da França, na Síria surge a luta pelo poder e inúmeros golpes de estado. Foi então que, algumas décadas depois, surge o Baaz, uma ideologia que mistura o sonho antigo de uma única nação árabe, com ideias socialistas e a formação de uma nação laica (sem religião dominante). As disputas então se desdobram na região, surgem mais povos nessa disputa: xiitas, sunitas, curdos e os braços radicais do islamismo, com a Al-Qaeda e, por fim, o Estado Islâmico, que hoje faz frente na Guerra Civil na Síria e semeia uma discórdia generalizada. Os grupos islâmicos radicais do terror surgem imbuídos de um regaste histórico movido pela religião, cultura e poder. O ódio ao ocidente é motivado pelo domínio europeu ocorrido há mais de 600 anos na região (talvez antes disso), com o Império Romano e, recentemente, a partir de 1916, com a Inglaterra e a França motivadas pela exploração do petróleo. A História é construída por efeitos-cascata e desdobramentos de eventos milenares. Para entender o presente é preciso conhecer o passado.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

CORRUPÇÃO NA SOCIEDADE: ESCOLAS (COMPORTAMENTO)

    Fazer parte de grupos de trabalho na escola e não participar de tarefa alguma, colar em provas e testes, realizar trabalhos com textos copiados da internet, assinar lista de presença em nome de colegas, passar cola ao colega, entre outros pequenos delitos são atos que mostram que a corrupção existe no meio de alunos desde cedo e que ela é, em grande parte, estimulada não só pela falta de interesse no aprendizado por parte do aluno, ...como na falta de interesse do sistema em educar, de fato, os alunos. Há meios de mudar esse quadro com um sistema de ensino que valorize as habilidades pessoas, através da descoberta de talentos, e eduque por meio do estímulo ao pensamento, mais questões discursivas do que as falidas multiplas escolhas (não valeria, no caso, a entrega do trabalho apenas, mas a sua apresentação em sala também). Para isso, o sistema precisa se atualizar, sair da pré-história, contratar mais profissionais, oferecer melhores salários e condições de trabalho aos professores e remodelar-se. Não vale apenas o aluno ter consciência de que ele precisa ter consciência, mas que os educadores também entendam que precisam ensinar a pensar, o que não acontece em todas as escolas.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A VELHA E CONTROVERTIDA QUESTÃO DA PENA DE MORTE (COMPORTAMENTO)

    Acabei de ler um texto muito interessante da Beatriz Lobato, que ilustra a incoerência humana como uma marca da involução do comportamento e da estagnação de princípios e valores, arraigados desde muito antes da época em que por aqui passou o filósofo Jesus Cristo. E é sobre ele que ela disserta: "Jesus passou a vida arrumando treta por questões sociais. Defendeu assassino, ladrão, puta, pobre e leproso. Juntou uma galera pra... defender a causa. Começou a fazer barulho. Conquistou o desafeto da classe média e da elite. Considerado subversivo, foi preso pelo Império. A classe média pedia pena de morte, mas o crime não a justificava. Pôncio Pilatos jogou o b.o. pra Herodes. Herodes se ligou na mesma coisa e devolveu o b.o.. Pilatos então deixou pra galera decidir. Bem pensado, porque desde aquele tempo, o povo já tava cheio de dateninha linchador. O cara foi executado ouvindo piadinha de justiceiro. E não foi morto "entre" bandidos. Foi executado pelo Estado COMO bandido - subversivo, o que de fato era. Enfim, o messias cristão foi um sujeito engajado em questões sociais, executado como bandido pelo Estado sob os aplausos dos justiceiros. Então, Jesus, se você estiver lendo isso e pensando em voltar, fica esperto. Essa "gente de bem" de hoje em dia vai te matar de novo enquanto come bacalhau e ovo de Páscoa." É... nada mudou por aqui.

terça-feira, 11 de março de 2014

AINDA SOMOS HOMENS DAS CAVERNAS (EVOLUÇÃO)

Desde os tempos em que se assava mamutes e tigres de sabre nas refeições e se vivia em cavernas, o ser humano neste planeta não foi criado para conviver em outra dimensão além da física. O mundo ainda se descortinava com suas novidades e abria lentamente o seu leque de possibilidades de existências. Aos poucos, a mente humana foi absorvendo o conteúdo da vida diária, aprendendo com ela e conquistou habilidades para lidar com a sobrevivência. A mente se moldou ao que ela podia enxergar, criou necessidades e gerou com isso eras de descobrimento. Os seres humanos então habituaram-se tão ferozmente à essa vida prática, que as propriedades transcendentais do cérebro caíram em desuso e se deixaram vencer pelo enfado anímico. Novas gerações surgiram nos séculos seguintes e o restringimento físico se consolidou de vez. Alguns historiadores garantem que o caçador primitivo, entre outras motivações, desenhava a presa na parede da caverna antevendo o sucesso da caça (intuição). Posteriormente, adquiriu o ritual de enterrar os mortos e nomeou as forças da natureza que desconhecia, dando origem à primeira tentativa de compreensão da realidade, o que chamamos de mito. Então surgiu o transcendental, o místico. Porém, possivelmente, ele já surgiu como algo assombroso e polêmico, pois fora com tais características que ele percorreu milênios até os dias de hoje como alvo de intenso massacre. O que aparentava atender a um processo evolutivo natural, a magia foi condenada, punida, massacrada e execrada da face da Terra como uma prática herege, quando as religiões passaram a comandar o planeta. Paradoxalmente, o homem amadurecia o espírito, mas desprezava os atributos desta mesma entidade e bania o que estabelecia a sua conexão multidimensional. Nos dias de hoje o parapsiquismo é uma habilidade amedrontada, negada, escondida, evitada ao ponto de, obrigatoriamente, ser reconquistada, quiçás, recriada no universo consciencial. E então, aqueles que recuperaram o privilégio de quebrar as barreiras das multiplas dimensões não evitam, infelizmente, considerar o quanto o ser humano mantém o seu lado cavernoso intacto, aquele mesmo que adorava os bisões rupestres e criava deuses para os proteger. Lá nas cavernas, milênios atrás, deixando nos dias de hoje a seguinte conclusão: ignorar a vida além da matéria e adorar deuses são necessidades primitivas. 

segunda-feira, 3 de março de 2014

BRASIL ENTRA NA ERA NEOLÍTICA (POLÍTICA)

O gigante foi acordado com uma pedrada na cabeça e, ao levantar-ser, deu início à uma nova era para o país: o Período Neolítico. Desde que deixamos o Período Militar Obrigatório e entramos na Era da Pseudodemocracia Capitalista, nunca vimos uma época de tantas novidades. Veio a virada econômica do Fernando Henrique e a fase da Pedra Lascada do Lula e sua corte de pandilheiros, carregando dinheiro onde podiam, até em cuecas, mas colocando sabe-se lá como o gigante nos melhores drafts econômicos mundiais. Hoje, ser a sexta economia do mundo não nos diz nada absolutamente, nem dá ao povo benefício algum que evite protesto, porque entre as dez mais, não há um país sequer com uma gigantesca diferença social como a nossa, ainda dirigido por um regime plutocrata bisonho - salvo na África, onde ele é bem comum. A sociedade também se contorce com as mudanças. Hoje Igrejas se tornaram empresas com relatórios de lucros e prejuízos e marketing share, produzindo riquezas astronômicas, mas continuam ditando os mesmos comportamentos da Era A.C. A onda conservadora que embota a nossa sociedade, retroalimentada por esse desmando religioso, já não provoca tsunamis como antes, mas mantém o povo em marés rasas. O que se aprende não se aplica, porque a vida moderna mudou de maneira rápida demais e as novas formas de ver e entender a vida ainda não foram assimiladas. Por conta desta visão rupestre generalizada, ainda se cria celeumas sobre beijos homossexuais, por exemplo. Navegar na internet hoje é ler sobre esse beijo da novela em todas as redes de notícias. O assunto ganhou contornos acadêmicos dramáticos, com análises antropológicas as mais diversificadas e discussões filosóficas sobre o amor dignas da Escola de Frankfurt e dos compêndios Jungianos/Freudianos. Bem, a pedrada foi certeira. Agora só nos resta torcer para que essa pedra não nos tranforme em Sísifos. Afinal de contas, estamos entrando na Era da Pedra Nova! 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

HOJE VOU FALAR SOBRE PAZ (COMPORTAMENTO)


Uma onda de problemas típicos da cidade grande cresce na medida em que o mundo se desgoverna. Na segunda-feira passada a Linha Vermelha esteve interditada por conta de um arrastão em massa que aconteceu na primeira hora do horário do rush. Na terça, houve um grande tiroteio no morro Grajaú-Jacarepáguá entre traficantes e policiais, que alterou a rota dos ônibus no começo da noite. Na quarta, a polícia fechou o cerco na avenida Washington Luís, nos arredores do Rio, para interceptar uma quadrilha que se preparava para roubar um carro-forte e no tiroteio, seis mortos ficaram no caminho, em plena tarde carioca. Na quinta, hoje, um novo tiroteio, dessa vez no bairro de Vila Isabel, interditou a avenida que dá acesso ao morro Grajaú-Jacarepaguá por volta das sete de noite. Todos esses eventos diários envolveram dúzias de pessoas, entre poiliciais e bandidos, e outra centena desavisada de civis, que assistia a tudo passivamente, sem saber para onde ir nem o que fazer. Todos eles aconteceram no meio da vida urbana fervilhante, com a cidade se abarrotando de gente de todos os lugares, que chegam às vésperas do Carnaval. Na mesma rotina urbana, passeatas saem à ruas diariamente e o trânsito se modifica a cada dia no centro da cidade, se altera sem explicação nem aviso prévio. Ruas são fechadas em minutos e milhares de pessoas atrasam em horas a ida para o trabalho ou a volta para casa. Uma fila interminável de ônibus se aglomera todas as horas dos dias úteis na principal via de acesso ao centro e lá usuários vêem passar pela janela horas de vida inutilmente, porque preferem esperar dentro dos veículos do que se aventurar a caminhar sob o sol abrasivo deste verão inegociável, com temperaturas acima dos 40°c. Mas o Rio de Janeiro não é só tiroteios nem se resume ao seu trânsito caótico. A cidade se engarrafa por passe de mágica, a população sofre nas ruas, dentro de carros, em ônibus, trens e metrôs, mas uma nova população desembarca em hordes jamais vistas para viver esse mesmo caos, esse mesmo trânsito, essa mesma violência urbana, as mesmas passeatas de injustiçados, o mesmo calor infernal no verão da cidade maravilhosa. Nesse cenário, fica mais fácil pensar em paz, porque ela está escondida em algum lugar, no meio de tudo isso. Ela faz falta e por isso o sonho de obtê-la está sempre presente. Ela é lembrada em outdoors e estampada em camisetas, fala-se de paz na TV e nas rádios, nas rodas de conversa e nos debates políticos, surgem nas manchetes dos jornais e das revistas. A paz está em todos os lugares, nem que seja transfigurada num simples desejo ou numa moeda da sorte. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

ESCREVI SOBRE O INEVITÁVEL: A COPA DO MUNDO NO BRASIL (COMPORTAMENTO)

Gente, essa coisa de fazer uma Copa do Mundo no Brasil é uma palhaçada... Todo mundo diz que esse país é gigante, mas esse gigante tá todo cheio de problema por dentro. Ele tem reumatismo social, pressão alta no sistema de saúde, cirrose cultural, bipolaridade na segurança e ainda tem dupla personalidade política, que nem terapia Gestalt dá jeito. Tá todo ferrado por dentro... é gigante no tamanho, mas ninguém vai levar esses jogadores pra jogar no meio da Floresta Amazônica, nas praias, nas chapadas, nos pampas, nos cafezais, nas matas atlânticas, no meio dos pés de cana de açúcar... Não vão. Vão todos para esses estádios milionários no orçamento e acabamento de quinta, porque os politicopatas estão todos ricos agora, cheios de verbas desviadas. O Pelé falou que esses desvios o turismo recupera. Ou seja, os gringos recuperam, porque os brasileiros mesmo não recuperam nada. Eu acho(, gente,) que Copa do Mundo deveria ser feita só em país que ocupasse, pelo menos, até a 30° posição no ranking de Renda Per Capita no mundo, de pelo menos USD 30.000. O Brasil ocupa a 54° posição no mundo, com USD 12.789 - é uma pobreza, e ainda com uma diferença social que põe qualquer filme de terror no chinelo. Sabe o quê? Essa Copa vai ser como o filme Jogos Mortais I, II e III (só vai até aí, né?). Ainda bem. Mortais porque nos hospitais tem uma penca de gente morrendo por falta de atendimento, há famílias vivendo abaixo da linha de pobreza morrendo de fome, gente morrendo tomando bala perdida ou direta mesmo, gente morrendo dentro dos estádios no meio da pancadaria, gente morrendo por falta de emprego, gente morrendo no trânsito, que é uma loucura! Então, como é que pode uma Copa ser sediada num lugar assim? É a mesma coisa que a gente comprar uma Mercedes pra pagar com o cheque especial. Não dá.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

ENTRE MORTOS EFERIDOS, ESCAPOU-SE A PRUDÊNCIA (CIDADE)

Acidentes acontecem sob os mais diversos motivos em qualquer parte do mundo e impressiona quando alguns deles acontecem superando todas as barreiras da evitação. Parece que a inevitabilidade de uma catástrofe vai levá-la a cabo não importa o que se faça para conter o arroubo do destino. Não há negociação com ele. Esse foi o caso deste acidente com a carreta na Linha Amarela, no Rio de Janeiro, hoje pela manhã. O motorista dirige por mais de 3km com a caçamba levantada, sem que nenhum motorista do seu lado o avise do fato (aqui se avisa quando a porta do carro está aberta), nem qualquer interceptação por parte da LAMSA, administradora da via, ou da Polícia Militar (PM), freie este "ensandecido" motorista. Imagino que isto seria possível porque interceptações acontecem, frequentemente, nesta via pela PM, quando, por exemplo, um carro está com o emplacamento vencido. Não houve hoje. Tampouco as cameras de vigilância da via parecem ter alguma finalidade séria - não esqueçamos que o motorista dirigiu por mais de 3km com a caçamba levantada e foi captado por pelo menos 4 cameras e NADA foi feito. A pergunta é: há alguém vendo essas cameras 24h por dia, como é de se esperar? Bem, se há, hoje, essa pessoa devia estar dormindo às 9 da manhã. Se não há, então, a sua finalidade é servir apenas para filmar acidentes ou justificar o recolhimento de multas por parte da PM por emplacamentos vencidos. Outra coisa: como sempre, moradores da vizinhança fazem o papel das equipes de resgates. Hoje, a demora dessas equipes custou a vida de uma das vítimas. Lamentável para uma administradora que cobra R$ 5,50 por carro e recolhe milhões de reais por mês com isso. 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

CINCO VIDAS, UM CELULAR E UMA ENORME ONDA DE ATRAÇÃO (COMPORTAMENTO)

Luiz Fernando Costa, motorista da carreta, confessou hoje à polícia que estava falando ao celular no momento em que a caçamba se chocou com a passarela na última terça-feira, às 9 da manhã, na Linha Amarela, no Rio de Janeiro, tirando a vida de 5 pessoas - mais uma vítima morreu esta tarde. Uma distração duramente explicada. Mas é difícil entender com que força a imprudência de um indivíduo determina o destino de cinco vidas. Talvez tivéssemos que recorrer à Física Quântica para buscar uma resposta física em alguma lei de atração e repulsão, que se move num comprimento de onda de luz (wavelength), antes de um evento colapsar na nossa realidade. Fico imaginando o evento se formando naquela passarela, encerrando o espaço numa densa bolha magnética de energia, no momento em que o motorista pega o celular e começa a falar, e a sua caçamba, por alguma outra força misteriosa, se auto-ejeta, "por vontade própria", e o caminhão segue uma trajetória fatal, sem que nada nem ninguém no trajeto possa conter o ímpeto dessa combustão irremediável do destino. Em meio a esse encarceramento energético, arremessando partículas de atração na extensão daquela via, cinco consciências são então fisgadas para o fim, envolvidas nessa massa de energia, possivelmente conduzidas por suas histórias pessoais e vulnerabilidades carmáticas, numa conclusão de vida que beira o inacreditável e nos mostra que, por mais que haja uma razão para a existência de qualquer evento no universo, nossos sentidos lutam para encontrar (e entender) esta razão inexorável. Rapidamente lançamos tantas perguntas no papel, sem, na verdade, a intenção de obter respostas por precaução de que a vida nos enlinhe os miolos. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

VICIADOS EM FILAS (COMPORTAMENTO)

A fila se tornou no Brasil um hábito rotineiro e muitos encontram prazer nela porque, simplesmente, é o momento em que é permitido não se fazer nada absolutamente com uma boa justificativa. Ali, o gânglio basal, órgão responsável pelos nossos atos repetitivos, reduz em 90% o seu funcionamento. Tudo fica na antesala da inércia total. Cabe apenas ao gânglio fazer-nos dar alguns passos de vez em quando e só. Na verdade, adoramos fazer fila, esperar e esperar. Nem os médicos particulares atendem nos horários marcados e fazem os pacientes esperarem, às vezes horas! Bem, leia-se "adoramos" na medida em que sou brasileiro, mas esqueçam me incluir nessa de fileiro; eu odeio filas. Não entro sem uma necessidade miserável, e só com um jornal ou um livro, porque a vida é curta para perdê-la cruelmente numa fila. Tempo é valioso. Um amigo me contou que, em Nova Iorque, ele viu um cara ser catapultado do caixa eletrônico do banco, porque a criatura decidiu ler o extrato em frente à máquina, quando já tinha terminado a sua operação. Um fileiro foi lá e deu um safanão nele, porque havia pessoas esperando para usar o caixa. Hoje, no caixa da padaria, a caixa decidiu organizar as suas moedas e deixou um fila de clientes em pé, esperando que ela terminasse de fazer, calmamente, esta operação. Como estava na minha vez, decidi despertá-la deste torpor matinal domingueiro... não acho que ela tenha gostado. Queria seguir ali, contando as moedinhas, calmamente, porque ela fazia aquilo com o gânglio basal.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

AS REDES SOCIAIS (COMPORTAMENTO)

Não tenho esperança de que todos os aceites de amizade no Facebook venham de pessoas do mesmo grupo intelectual, cultural e social. A sensação de dissintonia é perene e o deslocamento inevitável. Porém, saber lidar com as diferenças talvez seja o grande segredo da convivência evolucionária neste nosso planeta. Os interesses, em geral, são tão simples que me pergunto como se consegue achar graça na vida sem usar o pensamento. Na verdade, paradoxalmente, isso se torna uma vantagem na comunicação, pois é aqui que encontramos chances para educar e fazer desenvolver. A grande questão não vem das diferenças na convivialidade - isso é um valor; a grande questão é, onde estão os nossos amigos? Não digo aqueles com quem trabalhamos, estudamos, compartilhamos momentos, voluntariamos, ensinamos, brincamos, dividimos quartos, convivemos de alguma maneira. A palavra amigo aqui vem da paraprocedência, aquele lugar de onde viemos antes mesmo de termos nascido. Onde estão aqueles com quem nos afinizamos em ideias e interesses, compartilhamos informações que ambas as partes valorizam e movemos algo adiante que nos fortalece por dentro e por fora? A prática mostra que eles não estão em nenhum lugar em particular, não estão ligados a nada específico e nem se guiam pela lógica; eles brotam de onde menos se espera. Surgem "do nada" para ser "tudo". Contabilizando o número de pessoas que conhecemos, talvez nos frustre saber que esse "nosso povo", no sentido intrínseco da palavra, aparece aos poucos, em minorias, um aqui outro ali, mas, nessa contabilidade, eles crescem em valor e representam o resultado daquilo que realmente precisamos e do que, de fato, sentimos falta e buscamos. O verdadeiro amigo não é aquele que está sempre disponível quando precisamos dele. Mas aquele cujas ideias não apenas compartilhamos e valorizamos, mas, sobretudo, nos fazem crescer. Um texto em homenagem aos verdadeiros amigos do Facebook e de qualquer outro lugar! 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

UMA REFORMA URGENTE (COMPORTAMENTO)

Quando o escritor gaúcho Érico Veríssimo disse numa entrevista no começo dos anos 60 que a única reforma necessária no Brasil seria a reforma de caráter ele não só se referia à uma necessidade do povo brasileiro,como responsável pelos seus governantes, como também apontava o ponto crítico da própria política brasileira. Sem dúvida, foi uma frase atemporal, pois até hoje essa reforma ainda não foi feita. Por outro lado, diferente da formação política brasileira, originada na derrocada lusitana, ao tentar povoar o país com a escória portuguesa, o que nos deixou um legado moralmente lamentável, a sociedade se salva na mistura de raças. Um país povoado essencialmente por índios, e que importou 38% dos escravos comercializados nas Américas, se torna, ao longo do tempo, uma nação Iorubá mesclada com o puritanismo indígena, pois, na mesma medida em que o Brasil adotou a alma africana, absorveu também a natureza tribal, gerando o que hoje temos como a essência do comportamento do povo brasileiro - pacífico, alegre, cultural, festivo, ingênuo, familiar, místico e acolhedor. Um povo espirituoso, que gosta de festa, música, dança, comida, misticismo e da convivialidade. Esse espírito brasileiro autêntico é ímpar e valioso. Porém, há grandes questionamentos sobre o quanto o processo civilizatório mudaria esse comportamento tão original e hospitaleiro do povo brasileiro. O quanto nos tornar uma nação devidamente educada e politicamente crítica transformaria a alma brasileira em algo mais triste e frio, como são, em regra geral, as sociedades do primeiro mundo? Acredito que podemos unir os dois lados da moeda através da compreensão de cidadania. Uma mudança-chave no processo socialmente educador.