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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Você é um Emocionólatra ?

As emoções produzem moléculas que se ligam aos receptores das células. Tal como uma droga, essa ligação causa dependência e, com isso, incapacidade de mudar hábitos destrutivos, sentimento de impotência, ansiedade e frustração na tentativa de reciclar comportamentos patológicos.
Os usários de emoções repetitivas podem se deparar com um vício tão difícil de curar quanto o causado pelas drogas exógenas.


Texto baseado no livro Quem Somos Nós ? de William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente

O que acontece com o uso repetido de uma droga, seja ela o cigarro, a maconha ou heroína, acontece com o uso repetido da mesma emoção. As emoções produzem os peptídeos ou moléculas de emoção (MDEs), que se ligam aos receptores opióides das células, que começam a esperar, e mesmo ansiar, por aquele peptídeo específico. O corpo fica dependente daquela emoção. Tais receptores foram biologicamente preparados para receber as endorfinas, os neuropeptídeos produzidos pelo hipotálamo. Porém, em vez de receber a endorfina, a célula recebe a droga, seja ela química e artificial ou produzida por uma emoção, e se torna dependente.

A pesquisadora americana Candice Pett, Ph.D., descobriu que temos receptores específicos para a maconha. Nosso corpo produz internamente compostos químicos que dão a mesma sensação causada pela maconha. O mesmo acontece com qualquer droga. Segundo a pesquisdora, "existe dentro do corpo um composto químico análogo a cada uma das drogas e um receptor no qual ele pode se ligar. Temos uma maconha natural no corpo humana chamada endocanabinóide." As drogas exógenas (externas) se ligam na mesma rede projetada para fazer auto-regulação endógena (interna) da fisiologia. Tal rede consitui-se de MDEs. "Já há dados suficientes para sugerir que as drogas psicoativas não funcionam sem estarem ligadas a um receptor normalmente utilizado para secreções internas," diz a cientista.

Portanto, para qualquer droga externa que tenha efeito em nosso corpo existe uma contrapartida interna. Por essa razão, nosso corpo reconhece, responde e se torna dependente dessas drogas. As drogas externas usam os receptores internos feitos para receber produtos químicos internos. Aqui temos o exemplo mais direto de que concentrar num pensamento produz os neuropeptídeos adequados. O lobo central mantém aquele pensamento em particular, ativando a rede neurak específica, que envia seu sinal à nossa farmácia interna. Pensar em algo destrutivo não nos torna um ser negativo, mas se temos por hábito ter pensamentos negativos nos tornamos um dependente químico da emoção patológica.

Tal efeito pode ser visto também naqueles que gostam de acionar a adrenalina em esportes radicais, no dependente sexual que procura sensações cada vez mais bizarras, no político em busca de poder. Mas se procurarmos situações em que gostamos de sentir frequentemente determinadas emoções, esse quadro será bem mais comum do que imaginamos. O abuso constante dos compostos químicos que produzem emoções cria sítios receptores dessensibilizados para a adaptação de todos aqueles neuropeptídeos. As células não recebem uma refeição equilibrada, uma vez que recebem mais emoções de um só tipo, aqueles das quais somos dependentes, e acabam tendo uma menor nutrição.

O prazer proporcionado pelas compras, por exemplo, cria emoções ligadas ao ato de adquirir coisas novas de tal forma que a atividade se torna um vício. Contudo, quanto mais compramos, mais vontade de comprar teremos, pois as células alimentadas por essa emoção se tornam completamente dependentes da ação de comprar, até que, como um antibiótico tomado excessivamente, o alimento não mais saciará o apetite das células envolvidas e acabará como um ato simplesmente repetitivo, feito sem o prazer inicial, retroalimentado apenas pela automação. Cada vez que pararmos diante de uma vitrine, ouviremos as células gritando em coro, me alimente, me alimente!

Todos nós temos dependências emocionais de algum tipo. Isto é, as dependências emocionais são o motivo de as pessoas continuarem a criar determinadas realidades, embora uma grande minoria aceite o fato, e talvez uma minoria ainda mais significativa reconheça suas emoções repetitivas e passe a combatê-las. A única maneira de deixar para trás esses comportamentos repetitivos e as dependências emocionais é dizer: bem, o que faz eu ter essa dependência ? Se eu a criei, posso também eliminá-la. O vício nas emoções realmente parece algo assustador, posto que envolve ações corriqueiras, de rotina, essas que julgamos tão normais. Mas o hábito de comprar cria dependência na emoção das compensações materiais, o de centralizar ações cria dependências na emoção de sentir-se com poder, o de tornar-se vítima na emoção de se sentir apoiado, o de presentear na emoção de obter a simpatia dos outros e assim por diante.

"Dependência ? Não tenho nenhuma. Bem, sou viciado em algumas coisas. Como o quê ? insegurança, estresse, preocupação, mania de estar certo, controle, raiva, inflexibilidade, imposição, medo... já mencionei o estresse ?" MARK VICENTE

Ao ler sobre o emocionólatras, passei imediatamente a listar todos os hábitos que tenho e as emoções que sinto ao alimentá-los no dia-a-dia. Desde o hábito de comprar Doritos ao final do expediente até o de entrar numa livraria e levar livros e DVDs para casa, tiveram suas emoções identificadas e analisadas. O resultado foi que uma grande parte dos hábitos que tenho hoje contém emoções com as quais tenho algum nível de dependência automatizada.

Sentir prazer é saudável, posto que ninguém deve assumir que nasceu para sofrer e usar as emoções em dosagens hígidas nos mantém vivos no sentido mais positivo da palavra. Mas devemos desconfiar das atitudes que passam a assumir e controlar o nosso prazer, tornando-se repetitivas, desfrutadas pelo vício e desencadeadas pela automação. Livrar-se de um ato repetitivo envolve grande esforço, mas, como disse anteriormente, se eu criei a emoção posso também eliminá-la.

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